Capítulo 5 A pior escolha que eu poderia fazer
Evans arrancou uma notificação de demissão de um bloquinho sobre a mesa e a empurrou por cima da madeira polida.
Ryder enfim se mexeu. Inclinou-se para a frente, o couro pesado da jaqueta rangendo no silêncio da sala. Pegou o papel rosa com dois dedos, lançou um olhar por uma fração de segundo, como se fosse um recibo de alguma coisa que ele não queria. Não discutiu. Não implorou por clemência. Simplesmente não se importava.
Ele se levantou. Era alto, de ombros largos, carregando um tipo de tensão silenciosa e letal no jeito de se mover. Enfiou o papel amassado no bolso da frente do jeans.
— Te vejo na segunda, Evans — resmungou.
Eu encarei pelo vão entre as persianas, meu pulso de repente latejando nos ouvidos. As peças do quebra-cabeça se encaixaram com uma clareza súbita e aterrorizante.
Ryder Steinmann.
Ele era o fantasma do Crestview Prep. A fábrica de boatos não só sussurrava sobre ele; ela gritava. Diziam que ele se envolvia em lutas clandestinas na cidade. Diziam que ele tinha uma ficha criminal lacrada, apagada pelos advogados caros do pai. Diziam que ele tinha mandado um garoto para o hospital no segundo ano e saído ileso, sem um arranhão.
As pessoas não só evitavam Ryder; elas tinham medo dele. Quando ele descia pelo corredor, a multidão literalmente se abria. Ninguém fazia contato visual. Ninguém ousava enfrentá-lo. Ele existia num vácuo que ele mesmo criara, completamente imune aos mexericos tóxicos que governavam o resto de nós, porque ele já era a pior coisa que eles conseguiam imaginar.
Se eu começasse a namorar Chase Montgomery, as pessoas ainda falariam do Sr. Harrison. Só iam supor que eu estava traindo Chase.
Mas se eu estivesse namorando Ryder Steinmann?
Se a garota quieta, perfeita, bolsista e com notas máximas de repente se envolvesse com o garoto mais perigoso e instável da escola?
Não seria só uma distração. Seria um eclipse total.
As mães da associação de pais e mestres ficariam horrorizadas. Harper Vance ficaria sem palavras. Ninguém acreditaria que eu estava me encontrando às escondidas com um professor de cálculo sem graça quando eu estivesse publicamente ligada a um cara que parecia capaz de desmontar um motor de carro com as próprias mãos. A narrativa mudaria na hora de aluna corrupta e traidora para boa menina trágica, corrompida.
Era suicídio social. Mas um suicídio que mantinha minha bolsa totalmente intacta. O conselho não podia me expulsar por eu ter um namorado — mesmo um péssimo — desde que minhas notas continuassem altas e eu não estivesse quebrando a lei.
Era o álibi perfeito e desesperado.
A maçaneta de latão do escritório do diretor fez clique.
Eu congelei, prensando as costas no encosto duro da cadeira de plástico. Peguei uma revista qualquer, com as pontas gastas, da mesinha ao lado e a larguei no colo, encarando sem expressão uma página sobre jardinagem na primavera sem enxergar uma palavra sequer.
A porta se abriu, batendo no limitador de borracha na parede com um baque pesado.
Ryder saiu.
O ar no pequeno escritório de controle de presença pareceu desaparecer no instante em que ele atravessou a porta. De perto, a realidade dele era muito mais intimidadora do que a visão através das persianas. O maxilar estava travado, formando uma linha afiada e inflexível. Um hematoma escuro e recente começava a se formar logo abaixo da maçã do rosto esquerda, ressaltando o ângulo duro de sua face. O cabelo escuro estava bagunçado, caindo sobre a testa de um jeito que parecia descuidado, áspero e indomável.
Ele cheirava a couro gasto, vento frio e um leve rastro cortante de hortelã.
A Sra. Higgins parou de digitar. O silêncio na sala se tornou absoluto, pesado e denso. Ela não pediu que ele assinasse a saída. Não falou nada. Apenas o observou com cautela, como se esperasse que ele chutasse a mesa dela.
Ryder não olhou para ela. Não olhou para nada. Apenas começou a caminhar em direção às portas de saída.
Era isso. Ele ia embora por três dias. Se atravessasse aquelas portas, eu não o veria até a manhã de segunda-feira. E, até a manhã de segunda-feira, a Sra. Gable teria entregado meu dossiê ao diretor. Minha bolsa teria acabado. Meu futuro seria apagado.
Minhas mãos apertaram as bordas brilhantes da revista até o papel entortar e amassar sob meus dedos.
Faça isso. Soltei a revista. Ela escorregou do meu colo e bateu no piso de linóleo com um estalo alto e seco.
Ryder parou.
Ele não se assustou. Apenas interrompeu o passo, no meio da passada, as botas pretas e pesadas fincadas no chão. Devagar, muito devagar, virou a cabeça por cima do ombro.
Os olhos dele encontraram os meus.
Eram de um tom de avelã surpreendente e penetrante — fragmentos de verde e dourado misturados. Já não pareciam zangados nem entediados. Estavam afiados. Intensamente calculistas. Eles me prenderam à cadeira de plástico, arrancando a máscara educada e perfeita que eu usava para o resto da escola, enxergando muito além do colarinho engomado e da postura reta.
Meus pulmões arderam. Eu não conseguia desviar o olhar. A pura intensidade do olhar dele me ancorou no lugar.
Ele olhou para o meu uniforme bem passado. Olhou para o meu rosto pálido. E então seu olhar desceu para minhas mãos, que tremiam violentamente no meu colo.
Por uma fração de segundo, as linhas duras e letais do rosto dele suavizaram. O canto da boca se contraiu — não chegou a ser um sorriso, mas algo perigosamente perto de reconhecimento. Como se ele visse o pânico arranhando a minha garganta e entendesse aquilo perfeitamente.
Ele não disse uma palavra. Sustentou meu olhar por três segundos agonizantes e pesados, deixando o silêncio se esticar até minha pele parecer apertada demais para o meu corpo.
Então, virou-se e empurrou as portas de vidro, desaparecendo no corredor vazio.
Eu fiquei ali, arfando por um ar que nem percebi que estava prendendo. Meu coração batia com tanta força que parecia machucar minhas costelas.
Eu tinha meu alvo. Agora, tudo o que eu precisava fazer era entrar na cova do leão e convencer o garoto mais temido da escola a fingir que era meu.
