Capítulo 2 Parte 1 - Capitulo 2
Estava na hora de se despedir. Eu odeio despedidas, odeio chorar. Odeio sentir que parte de mim ficou para trás, mas foi isso que aconteceu. Minha mãe, meu pai e meio irmão são as pessoas mais importantes pra mim. E não é que minha irmã não seja importante, eu apenas não escolheria ela se escolheria que escolher salvar ela ou ... sei lá, um cachorrinho. Coitado do cachorrinho, definitivamente eu salvaria o cachorrinho.
-Eu nem acredito ...- Minha mãe chora. - São tão crescidas, já são adultas e agora vão voar dos seus ninhos pra sempre.
Minha mãe é extremamente dramática. Sério. Uma vez, quando eu tinha 15 anos, fiquei responsável pelo figurino da peça de dia da terra do meu colégio. Era meu primeiro contato com a moda e era no mesmo dia do seu aniversário. Ela fez tanto drama que larguei a peça e fiquei o dia todo com ela e meus irmãos assistindo Um maluco no pedaço. Ela é muito intensa com emoções, elas são felicidades, tristeza, ou raiva.
-Sim mãe, eu entendi o mês inteiro fazendo analogias a passarinhos, mas agora? A senhora sabia que essa hora iria chegar.-Falo sorrindo e recebi um tapinha de amor.
Nos abraçamos e eu sinto o cheiro familiar do seu cabelo. O shampoo de côco que ela nunca deixou de usar, deixa a cor ruiva linda e o cabelo extremamente cheiroso.
-Ei irmãzinha, vem cá. - Oliver diz dentro do seu terno impecável. Meu pai o está obrigando a trabalhar na empresa e depois de várias falhas de se esquivar, ele pôs um terno e foi trabalhar. Meu pai diz que Oliver vai herdar tudo um dia, já que eu e minha irmã não temos o menor interesse na empresa e Oliver está se formando em administração.
-Oli ... vou sentir tanto sua falta ....- Aquele apelido carinhoso que o chamo desde que me entendo por gente me causa uma enorme bolha na minha garganta. Quem vai me proteger agora? Oliver sempre ficou do meu lado nas brigas com Jéssica e quando ele descobriu de Fábio, ele deu um sermão gigante nela e por muito pouco não deu uma surra no Fábio.
Nos abraçamos e eu não consigo segurar e começo a chorar. Eu amo meu irmão. Ele sempre me protegeu na escola quando tiravam sarro das minhas sardas, ele fez o papel de pai, já que o meu estava sempre trabalhando, ele foi a pessoa mais importante no mundo pra mim durante minha vida inteira, e com certeza, se alguma parte de mim ficar aqui, a maior parte vai ser dele.
-Eu te amo, baixinha. -Ele disse com os olhos brilhando. Fábio é um cara sensível, ele não é aquele que esconde quando chora ou tem medo de ter emoções. Ele é incrivelmente chorão e um cara incrível.
Olhei pro lado e Clary estava agarrada no pescoço do pai. Minha visão era apenas dos seus cabelos negros cacheados, enfiada no pescoço do tio Léo, que já tinha cabelos brancos até na barba. Tio Léo sempre foi um segundo pai para mim e eu tenho um enorme carinho e admiração por ele, pois criou Clary sozinho e sempre foi presente.
-Cuida bem da minha morena.- Tio Leo diz para mim ao desfazer do abraço da filha com os olhos vermelhos de ter chorado durante horas.
-Pode deixar tio Leo.-Digo dando um beijo no seu rosto.
-Ei, eu sou apenas alguns meses mais nova! -Clary diz fazendo cena. Ah sim, Clary a vezes parece mais filha de minha mãe do que eu, sua própria filha. Ela é superintensa e dramática.
Todos rimos de Clary, o que era algo familiar, pois ninguém levava o drama dela a sério. Essa cena, foi a última cena que vi antes ir embora e foi uma bela cena para se lembrar.
-Adeus pessoal.-Falamos juntas de mãos dadas. Clary e eu de mãos dadas era uma cena que eles costumavam ver muito.
-Adeus Clarissa e Alexis. - Minha mãe diz enxugando uma última lágrima solitária, uma cena digna de um Oscar.
Clary e eu entramos na sala de espera ainda de mãos dadas e nos sentamos em cadeiras próximas a porta. Estamos indo de economia, então não demora muito para se formar uma fila, e nos entramos nela o mais rápido que podemos. Observo minha melhor amiga de cabelos negros e olhos verdes. Eu sempre gostei dos seus olhos, até desejava tê-los quando era mais nova, ela diz que puxou da mãe e dos avós. Clary me olha de volta sorrindo e eu sorrio para ela.
-Voo 213 com destino a Londres, Portão F! -Uma voz surge nos autofalantes e a fila começa a andar.
Clary e eu temos o mesmo olhar uma para outra. O olhar de ansiedade por começar essa nossa nova vida.
-Pronta? -Ela pergunta dando um longo suspiro.
-Sempre. - Eu respondo olhando para um fila diminuindo tanto que já consigo ver o avião enorme na parte de fora.
Passamos pela revisão de documentos e passagens, e finalmente, fomos viver nosso sonho!
