Capítulo 4

“Não havia sedativos na amostra”, disse o homem. “Nenhum remédio psiquiátrico, nada na lista de substâncias proibidas. Só chá comum. A única coisa fora do normal era um pouco de bactéria, de ter ficado parado tempo demais. Só isso.”

O telefone escapou da minha mão e caiu com estrondo na pia.

Não era possível.

Se o chá estava limpo, como eu tinha desabado nos dois primeiros anos? Por que minha mãe ficava de pé sobre mim na véspera de cada prova e me via beber até a última gota?

A não ser que realmente houvesse algo errado comigo. A não ser que o diagnóstico fosse verdade, e eu tivesse feito isso comigo mesma, ano após ano, desesperada demais para vencer.

Foi naquele instante que tudo desmoronou.

Por semanas, o chá tinha sido a única coisa que me mantinha sã — prova de que havia um motivo, prova de que não era só coisa da minha cabeça. Agora, até isso tinha ido embora.

Olhei para a garota no espelho — acinzentada, com os olhos fundos — e não a reconheci. Escorreguei até o chão, encostada na porta do banheiro, e chorei com o rosto nas mãos, sem fazer um som.

Depois disso, eu parei de ser uma pessoa.

Parei de discutir. Parei de fazer perguntas. Se o chá estava limpo, então a coisa quebrada era eu. Eu tinha sido o tipo de aluna de quem os professores se gabavam; agora eu não conseguia passar de uma página sem meus olhos escorregarem pelas palavras. Talvez eu tivesse nascido com defeito, e os desmaios fossem só a prova que enfim aparecia.

Não me deixaram chegar perto de um livro. Minha mãe arranjou para mim um emprego recolhendo pratos num café da esquina.

“Se você não consegue estudar, pode ao menos se sustentar”, ela disse. “Seu irmão vai começar numa universidade de verdade em breve. Mensalidade, aluguel — milhares por ano. O mínimo que a irmã dele pode fazer é ajudar.”

Eu não discuti. Cortei fruta, limpei balcões, levei o lixo para fora. Os dias se embaralharam uns nos outros, e eu parei de contá-los. Meus contracheques iam direto para a minha mãe; ela me deixava algumas notas para o almoço. A garota que costumava tirar a melhor nota em todas as provas não podia mais ser confiável nem com o próprio dinheiro.

Cole aparecia às vezes com os amigos, erguendo o queixo na minha direção atrás do balcão. “Essa é a minha irmã. Ela tem... problemas. Trabalha aqui para ajudar a pagar minha faculdade.”

Os amigos dele me olhavam daquele jeito — meio pena, meio nojo. Eu mantinha a cabeça baixa e continuava limpando.

Um mês se passou assim. Eu não lutei contra nada. Não havia mais nada em mim para lutar.

Numa tarde lenta, minha colega Mara percebeu a cor sumindo do meu rosto.

“Ei. Quando foi a última vez que você comeu? Você tá com cara de que vai cair.” Ela encheu um copo com a água da chaleira e empurrou para mim. “Toma. É só camomila. Vai te acalmar.”

Eu me afastei num sobressalto. “Eu não tomo chá.”

“Dois goles. Vai.” Ela fechou meus dedos em torno do copo morno.

Eu estava cansada demais para discutir. Dei um gole pequeno.

O gosto tocou minha língua — ralo, simples, um pouco amargo. Um cheiro fraco de mato e, por baixo dele, nada.

Eu fiquei imóvel.

Errado. Estava errado.

Por que não era doce? Cadê aquele calor no fundo, aquele cheiro que eu conhecia melhor do que o meu próprio nome?

Encarei o copo, e o sangue gelou no meu corpo inteiro.

Todas as noites, durante anos, minha mãe tinha me dado um chá doce. Doce, encorpado e só um pouco estranho — um gosto que eu tinha decidido, em algum momento, ser simplesmente o gosto do chá.

Isto era chá. Ralo. Amargo. Nada.

O dela nunca tinha sido puro. Nem uma única noite. E em toda véspera de prova ela ficava parada na minha porta e esperava — esperava até a caneca ficar vazia, observando, garantindo.

Não era eu. Nunca fui eu.

Minha mente começou a disparar, mais rápido do que em anos.

Eu entendi. Eu finalmente entendi o segredo do chá da minha mãe.

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