Capítulo 1 Ele trapaceou

Capítulo um

Lá vai ele de novo.

Saindo correndo quando aquele maldito telefone toca.

Ele tem feito isso muito ultimamente. Nos jantares, tarde da noite, até quando saímos.

Hoje, ele estava no banho, e eu tentei espiar quem estava ligando, mas meu marido surgiu do nada e arrancou o celular da minha mão antes que eu pudesse ver quem era.

Eu sabia que não devia duvidar dele, mas não conseguia evitar pensar que meu marido estava me traindo.

— Você sabe que seu aniversário está chegando — Melissa me disse quando nos encontramos para tomar um café.

Eu encarei ela; Melissa desviou o olhar, dando um gole no café.

“Era possível. Ele podia estar planejando uma surpresa para mim, mas alguma coisa não parecia certa.”

— Mas, Mel... ele anda distante ultimamente — confessei.

Ela arqueou uma sobrancelha para mim.

— Como assim?

Suspirei. Eu não achava certo falar do meu casamento com alguém, mas Melissa é minha melhor amiga. E, além disso, eu não tinha mais ninguém com quem conversar.

— A gente não passa mais um tempo de qualidade juntos, ele está sempre ocupado no trabalho, chega tarde em casa e, ultimamente, a gente nem faz sexo. — Eu sentia o peso no meu peito aumentar.

Melissa ficou em silêncio enquanto processava o que eu disse, mordiscando de leve o lábio.

— Pelo que eu sei do trabalho, acho que ele está ocupado. Nosso chefe anda num humor péssimo ultimamente, desde que a esposa dele morreu. — Ela fez uma pausa e então assentiu. — Acho que ele está ocupado, Kalyssa. Você está pensando demais.

A voz dela era suave e tranquilizadora.

Essa era uma coisa da Mel: além de linda, ela tinha um coração bom, sempre enxergando o lado bom das pessoas.

— Mas, Mel...

Ela pegou minha mão por cima da mesa, impedindo que eu continuasse.

— Kalyssa, ele é meu primo. Eu conheço o James há mais tempo do que você. Eu sei que o James nunca faria algo para te machucar, porque ele te ama demais.

Ela riu e acrescentou:

— Às vezes eu até fico com inveja do relacionamento de vocês.

Eu dei uma risadinha e bati na mão dela.

— Você tem um monte de pretendentes, é só escolher um.

Naquela noite, James chegou em casa mais cedo do que eu esperava. Ele parecia acabado.

Quando me viu, apressou o passo, e meu coração disparou.

— James, você...

Ele me puxou para um abraço antes que eu terminasse a frase. Minhas mãos ficaram suspensas; eu não sabia onde colocá-las.

Meu nariz captou um cheiro suave na gola dele, mas não pensei nisso.

— Meu Deus, amor, eu estou tão cansado — ele murmurou.

Eu o abracei de volta.

— Dia difícil no trabalho? — perguntei, e ele assentiu.

— Meu chefe tem sido um babaca desde que a esposa dele deixou ele, e eu não culpo a mulher — explicou.

“Espera! Eu achei que a esposa tinha morrido?”

Não disse nada. Talvez tivessem recebido informações diferentes.

Eu o afastei um pouco.

— Por que você não vai se lavar e depois desce para jantar?

Ele balançou a cabeça e recuou.

— Primeiro o jantar. Estou com tanta fome que eu podia devorar você — disse, estalando os dentes para mim.

Eu ri e fui servir a comida, enquanto ele vinha logo atrás.

Mel tinha razão. James só estava com muito trabalho e andava distraído.

Passamos a noite juntos, como antes. Até assistimos a um filme. Mas, na metade do filme, James começou a me tocar. Ele se inclinou até meu ouvido e sussurrou: “Eu preciso de você, Kalyssa.”

Começamos a nos beijar no sofá, e as mãos dele passearam pelo meu corpo.

Quando as coisas esquentaram, ele me pegou no colo e fomos para o quarto. As roupas voavam, e o quarto estava quente. Mas, em algum momento no meio, o ritmo falhou.

— Desculpa — ele murmurou, recuando.

Eu encarei James, compreensiva. — Tudo bem, essas coisas acontecem — eu disse.

Ele balançou a cabeça. — Não, não está tudo bem. Faz muito tempo que a gente não faz isso, e eu...

— Shhh — eu o interrompi, indo até ficar de joelhos. — Deixa eu te ajudar.

Ele fechou os olhos assim que eu comecei. Não demorou muito, e ele voltou. Então começou a mover o quadril, cada vez mais rápido, num movimento frenético. Quase como se ele já não fosse ele mesmo.

E então ele sussurrou:

— Lissa.

Minhas mãos tremeram.

— O quê?!

Eu quis me afastar, mas ele segurou minha cabeça e assumiu o controle, com os olhos bem apertados.

James nunca tinha me chamado assim antes, ou talvez eu só estivesse pensando demais.

— Issa — ele sussurrou de novo. — Isso, bebê, eu adoro quando você faz isso.

A partir daí, tudo foi ótimo. Eu adormeci pouco depois, exausta.

No meio da noite, acordei com a cama vazia.

— James? — chamei, mas ele não respondeu. Decidi ir procurá-lo. Quando verifiquei, ele não estava no banheiro, então devia estar no escritório.

O corredor estava silencioso. Eu conseguia ouvir sons fracos vindo do escritório.

Era a voz de Jonathan.

Baixa e trêmula. Como se ele estivesse... gemendo?

— Ah, bebê, me faz gozar — ele gemeu.

Eu parei, abafando uma risadinha na mão. “Ele não se satisfez?” pensei, enquanto espiava para dentro do escritório.

Mas o que eu vi me chocou.

— Só de pensar em você eu fico tão duro. Eu nem consegui ficar de pau duro quando eu estava com ela até pensar em você, gata.

Olhei para dentro e vi meu marido se masturbando diante do laptop...

Havia uma mulher na tela.

Nem sei quando um suspiro escapou dos meus lábios.

James se assustou. Virou para me olhar, os olhos arregalados de choque e medo, e então bateu o laptop, fechando-o, para que eu não visse quem era a mulher.

— James, quem era aquela? — perguntei, marchando para dentro do escritório.

Ele deu um passo para trás, os olhos vagando pelo ambiente, o rosto vermelho de vergonha.

Ele apertou os lábios.

— Quem era aquela? — perguntei de novo. Lágrimas se juntaram nos meus olhos.

— É uma IA — ele retrucou. — Meus amigos me apresentaram esse aplicativo de IA e eu tenho... — ele deixou a frase morrer.

Então ele caminhou até mim e me empurrou para fora.

— Vai dormir, é só uma IA — disse, antes de fechar a porta na minha cara.

Fiquei ali por um minuto, enquanto tudo finalmente fazia sentido para mim.

Eu estava certa.

Eu não tinha ouvido errado, e ele realmente chamou o nome de alguém enquanto a gente transava.

James estava me traindo.

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