Capítulo 2
JARED
Mesmo com o vento mudando contra mim, um instinto repentino me disse que eu não estava sozinho nessa mata. A floresta estava num silêncio de morte, salvo pelo farfalhar ocasional de um coelho correndo pelo mato baixo. Eu não via vivalma, mas a sensação se instalou fundo nos meus ossos, sutil e inegável.
Segui em frente e, em questão de segundos, uma onda pesada e inebriante de excitação atingiu meu nariz. Meu corpo reagiu na hora — o sangue correndo, os instintos se aguçando — e eu acelerei o passo pelas sombras.
Depois de dez minutos de caminhada, atravessei a linha das árvores e entrei no nosso lugar isolado de sempre: uma clareira protegida por quatro pinheiros de copas entrelaçadas ao redor de uma saliência de pedra plana.
Roxane já estava lá, estendida completamente nua sobre a rocha lisa, esperando por mim.
— Você realmente sabe provocar um homem — rosnei, minha voz ficando rouca enquanto meus olhos desciam devagar pelas curvas dela.
Um sorriso presunçoso, triunfante, se espalhou pelos lábios dela quando me viu ajustar o peso da minha calça. — Parece que você está tão ansioso quanto eu — ela ronronou, abrindo bem as coxas para exibir o quanto estava molhada e pronta. — Você pode me usar, Jared... me reivindicar, se quiser...
— Te usar, é?
Um rosnado baixo rasgou do meu peito quando avancei.
Havia um aroma provocante e doce pairando na beira da minha consciência, me deixando louco — um cheiro que eu sabia que não pertencia à Roxane. Mas a força daquele chamado alimentou meu desejo até o ponto de ebulição, me deixando desesperado para me perder no calor de um corpo disposto.
Sem pensar duas vezes, agarrei as coxas de Roxane, forçando-as a se abrirem mais, e me encaixei entre as pernas dela. O centro dela brilhava sob a luz pálida da lua. Pressionei a cabeça larga do meu pau contra a entrada, provocando-a por uma fração de segundo antes de afundar até o fundo com uma única estocada dura.
Ela arfou alto, envolvendo minha cintura com as pernas, mas, à medida que o perfume estranho e inebriante no ar ficava mais forte, o rosto de outra mulher atravessou minha mente.
A imagem lançou um choque pelo meu sangue. Meu lobo veio à tona rugindo, exigindo alívio a cada investida implacável e castigadora dentro dela. O instinto assumiu, borrando a linha entre homem e fera.
Minhas presas se alongaram, cortando meu lábio inferior, e meu pau aumentou ainda mais, esticando a carne apertada e escorregadia dela até que os gemidos desesperados de Roxane virassem gritos agudos de prazer, ecoando pela floresta silenciosa. Eu a fodi com força, de novo e de novo, completamente consumido pela urgência primal, até virá-la de bruços e tomá-la com ferocidade por trás.
Quando meu clímax finalmente veio, foi uma satisfação brutal, física — e, ainda assim, como sempre acontecia com ela, me deixou completamente oco por dentro.
Ofegando com força, me afastei do corpo molhado dela e me recostei na pedra fria, esperando minha respiração irregular se acalmar.
— Quando você fica assim, tão intenso, depois de um desafio... — Roxane arfou, passando uma unha bem-feita, preguiçosa, pelo meu peito, com um sorriso malicioso. — Eu quase torço para que te desafiem com mais frequência. Eu sempre vou estar aqui para te dar o que você precisar.
Abri os olhos, encarando-a com uma incredulidade contida.
— Você só pode estar brincando.
— Como assim? — Ela se sentou e usou os dentes para beliscar de leve a base do meu pescoço — uma tentativa nada sutil de marcar território.
— Você sabe que desafios frequentes deixam todo o território em alerta — eu disse, frio, inclinando-me para longe do toque dela. — Mantém a matilha em estado de prontidão, e isso gera conflito interno.
Roxane bufou, cruzando os braços, frustrada.
— Por que você sempre traz tudo de volta para a matilha? Eu estou falando de nós, Jared! — Ela prendeu o olhar no meu, e o tom ficou cortante. — Às vezes você precisa separar sua vida pessoal do seu trabalho.
— Trabalho? — repeti, deixando escapar uma risada sem humor. — Você realmente não faz ideia do que significa ser um Alfa, faz?
Eu me levantei, saindo bem do alcance dela.
— E isso quer dizer o quê? — ela retrucou, irritada, se atrapalhando para se cobrir um pouco.
— A matilha não é um emprego, Roxane — pelo menos não para mim — rosnei, puxando um fôlego fundo para me controlar. — É a minha vida. Sempre vai ser pessoal.
Tinha sido um erro deixar esse arranjo continuar por tanto tempo. Eu precisava acabar com aquilo agora.
Quando me virei para ir embora, a brisa mudou de novo, trazendo até mim aquele mesmo cheiro doce e inebriante. Me atingiu como uma força física, agudo e absurdamente estimulante. Meus sentidos se acenderam. Com o vento a meu favor, os sons difusos da floresta se tornaram nítidos e, por baixo do farfalhar das folhas, eu captei: passos leves e apressados de uma fêmea recuando para a escuridão.
KATHERINE
Eu tinha vagado mais fundo pelo território do que pretendia antes de perceber que não reconhecia o lugar. E então, através da vegetação fechada, eu os vi.
Roxane estava deitada completamente nua sobre a pedra, e Jared se erguia sobre ela, os olhos escuros de desejo indisfarçável.
