Capítulo 3 Parte 1 - Capitulo 3
Nossa nova porta.
Enfim, saímos do aeroporto e damos de cara com Londres. Finalmente! Foi uma LONGA viagem. Primeiro anúncio uma parada no aeroporto de Guarulhos e de lá seguimos para Madri. Ficamos lagunas horinhas lá e logo nosso voo para Londres saiu e passar por toda a imigração, chegamos. A linda, fria, bela e romântica Londres! Meu pai diz que o ensino é uma indústria de grande faturamento em Londres, e por isso, estudantes são muito bem recebidos no país.
Pegamos um táxi, não foi difundido nos comunicar, faço aulas inglês desde que me entendo por gente, e Clary é americana de nascença, seus pais se mudaram pro Brasil quando ela tinha 1 ano de idade, mas uma bonitinha tem cidadania americana. Seus pais ensinaram inglês desde que ela aprendeu a falar e quando ficamos amigas, eu insisti tanto que ela fizesse curso comigo que ela aceitou. E nós tivemos uma chance de exercitarmos o nosso inglês uma vez quando fomos para a Disney com o tio Léo.
Passamos a viagem rindo e nos divertindo. Eu tinha esquecido como era divertido estar ao lado dela. Clary é minha amiga desde os 8 anos. Ela estudava na mesma sala que eu desde o segundo ano, mas a gente não se gostava. Até que um dia, no terceiro ano, a gente simplesmente virou amiga, e estamos juntas desde então.
Somos inseparáveis mas todos sabemos que um namorado pode afastar duas amigas. As vezes eu acho que Fábio fez lavagem cerebral em mim para me levar até Clary.
Clary sempre atraiu muita atenção, principalmente dos garotos. Desde pequenas, Clary sempre foi a mais bonita da escola. Ela tem um rosto incrivelmente perfeito, um corpo lindo, ela é perfeita. Mas, infelizmente, todos os caras que ela já namorou ou ficou não concordariam comigo no quesito personalidade. O que eu acho ser uma grande idiotice. Clary é intensa e exagerada, mas isso é extremamente encantador, e nenhum desses caras acham isso, eles não merecem ela.
Eu sou uma romântica, eu acredito que há alguém para todo o mundo, mesmo depois do episódio traumático com meu ex namorado, eu ainda acho isso.
E embora Clary tenha toda essa atenção sobre ela, os garotos só foram se interessar por mim quando eu já estava mais velha, que foi a idade que minhas sardas, que cobriam meu corpo todo, diminuiu. Eu ainda tenho muitas, mais do que eu queria, mas eu aprendi a me aceitar. Umas das pessoas que me ajudaram com isso foi a blogueira Mari Maria que tem tantas sardas quanto eu, e se eu consigo achar ela extremamente linda, eu também posso me achar.
Aliás, esse problema com sardas, minha família inteira sofreu ou sofre até hoje, com a única exceção de adivinha quem? Minha irmãzinha querida que tem apenas claras e lindas sardinhas no nariz e no pescoço.
Enfim, chegamos ao apartamento. É um prédio enorme, e graças ao bom pai, tem elevador. Não sou sedentária, sempre que eu posso, dou uma corridinha no parque, mas subir 3 lanças de escadas todos os dias não é uma boa opção. Encontramos esse apartamento online e pagamos assim que convertemos nosso dinheiro em libras numa pechincha de 750 libras. Fora as outras contas, mas mesmo assim, um apartamento no meio de Londres, perto da RCA, é perfeito!
Fomos na portaria, pegamos nossa chave e subimos.
Nosso andar é o terceiro. Assim que as portas se abrem, dou de cara com uma senhora muito simpática de cabelos brancos e vestes escuras.
-Olá, queridas! -Ela diz com entusiasmo em inglês.
-Ahn ... olá. - Falamos juntas. O bom e velho "olá".
-Você deve ser como novas moradoras do apartamento 301.-A senhora diz apertando o número 2.
-Sim, somos nós- Eu digo e me pergunto como ela sabe disso. É um prédio de 4, andares, imagino que as pessoas se conheçam.
-Boa sorte.-Ela diz assim que a porta abre e vai para o seu andar. Clary e eu nós olhamos quando o elevador volta a andar. Isso foi estranho.
Fomos para o nosso apartamento que é o único que é do lado de outro apartamento. Espero que os vizinhos não sejam barulhentos, um momento da vida de Clary, ela morou em um condomínio que o vizinho do lado era um cara que amava escutar música alta as 2 da manhã, usar o liquidificador por pelo menos uns 3 minutos interruptos as 4 e as vezes, ouvíamos ele gritar com muita raiva durante um bom tempo, como se tivesse jogando videogame e perdendo. Por anos, Clary reclamava do vizinho barulhento, até que ela e seu pai resolveram se mudassem.
Abro a porta do apartamento e ... é uma porcaria. Eu não vou ficar dando uma de mal agradecida esnobe, mas nas fotos da internet, o apartamento estava recém pintado, móveis novos, tinha até uma lareira, e esse ...
A tinta está descascando da parede, os móveis são muito feios e eu não consigo encontrar um tal da lareira. Talvez nem tenha! Noto que o teto tem uma pequena rachadura que se estende na parede, e as portas parecem velhas.
Isso precisa de um toque de Alexis e Clary com certeza.
-Isso é um lixo.-Clary fala fechando a porta que faz um barulho insuportável.
-Eu sei ... mas o que importa é que conseguimos! -Falo olhando ansiosa para Clary e ela entende. Nós conseguimos!
Nós duas gritamos e pulamos no sofá. Foi exagero mas olhe nosso lado, finalmente conseguimos o que queríamos. Estamos em Londres! Pulando em um sofá empoeirado e provavelmente com vários rastros de peidos de outros moradores. Mas quem liga? Estamos em Londres!
Passamos o dia no mercado e perdidas na cidade, chegamos em casa exaustas as 20:00. Fizemos tudo andando, nao queriamos gastar com táxi, preciso economizar para dar uma ajeitada nesse apartamento. Principalmente no quarto. Ele é feio, sem graça e tenho quase certeza que encontrei mofo.
-Eu tô com tanto sono que se minha fome não fosse maior eu dormiria nesse chão sujo.-Eu digo colocando como compras na cozinha e me deixo escorregar na parede até o chão.
-Alexis, não chame o chão do nosso apartamento de sujo! Amanhã vamos limpar, mas agora vem comer que eu fiz lasanha.-Clary aparece do meu lado com um sorriso orgulhoso.
Faço cara de nojo. Não é por mal, mas Clary é uma péssima cozinheira. Lembro das suas desastrosas de fazer purê de batata. Ela confundiu os potes e colocou açúcar ao acionar de sal. É uma receita simples, mas ela sempre consegue, de alguma forma, estragar.
-Para com essa cara, é lasanha congelada. -Ela diz revirando os olhos me arrancando risadas.
Desembalamos nossa louça e aproveitamos para fazer o mesmo com nossas panelas novas. Elas são verdes, uma gracinha.
