Capítulo 4 Eu preciso de um namorado. Agora.

O banco de concreto no pátio estava gelado, apesar do sol do meio-dia. Eu me obriguei a ficar de pé, com os músculos rígidos e pouco colaborativos. Minhas pernas pareciam ocas, como juncos secos prestes a se partir sob a menor pressão. Eu tinha perdido os primeiros vinte minutos da quinta aula. Precisava de uma autorização de atraso. Se eu não conseguisse uma, isso entraria no meu registro como falta não justificada, dando à sra. Gable mais uma munição para usar contra mim.

Voltei para o prédio principal. A transição do ar quente e úmido de fora para o corredor agressivamente refrigerado fez os pelos dos meus braços se arrepiarem. Os corredores estavam totalmente silenciosos agora. As portas pesadas, de carvalho polido, das salas de aula estavam bem fechadas. As vozes fracas e abafadas de professores dando aula vazavam pela madeira, mas, fora isso, o único som era o rangido oco dos meus mocassins no linóleo.

Empurrei a porta de vidro do escritório principal de frequência.

Era um mundo completamente diferente da ala de orientação macia e perfumada de lavanda de que eu tinha acabado de escapar. Aquele ambiente cheirava a tinta de impressora velha, café queimado e ansiedade. As luzes fluorescentes no teto zuniam com um zumbido baixo e constante que perfurava direto as minhas têmporas.

A sra. Higgins, a secretária da frequência, estava tecleando furiosamente. Nem levantou os olhos quando a porta tocou.

— Assina a folha, espera nas cadeiras azuis — ordenou, com a voz rouca e seca.

Peguei a caneta presa por uma corrente à recepção. Meus dedos estavam tão rígidos que doíam. Consegui rabiscar meu nome e o horário: 11:42.

Sentei numa das cadeiras de plástico duro alinhadas contra a parede. O plástico implacável cravou na minha coluna. Encarei a parede bege à minha frente, seguindo com os olhos a textura sutil e irregular da tinta.

Encontre um jeito de fazer eles olharem para outra coisa. O ultimato da orientadora ecoava no meu crânio, alto e insistente. Eu precisava de um namorado. Não apenas um garoto que, educadamente, segurasse minha mão no corredor ou dividisse o almoço comigo. Eu precisava de um espetáculo.

Fechei os olhos e folheei mentalmente o anuário da Crestview Academy, analisando a hierarquia social como uma equação de cálculo.

Chase Montgomery. Capitão do lacrosse. Rico. Bonito no sentido tradicional. Mas o Chase se importava mais com a própria reputação do que com oxigênio. Se ele sequer sentisse o cheiro do boato envolvendo eu e o sr. Harrison, sairia correndo na direção oposta. Ele dependia inteiramente do ecossistema social da escola para sobreviver.

Oliver Vance. Presidente do time de debate. Era primo da Harper. Absolutamente fora de questão.

Liam Chen. Meu parceiro de Química Avançada. Ele era gentil, mas estava mirando admissão antecipada em Stanford. Não arriscaria o histórico disciplinar impecável para se associar a uma garota sob investigação ativa do conselho escolar.

Esse era o problema fundamental de Crestview. Todo mundo estava preso exatamente na mesma jaula invisível. Todos nós morríamos de medo de sair da linha, morríamos de medo de perder nosso lugar, nossas bolsas, nossas heranças. Para sustentar uma mentira desse tamanho, para criar uma distração alta o bastante para calar Harper Vance, eu não podia usar alguém de dentro da jaula.

Eu precisava de alguém que já tivesse arrebentado as grades.

— Eu não quero saber quem começou, Steinmann. Você terminou no meio do refeitório!

O grito repentino estilhaçou o silêncio da secretaria de presença. Eu me sobressaltei, abrindo os olhos num estalo.

A voz era do diretor Evans. Vinha da porta fechada no fundo da sala, a que tinha vidro fosco com a inscrição Sala do Diretor. As persianas de plástico que cobriam o vidro estavam tortas, deixando uma fresta de uns cinco centímetros que dava uma linha de visão direta para dentro.

Eu me remexi na cadeira de plástico, inclinando um pouco para a esquerda para espiar pela abertura.

O diretor Evans estava de pé atrás de sua enorme mesa de carvalho, o rosto congestionado de um vermelho escuro, feio. As veias do pescoço saltavam nítidas acima da gola branca engomada. Ele apontava um dedo grosso e trêmulo para a pessoa sentada à sua frente.

Ryder Steinmann.

Ele estava largado na poltrona de couro para visitantes, as pernas compridas esticadas com displicência à frente, os tornozelos cruzados. Vestia a calça do uniforme padrão de Crestview, mas era aí que a obediência às regras terminava. Em vez do blazer obrigatório e da gravata listrada, usava uma camiseta preta desbotada sob uma jaqueta de couro pesada, gasta e arranhada.

Ele não olhava para o diretor Evans. Encarava a parede, a mandíbula completamente relaxada, com uma expressão de tédio absoluto.

— Esta é sua terceira briga neste semestre — rosnou Evans, batendo a mão espalmada numa pilha de pastas. O estalo alto ecoou pelo vidro. — Você quebrou o nariz de um aluno, Ryder. Por quê? Por causa de uma bebida derramada?

Ryder nem se mexeu com o barulho. Levantou devagar a mão direita e coçou a nuca.

Minha respiração travou na garganta.

Os nós dos dedos dele estavam abertos. A pele, crua e inchada, num roxo intenso e irritado. Um borrão de sangue seco manchava a lateral do polegar.

Ele baixou a mão de volta para o colo.

— Ele não devia ter derramado — disse Ryder. A voz era baixa, áspera e totalmente sem desculpas. Não soava como um estudante do ensino médio falando com um administrador. Soava como um homem falando de um incômodo menor.

— Você não tem respeito nenhum por esta instituição — cuspiu Evans. — Acha que, porque sua família paga a mensalidade integral, as regras não se aplicam a você. Pois vou te dar uma notícia. Três dias. Suspensão fora da escola. Com efeito imediato.

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