Capítulo 2
Na manhã seguinte, a casa estava tensa, esticada ao limite. Ninguém disse bom dia.
Havia uma caneca me esperando no meu lugar antes mesmo de eu me sentar. O mesmo chá.
— Beba antes de sair — disse minha mãe. — Você não consegue pensar direito de estômago vazio.
Em vez disso, peguei um pedaço de torrada e dei uma mordida. — Não vou beber isso. De manhã me embrulha o estômago.
Cole se recostou na cadeira. — Uau. Nem passou pela coisa ainda e você já tá com atitude. — Ele abriu um sorriso torto. — Desmaia de novo hoje e não vai botar a culpa na mãe por não te alimentar.
— Querida. — A voz da minha mãe ficou suave, magoada. — Eu acordei às seis para fazer isso pra você. Só alguns goles. Por mim.
— Não.
O rosto dela mudou num instante. Ela agarrou meu braço, os dedos cravando, a voz subindo demais. — Sloane. Você vai beber isso antes de sair desta casa.
Quanto mais ela insistia, mais certeza eu tinha.
Arranquei meu braço — com força demais. Meu cotovelo bateu na caneca e a derrubou da mesa. Ela se espatifou no piso, o chá se espalhando por toda parte.
A sala ficou em silêncio.
Por um segundo, achei que ela fosse me bater. Eu não me mexi. — Vai em frente — eu disse. — Aí eu ligo pra polícia e digo que você tentou me impedir de chegar à minha prova. Acha que eu passo depois disso?
A mão dela congelou no ar. O rosto ficou branco, depois vermelho.
Peguei minha bolsa e saí sem olhar para trás.
Meu coração martelou o caminho inteiro até lá. Mas eu tinha comido. Tinha tomado café. Eu me sentia bem — melhor do que bem. Eu tinha vencido. Não tinha encostado no chá e, hoje, eu não ia desmaiar.
A parte da manhã foi melhor do que qualquer outra. Minha cabeça estava limpa, as respostas vinham rápido. Quando entreguei, pensei que talvez eu realmente conseguisse ficar entre os primeiros. Pela primeira vez em três anos, deixei-me acreditar nisso. Talvez fosse mesmo o chá. Talvez finalmente tivesse acabado. Dei por mim sorrindo na caminhada de volta depois do almoço.
Eu tinha comido numa lanchonete do outro lado da rua do centro e voltado mais cedo.
À tarde era matemática — minha melhor matéria. Sentei, soltei o ar e coloquei minhas canetas na mesa, ao lado do frasquinho roll-on que eu tinha tirado da bolsa.
Minha mãe tinha enfiado aquilo lá na noite anterior. Para os seus nervos, ela disse — passe nas têmporas se começar a sentir tontura. Era novinho, ainda lacrado. Eu tinha vigiado o chá como um falcão. Nem passou pela minha cabeça pensar nisso.
Na metade, lutando com o último problema grande, senti a primeira puxada de cansaço. Por hábito, desenrosquei a tampa e passei um pouco nas têmporas e embaixo do nariz.
Fresco e forte, subindo direto para a minha cabeça.
Menos de cinco minutos depois, veio — aquela mesma tontura afundando, sem esperança, chegando em ondas como uma maré.
Não. Isso não podia estar acontecendo. Eu não tinha encostado no chá. Eu tinha feito tudo certo — despejado fora, comido, dormido. E mesmo assim estava ali, a mesma onda preta, exatamente no horário.
Trinquei o maxilar e tentei aguentar, do jeito que você aguenta o cansaço. Não adiantou. Nunca adiantava.
Agarrei a borda da carteira. Os números na folha entortaram e duplicaram. Meu peito parecia que um punho estava se fechando em volta dele.
Tentei levantar a mão. Só saiu um som fino e seco.
Então tudo ficou preto.
Quando abri os olhos, a primeira coisa que eu percebi foi o cheiro de desinfetante.
O quarto estava silencioso. Meus braços pareciam pesados e distantes, como se pertencessem a outra pessoa. Minha mãe estava sentada ao lado da cama, descascando uma maçã. Ela nem levantou os olhos.
— Acordou? — disse ela. — Nem adianta. Já faz três dias. A prova já acabou faz tempo.
