Capítulo 1

Ponto de vista de Rainey

O sol do fim da tarde passava pelos galhos densos dos pinheiros, projetando sombras no meu rosto enquanto eu apertava minha mochila gasta com mais força. Eu já devia saber que não era uma boa ideia voltar por este caminho depois da aula.

— Rainey!

Merda. A voz da Sarah cortou o ar da floresta como uma faca. Continuei andando, fingindo não ouvi-la, mas meu coração já estava martelando contra as costelas. Por favor, me deixa em paz. Por favor, só dessa vez...

— Eu sei que você está me ouvindo, sua vadiazinha!

Seus saltos estalavam no chão úmido enquanto ela me alcançava, com Brad Miller e Devon Clark a flanqueando como cães de ataque leais. Parei de andar, pois qual era o sentido? Fugir só pioraria as coisas. Sempre piorava.

— Vire-se. — A voz da Sarah soou enjoativamente doce.

Eu me virei, mantendo os olhos no chão. O chão da floresta estava coberto de agulhas de pinheiro e folhas do ano passado, tudo encharcado pela garoa constante do Oregon. Muito mais seguro de se olhar do que para o rosto impecável da Sarah.

— Olhe para mim quando eu estiver falando com você.

Como não obedeci imediatamente, a mão dela avançou e agarrou meu queixo, forçando minha cabeça para cima.

— Assim está melhor. — Ela sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos. — Então, fiquei sabendo de uma novidade interessante hoje. Parece que tem gente se achando a tal só porque tirou uma nota maior que a do Benjamin na prova.

Meu estômago gelou. Os resultados da prova de Cálculo Avançado tinham saído naquela manhã. Eu tinha tirado 98. O Benjamin tinha tirado 96. Isso não deveria importar — nós dois tínhamos tirado A —, mas, pelo visto, importava para a Sarah.

— Eu não... — comecei a falar, mas o aperto dela no meu queixo ficou mais forte.

— Você não o quê? Tentou se exibir? Tentou chamar a atenção dele? — A voz dela foi ficando mais aguda, com aquele tom perigoso vindo à tona. — Você acha que, só porque estuda que nem uma eremita patética, pode roubar o que é meu?

— Sarah, eu nunca tentei...

TAPA.

O som ecoou por entre as árvores, e meu rosto explodiu de dor. Minha pele nunca foi boa em esconder marcas, e eu sabia que a marca da mão dela ficaria ali por horas.

— Não minta pra mim! — ela gritou, perdendo qualquer fingimento de compostura. — Acha que eu não vejo o jeito que você olha pra ele no grupo de estudos? Como você sempre tem as respostas certas quando ele está por perto?

Eu queria dizer a ela que sempre tinha as respostas certas porque eu realmente estudava a matéria. Que eu estudava até meus olhos arderem porque entrar na faculdade era minha única chance de sair dessa cidade infernal.

— Me desculpa — sussurrei, em vez disso, as palavras com gosto de cinzas na minha boca.

— "Desculpa" não é mais o suficiente. — A mão de Sarah foi para o meu cabelo, puxando minha cabeça para trás com força. — Sabe de uma coisa? Acho que está na hora de todo mundo ver o que você realmente é por baixo de toda essa encenação de falsa inocente.

O terror tomou conta de mim quando Brad pegou o celular.

— Não... — murmurei, finalmente entendendo o que ela pretendia fazer.

"Ah, sim." O sorriso de Sarah agora era pura maldade. "Tirem a roupa dela. Vamos ver como a nossa pequena oradora da turma vai se sentir quando a escola inteira vir a vadia barata que ela realmente é."

"Por favor, não façam isso", implorei, odiando o quão fraca minha voz soava. "Sarah, por favor, eu vou ficar longe do Benjamin, eu vou—"

"Tarde demais para negociar, vadia." Ela agarrou a barra do meu suéter barato. "Deveria ter pensado nisso antes de decidir me fazer passar vergonha."

Foi aí que algo dentro de mim se rompeu. Talvez tenha sido a humilhação, talvez a ideia daquelas fotos sendo espalhadas pela escola, mas, de repente, eu estava reagindo.

"Não!", gritei, empurrando Sarah o mais forte que pude. "Sai de perto de mim!"

Ela cambaleou para trás, mais chocada do que machucada, mas Brad já estava me agarrando. Suas mãos eram ásperas, apertando meus pulsos com força suficiente para deixar hematomas.

"Socorro!", gritei em direção às árvores, sem me importar com o quão desesperada eu soava. "Alguém me ajude!"

A floresta permaneceu em silêncio, exceto pela minha própria voz ecoando de volta para mim.

"Pode gritar o quanto quiser", Devon riu, pegando o próprio celular. "Ninguém tá nem aí para um lixo de periferia como você."

Sarah havia se recuperado da surpresa e agora tinha um olhar assassino. Ela pegou seu copo meio vazio do Starbucks e despejou o café frio na minha cabeça. O líquido encharcou meu cabelo e escorreu pelo meu rosto, manchando minhas roupas.

"Segurem ela firme", ela ordenou, e Brad torceu meus braços para trás enquanto Devon foi agarrar minhas pernas.

Continuei me debatendo, continuei gritando, mas era inútil. Aquilo realmente ia acontecer. Eles iam tirar a minha roupa, me fotografar e mandar para todo mundo, e depois? Como eu conseguiria dar as caras na escola de novo? Como eu conseguiria me olhar no espelho?

"Isso vai ser tão bom", Sarah ronronou, esticando a mão para o meu suéter de novo. "Fico imaginando o que o Benjamin vai pensar quando a vir desse jeito."

"Acabou o tempo."

A voz veio do fundo da floresta, calma e grave. Todos nós paralisamos.

Uma figura emergiu das sombras entre os pinheiros — alto e esguio, vestindo um moletom escuro e calça jeans rasgada. Um boné gasto fazia sombra em seu rosto, e a fumaça de um cigarro pairava ao redor dele como neblina matinal.

"Quem caralho é você?", Brad exigiu saber, mas seu aperto em mim afrouxou um pouco.

O estranho não respondeu de imediato. Ele apenas se encostou em um dos enormes troncos de pinheiro, parecendo completamente relaxado apesar da situação. Quando falou de novo, sua voz tinha uma estranha autoridade, como se estivesse acostumado a ser obedecido.

"A polícia está a caminho. Vocês têm uns trinta segundos para sumir daqui antes que isso vire um problema muito maior."

"Conversa fiada", Devon desdenhou. "Você não ligou pra ninguém."

"Ah." O cara deu um longo trago no cigarro e, por um breve momento, a brasa iluminou as maçãs do rosto marcadas e o maxilar angular. "Acho que vamos descobrir."

Sarah olhava alternadamente para o estranho e para a direção da escola.

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