Um suspiro agudo quase escapou de mim. O pânico apertou meu peito quando me atrapalhei para trás, me encolhendo atrás do tronco grosso de um pinheiro antigo. Prendi a respiração, levando as mãos ao coração. Segui-los foi o maior erro da minha vida.
Eu precisava voltar para a fogueira, mas o jeito mais rápido seria me transformar na minha loba — o que era impossível. No instante em que eu me transformasse, o estalo dos ossos e o som da presença da minha loba me entregariam na mesma hora.
Desesperada, fui escorregando pela casca áspera até ficar sentada nas sombras, paralisada em silêncio. Se eu ficasse completamente imóvel por alguns minutos, talvez eles terminassem, fossem embora, e ninguém jamais precisaria saber que eu estava ali.
Apertei os olhos, segurando o ar até meus pulmões arderem. Eu não queria ouvi-los. Eu não queria testemunhar aquilo. Jared estava tão excitado que o almíscar dele pesava no ar, denso e sufocante, enquanto Roxane fazia questão de deixar seus gemidos altos e ofegantes ecoarem pela clareira, provando o quanto ela gostava de estar sob ele.
Sentada ali no escuro, ouvindo o homem que eu desejava em segredo dar prazer absoluto a outra mulher, parecia uma morte lenta.
JARED
O aroma misterioso voltou a crescer no ar, destruindo completamente meu foco. Me afastei de Roxane, virando a cabeça de supetão para a linha escura das árvores, enquanto meu lobo interior arranhava meu peito para rastrear a fêmea.
Eu nunca tinha perseguido uma fêmea na vida. Nunca tinha perdido o controle das minhas emoções assim. Mas minha pele formigava, e meu lobo rosnava no fundo da minha mente, exigindo que eu a caçasse e a reivindicasse.
— Aonde você pensa que vai?
A mão de Roxane disparou de repente, agarrando meu pulso. O rosto dela estava ruborizado de frustração, claramente irritada porque eu estava indo embora logo depois de termos terminado.
Olhei para os dedos dela sobre a minha pele, sem sentir nada além de um distanciamento frio. — Você devia se vestir e voltar, Roxane.
— Por quê? — ela desafiou, se levantando e se apertando contra mim. — A lua ainda está alta... podemos ficar mais um pouco. Você costuma ser muito mais carinhoso do que isso.
— Roxane — eu avisei, deixando minha aura de Alfa se inflamar só o bastante para fazê-la recuar. — Nós nos divertimos, mas isso termina hoje à noite.
O rosto dela empalideceu. — O quê? Do que você está falando?
— Você sabe exatamente do que eu estou falando — eu disse, erguendo uma sobrancelha. — Isto... seja lá o que foi isso entre nós... acabou. Aqui e agora.
— Jared, se acalma! — Ela forçou uma risada nervosa, tentando fazer pouco caso. — A gente só está se divertindo, não é? Por que você tem que estragar tudo e mudar as coisas do nada?
— Porque eu quero — respondi, seco.
— Mas por quê? — ela exigiu, a voz subindo de irritação. — Eu não entendo essa mudança de humor repentina!
— Tem certeza de que não entende? — Dei um passo à frente, deixando minha postura dominante se impor sobre ela. — Então vou deixar bem claro: eu nunca vou marcar o seu pescoço e nunca vou colocar um anel no seu dedo. Se era isso que você estava esperando, está perdendo seu tempo.
Roxane arfou, os olhos arregalados de choque.
— Por quê não? Nós formamos uma ótima dupla, Jared!
— Talvez na cama — eu disse, direto. — Mas você não é a fêmea certa pra mim.
Ela podia ter sido uma parceira de cama conveniente, mas lhe faltavam profundidade, instinto e a compreensão do que era necessário para liderar uma alcateia. Ela não era minha alma gêmea e era totalmente inadequada para ser minha Luna.
— Como você pode ter tanta certeza? — ela rosnou entre os dentes cerrados.
Soltei um suspiro impaciente, recusando-me a dignificar aquilo com uma resposta.
— Não me diga... — Roxane zombou, com um amargor sarcástico na voz, enquanto apanhava as roupas do chão. — Não me diga que você realmente encontrou sua companheira verdadeira hoje à noite? Bem agora? Neste exato instante?
— Talvez — respondi, com honestidade. — Ainda não tenho certeza.
A mulher certa para mim estava por aí. Ela precisava ser forte, resistente e capaz de me amar sem reservas. Precisava entender que a vida dos membros da nossa alcateia sempre viria antes do nosso próprio conforto. Eu não precisava apenas de um corpo quente na minha cama; eu precisava de uma igual. Uma Luna com pureza e força — qualidades que Roxane simplesmente não tinha.
— Você não pode estar falando sério — Roxane sussurrou, boquiaberta.
— Estou.
Sem dizer mais nada, virei as costas para ela e me afastei, entrando na mata fechada.
Passei os vinte minutos seguintes seguindo o rastro que ainda persistia entre as árvores, desesperado para encontrar a fêmea cujo cheiro tinha deixado meu lobo fora de si. Mas a sorte não estava do meu lado. Quando cheguei à borda externa do território, a brisa cessou, levando o cheiro dela junto.
Ela tinha sumido. Tinha fugido — por medo ou por mera coincidência, eu não sabia.
Mas, enquanto eu ficava sozinho sob a luz da lua, ouvindo o farfalhar distante da floresta, uma coisa se tornou uma certeza absoluta: eu estava completamente fascinado, e eu a caçaria... mais cedo ou mais tarde.
