Capítulo 10
Ponto de vista de Sheryl
Arrastei meu corpo exausto de volta para a Mansão Oakridge bem na hora em que o relógio marcou cinco. A luz do verão ainda permanecia, inclinada através das enormes janelas francesas, pintando faixas douradas pela sala de estar.
Tirando os saltos, joguei minha bolsa de grife sobre a mesa do hall sem me importar. A casa estava silenciosa, exceto pelo estalar suave das chamas na lareira de mármore.
— Bem-vinda de volta, senhora Hayes. — Martha surgiu da cozinha, pano de prato na mão. — Posso lhe trazer alguma coisa?
— O Rhett está em casa? — perguntei, já sabendo a resposta. Aquele desgraçado. Enquanto o sol não se punha, você nunca o via aparecendo na porta.
— O senhor Hayes ainda não voltou. Ele não comentou se viria para o jantar. — Martha pousou o pano. — A senhora quer ligar para ele e perguntar?
Hesitei antes de assentir. Martha, sempre perceptiva, voltou para a cozinha. Peguei o celular, apertei na discagem rápida e esperei.
Depois de vários toques, a ligação atendeu — mas, em vez da voz do Rhett, captei ao fundo a risadinha afetada da Vanessa. Meu sangue ferveu na hora.
— Alô? — a voz grave do Rhett finalmente veio pela linha.
— Vejo que não está com fome, né? — cuspi entre os dentes. — Já que você está com companhia, nem se dê ao trabalho de voltar pra casa. Isso aqui não é refúgio pra filho da puta traidor!
Desliguei antes que ele pudesse responder e arremessei o celular no sofá com força suficiente para fazê-lo quicar.
— O que a senhora gostaria de jantar, madame? — Martha espiou da cozinha, pisando em ovos.
— Tanto faz. Não estou com fome. — Massageei as têmporas, sentindo uma dor de cabeça se formando.
Martha se aproximou, com uma expressão suave.
— O senhor Hayes provavelmente só se perdeu no trabalho. Ele é um pouco… indomável, mas eu vejo que ele se importa muito com a senhora.
— Se importa comigo? — soltei uma risada amarga. — Se ele se importasse mesmo, não estaria por aí fazendo farra com aquelas mulheres o dia inteiro. Sabe de uma coisa, Martha? Às vezes eu me pergunto se ele só vem pra casa pra marcar território, não porque realmente se importe comigo.
Martha pareceu querer dizer mais, mas apenas suspirou e voltou para a cozinha.
Depois de beliscar o jantar e tomar um banho demorado, desabei na cama usando minha camisola de seda. A montanha de incêndios que eu apaguei hoje na Glamour Realm tinha me deixado completamente esgotada. Virei de lado, fechei os olhos e comecei a pegar no sono.
Bem quando o sono estava prestes a me vencer, o som sutil da porta do quarto se abrindo me puxou de volta. Rhett estava na porta — terno impecavelmente ajustado, cabelo um pouco bagunçado e irritantemente bonito como sempre.
— Ah, você lembrou onde mora? — arranquei um travesseiro e joguei nele. — Da próxima vez que você estiver com o perfume de outra mulher, nem se dê ao trabalho de passar por essa porta! Isso aqui não é seu puxadinho pra desmaiar!
Rhett pegou o travesseiro com facilidade, aquele sorriso irritante brincando nos lábios. Só então percebi que uma das alças da minha camisola tinha escorregado, deixando meu ombro exposto. O olhar dele ficou preso ali, os olhos escurecendo com alguma coisa perigosa.
— Olha pra cima, seu tarado! — puxei a alça de volta e enfiei as cobertas por cima de mim.
Rhett apenas soltou um risinho enquanto afrouxava a gravata. — Vou tomar um banho.
Vinte minutos depois, a porta do banheiro se abriu, liberando uma nuvem de vapor e o cheiro fresco do sabonete líquido dele. Virei o rosto para o outro lado, fingindo dormir. O colchão afundou quando ele se deitou ao meu lado.
— Como está seu joelho? — perguntou, com a voz baixa e íntima na escuridão.
Eu o ignorei, mantendo as costas viradas.
Sem aviso, mãos fortes me viraram. De repente, eu estava encarando o rosto de Rhett, que se inclinou para examinar meu joelho.
— Sai de cima de mim! — Eu o chutei bem no estômago.
— Droga, Sheryl! — A raiva brilhou nos olhos dele. — Um pouco de gratidão não vai te matar!
— Ah, de repente você se importa? — zombei. — Não te vi tão preocupado quando estava com a Vanessa mais cedo!
— Te incomoda tanto assim com quem eu passo o tempo? Ciúme? — Ele arqueou uma sobrancelha perfeita.
— Eu não poderia me importar menos! — retruquei, teimosa. — Eu só odeio que me façam de idiota!
A expressão de Rhett ficou séria quando ele segurou meu pulso.
— Sheryl, seja lá o que eu faça fora destas paredes, você é minha esposa. Eu pertenço apenas a você.
— Que comovente — eu disse, com a voz pingando sarcasmo. — Pena que eu não compro essa sua conversa fiada.
Ele se calou, soltando meu pulso e se acomodando do lado dele da cama. O quarto ficou quieto, exceto pela nossa respiração.
Depois do que pareceu uma eternidade, fui eu quem quebrou o silêncio.
— Rhett, quando você estava na Itália... você estava mesmo sozinho?
Senti o corpo dele ficar levemente tenso.
— Não — respondeu, simples. — A Luna estava comigo.
— Quem é Luna? — perguntei na hora, com o coração acelerando contra a minha vontade.
— Uma fêmea — na voz dele havia uma ternura rara —, muito dócil.
Meu coração se apertou dolorosamente, um gosto amargo subindo pela garganta.
— A gente dormia junto toda noite — ele continuou, e a mão dele pousou de repente na minha cintura. — Ela era bem melhor do que você é.
Afastei a mão dele com um tapa.
— Então volta pra ela!
— Ciúme? — A voz dele veio tingida de diversão.
— Sim, eu estou com ciúmes! — admiti, direta. — Não porque eu me importe com você — porque eu odeio me sentir traída.
Na escuridão, ouvi ele dar uma risadinha antes de me puxar de repente contra o peito. O cheiro dele — colônia cara misturada com algo que era só dele — me envolveu.
— Luna é a minha pastora alemã, sua idiota — ele sussurrou no meu ouvido, com o hálito quente. — Ela foi a única fêmea permitida na minha cama até eu conhecer você.
Eu congelei e, em seguida, senti uma onda vergonhosa de alívio me atravessar. Não que eu fosse deixar ele saber disso.
— Então até um cachorro está acima de mim, é? — resmunguei, sem fazer menção de escapar do abraço.
— Em alguns aspectos — ele provocou. — Pelo menos ela não tenta me chutar a cada cinco minutos.
Eu considerei chutar ele de novo, mas em vez disso só suspirei, fechando os olhos. Os braços dele ao meu redor me davam uma segurança que eu nunca admitiria estar desejando.
— Rhett?
— Hum?
— Boa noite.
A resposta dele foi apertar ainda mais o abraço e depositar um beijo suave na minha testa.
Talvez Martha estivesse certa. Rhett podia ser um babaca insuportável, mas se importava comigo do jeito torto dele. Eu só não estava pronta para admitir isso para ele. Ainda não.
