Capítulo 1 1

Um momento que era para ser prazeroso chegou ao ponto que mais parece rotina. Em pensar que quando começamos o namoro, toda aquela tensão que pairava sobre nós me dava tanto tesão, e agora não sinto mais isso. Sinto como se fosse acordar de manhã e escovar os dentes. Apenas obrigação. O corpo responde por costume, os gestos se repetem sem a urgência de antes, e o silêncio depois do ato parece mais longo do que deveria.

Lembro da nossa primeira vez como se fosse ontem. Foi tudo tão perfeito, tão caloroso, tão prazeroso, que eu não consigo entender o porquê de agora ser tudo tão monótono e rotineiro. Às vezes, deitada ao lado dele depois de mais uma noite previsível, fecho os olhos e tento recuperar o cheiro daquele dia, a temperatura do ar, a forma como o coração batia tão forte que parecia querer sair do peito.

Era um daqueles raros dias quentes em Londres, quando o sol conseguia atravessar as nuvens cinzentas e deixar a cidade quase irreconhecível. Meus pais decidiram sair à procura de novos móveis para a casa da fazenda e, por coincidência, os pais de Mateo foram também, já que fomos criados juntos e vivíamos muito grudados. A casa ficou silenciosa demais. O calor entrava pelas janelas abertas, o cheiro de grama seca vinha do quintal, e eu sabia que aquela oportunidade não se repetiria tão cedo.

Mas nós tínhamos um segredo. Desde os treze anos, nós meio que namorávamos. Fomos criados como irmãos, mas eu o via mais do que isso. Sempre tive uma atração diferente e nosso primeiro beijo aconteceu atrás da casa da minha avó. Brincávamos de pique-esconde em um campo, afastado do centro. O sol já estava baixo, o vento levava o cheiro de terra molhada, e quando ele me encontrou escondida atrás da cerca viva, não houve palavras. Só o beijo, desajeitado e intenso, que mudou tudo. Desde então, nós não nos desgrudamos. Olhares longos nas refeições em família, dedos que se tocavam por baixo da mesa, mensagens trocadas tarde da noite quando todos já dormiam.

Assim que meus pais saíram, liguei para Mateo e ele veio até minha casa. O tempo que demorou a chegar pareceu eterno. Quando a porta se abriu, o calor do lado de fora entrou junto com ele. Nós mal nos cumprimentamos e já estávamos nos beijando e indo em direção ao meu quarto.

Eu confiava nele de olhos fechados e sabia que ele não faria nada de que eu não tivesse vontade. Estava pronta e queria muito aquilo. O coração batia forte, as mãos tremiam levemente, mas não era medo. Era antecipação.

Nossos amassos estavam cada vez mais quentes e o calor do dia fez com que tirássemos as roupas e as jogássemos em qualquer canto do quarto. Não estava preocupada com mais nada, apenas com meu namorado e seu corpo quente em cima de mim. A pele dele queimava contra a minha. O suor já começava a se formar entre nós, misturando o cheiro dele ao meu.

Ignorei totalmente o mundo ao meu redor e deixei o calor do momento me levar. Mateo me conduzia com leveza enquanto mordiscava meu pescoço e descia um pouco para me provocar. Eu puxava seu cabelo e mordia seus lábios em sinal de que queria mais. Eu sabia que ele adorava quando eu fazia isso, então fazia sempre que queria excitá-lo e provocá-lo mais, para que ele me pegasse com mais força.

Sua pegada era incrível e seu cheiro me excitava. Ele me beijava com desejo, mas conseguia ser delicado ao mesmo tempo. Ele foi descendo seus beijos por meu pescoço, seios, parando por um instante ali e logo descendo pela barriga até chegar na minha intimidade. Cada toque parecia deixar uma marca invisível.

Mateo me fez sentir sua respiração quente em minha vagina e o roçar de sua barba rala nas minhas coxas. Me fez arquear as costas e puxar seu cabelo com força. Eu nunca havia pensado que um simples toque como aquele pudesse proporcionar tanto prazer a uma pessoa. O corpo inteiro reagia, os músculos se tensionavam e relaxavam ao mesmo tempo, e eu mal conseguia respirar direito.

O leve encostar de sua língua em meu clitóris me fez ver estrelas e fogos de artifício juntos. Era uma mistura de prazer, emoção e satisfação fora do comum. Sentia como se eu fosse explodir até que ele começou a me estimular com os dedos e me deixava cada vez mais excitada. O mundo lá fora deixou de existir. Só restava o som da nossa respiração e o calor que subia pela espinha.

Mateo me deixava completamente saciada com seus toques, mas eu pedia por mais, suplicava por mais. Até que, sem esperar, ele tocou em meu sexo mais uma vez, me estimulando e me incentivando a lubrificação natural. Quando eu soltei mais um gemido de prazer e ele segurou seu membro já coberto com uma camisinha e colocou apenas a cabecinha, que já me fez arfar e pensar em mil coisas ao mesmo tempo. Tentei relaxar, então olhei em seus olhos castanhos e pensei em tudo que nós já vivemos e em tudo que ainda viveríamos. Aquilo me ajudou a superar a dor inicial. A dor veio, sim, mas foi passageira. O que ficou foi a sensação de estarmos finalmente completos.

Os movimentos de Mateo eram calmos e ritmados, como se fosse uma coreografia ensaiada há meses. Mas eram apenas movimentos de entra e sai seguidos por leves reboladas que estavam me deixando maluca e fora de mim mesma. Arranhava levemente suas costas com uma mão e o puxava pelo cabelo para mais perto, a fim de que pudesse beijá-lo e o sentir mais perto de mim. O suor escorria entre nós. O colchão rangia baixinho. O ar quente do quarto envolvia tudo.

Nossos corpos se mexiam quase que automaticamente e eu me sentia em total êxtase, assim como ele também. Sabia disso porque via seus olhos se revirarem e sentia suas mãos em meus quadris e cintura, me apertando forte quando ele já estava quase chegando ao ápice. Mas ele se segurou ao máximo, a fim de que eu pudesse chegar lá também. Então, quando eu gozei pela primeira vez na vida, ele se deixou levar pelo momento e gozou também, logo se jogando em cima de mim, exausto e suado. O peso dele era confortável. O coração ainda batia descompassado contra o meu peito.

Mateo ainda resgatou as forças para se inclinar e me beijar na testa e cair ao meu lado enquanto me abraçava. Continuamos abraçados por um tempo, mas não aguentamos o calor. O ar parava entre nossos corpos. Então Mateo se levantou e foi vestir suas roupas, mas no momento em que ele abaixou para pegar a calça que estava em um canto do quarto, a porta se abriu e meu irmão mais novo saiu gritando pela casa.

— Mãaaae, paaaai, o Mateo está pelado no quarto da minha irmãaaaa!

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