Capítulo 7

Ponto de vista de Sadie

— Prazer em conhecer você — ele disse.

Minha mão voltou para o meu colo. Enrolei os dedos em punho, tentando fazê-los parar de tremer.

Mas eu não podia deixar esse momento passar. Não podia deixar que ele achasse que nunca tínhamos nos conhecido antes — mesmo que ele não se lembrasse da verdade.

Forcei-me a erguer os olhos para ele, mantendo a voz leve. — Eu sei que você agradeceu outro dia, quando devolvi seu isqueiro, mas você nem chegou a olhar para mim de verdade.

As palavras saíram mais firmes do que eu me sentia.

Jake piscou. Por um segundo, algo tremeluziu em seu rosto — confusão, talvez, ou o começo de reconhecimento —, mas então desapareceu.

— Desculpa. — Ele franziu levemente a testa, estudando meu rosto. — Eu estava muito fora de mim naquele dia e com muita coisa na cabeça. Mas obrigado de novo.

A voz dele era apologética, mas havia uma tensão em sua mandíbula que não estava ali antes.

A risada de Liam cortou o constrangimento. — Sério, cara? Sadie é literalmente a definição de uma beleza americana clássica, e você esquece dela e do fato de que ela te ajudou? Eu sei que essa sua cabeça é uma bagunça, mas fala sério.

Ele balançou a cabeça em fingida incredulidade, sorrindo para mim. — Prometo que meu garoto normalmente não é tão avoado assim.

Jake ainda estava olhando para mim. Olhando de verdade, como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça que nem sabia que existia.

Um garçom apareceu ao lado do grupo deles. — Senhores? A mesa de vocês está pronta, perto das janelas.

— Perfeito. — Liam se virou de volta para mim, e sua expressão mudou para algo mais sério. Quase... apologético?

— Ei, Sadie, escuta. Papai e Emma estão preocupados por ficarem fora um mês. Eles me pediram para ficar mais de olho em você, sabe, já que todos nós estamos nos ajustando a essa coisa toda de... nova família.

Meu estômago despencou.

Por favor, não diga isso, por favor, não diga isso, por favor, não—

— Então, para matar dois coelhos com uma cajadada só — Liam continuou, completamente alheio ao fato de que estava me entregando uma sentença de morte. — Meu apartamento vai entrar em reforma completa a partir deste fim de semana — a casa inteira vai virar praticamente um canteiro de obras. Eu já estava ficando na casa do Jake. Papai e Emma me pediram especificamente para não deixar você sozinha no dormitório nos fins de semana. Disseram que a casa do Jake é segura, e a mãe dele literalmente perguntou por que eu ainda não tinha levado você lá.

O mundo parou.

Todo som no restaurante se transformou em ruído branco. Eu não conseguia respirar. Não conseguia pensar. Não conseguia processar o que ele tinha acabado de dizer.

Ele olhou para Jake. — Tudo bem, né? Mais uma pessoa. A gente tem espaço.

As mãos de Jake voltaram para os bolsos. Por um segundo, ele não respondeu.

Então: "Claro. Tanto faz. Temos espaço."

Seco. Distante. Mas o músculo no maxilar dele deu um tique uma vez, e os olhos permaneceram em mim um instante a mais — como se ele já estivesse se arrependendo das palavras no exato momento em que as dizia.

"Perfeito!" Liam bateu palmas. "Sadie, passo para te buscar no domingo à tarde. É só arrumar uma mala com o que você precisar. Vai ser divertido."

Abri a boca.

Nenhum som saiu.

"Liam", Cole disse em voz baixa, ajustando os óculos. "O garçom está esperando."

"Certo, certo." Liam me lançou mais um sorriso ensolarado. "Me manda mensagem se precisar de alguma coisa antes de domingo, tá?"

Então ele se virou e foi em direção à mesa deles.

Cole e Tyler foram atrás.

Jake foi o último a se mover.

Ele olhou para mim mais uma vez. Sua expressão era indecifrável, mas seus olhos... havia algo diferente neles. Algo que eu não conseguia nomear.

Confusos. Procurando.

Ou talvez eu só estivesse vendo o que queria ver.

Ele se virou e foi embora.

Fiquei sentada, imóvel na cadeira.

As meninas estavam me encarando com expressões idênticas de choque.

"Isso acabou mesmo de acontecer?", Brook sussurrou.

"Você vai morar com Jake Montgomery", Maya disse devagar, como se estivesse testando as palavras.

"Debaixo do mesmo teto", Zoe acrescentou em voz baixa.

Eu não conseguia falar. Não conseguia me mexer. Não conseguia fazer nada além de observar as costas de Jake desaparecerem no meio da multidão.

Não. Isso não é real. Não pode ser real.

Vou ter que vê-lo todos os dias. Morar na casa dele. Fingir que somos estranhos. Fingir que não sei o gosto dos lábios dele, nem como a voz dele soa às duas da manhã, nem o jeito que ele olha para mim logo antes de ele—

Eu não consigo fazer isso.

Não consigo.

O restaurante girou ao meu redor. Os sons voltaram de uma vez — altos demais, agudos demais. Alguém estava rindo. Uma cadeira arrastou. A porta da cozinha abriu e fechou.

Brook tocou meu braço. "Sadie? Você está bem?"

Eu não estava bem.

Eu estava muito longe de estar bem.

Eu estava prestes a morar debaixo do mesmo teto que o garoto que me beijou como se eu fosse oxigênio e depois esqueceu que eu existia.

Quando Liam e Jake voltaram para a mesa deles perto das janelas, eu me levantei.

"Preciso de ar", eu disse.

Brooklyn de repente me puxou de volta para a cadeira, agarrou meu braço e exigiu: "Sadie! Você vai morar na propriedade dos Montgomery? Com Jake Montgomery?"

Os olhos dela quase saltavam para fora da cabeça. "E você já conhecia ele? O que foi aquilo com o isqueiro? Você estava escondendo isso da gente!"

A testa de Maya se franziu, a preocupação marcada em cada linha do rosto dela. "Você não parece feliz com isso. Você não quer ir?"

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