Capítulo 5
Ponto de vista de Sheryl
Eu sabia que Rhett era obcecado por corrida de carro. Como tudo o mais na vida dele — caro, perigoso e completamente irresponsável. Fazia parte da imagem: o playboy que nunca cresceu, sempre cercado de bajuladores e companhia de festa.
Eu já tinha visto fotos nas redes sociais: Rhett Hayes, viciado em adrenalina, exibindo um sorriso insano enquanto agarrava o volante. Mas eu nunca tinha vivido de perto as habilidades dele ao volante.
Até hoje.
— Que diabos você está tentando provar? — Meus nós dos dedos ficaram brancos de tanto que eu apertava o cinto de segurança.
Nenhuma resposta. Só aquele leve erguer dos lábios — o sorriso perigoso que eu conhecia bem demais. O que aparecia sempre que ele estava prestes a fazer alguma imprudência, algo feito para acelerar meu coração.
O carro grudava no asfalto, o motor rugindo enquanto costurávamos o trânsito. O mundo do lado de fora borrava em faixas de cor, prédios e árvores se derretendo uns nos outros enquanto passávamos voando.
— Rhett! Diminui! — eu gritei, mas minha voz se afogou no trovão do motor. Minha mente ficou em branco, consumida pelo medo e pelo som ensurdecedor do meu próprio coração. Cada curva fechada, cada carro que ultrapassávamos, fazia meu estômago revirar.
Esse maníaco.
Quando o Oakridge Estate finalmente apareceu à distância, quase chorei de alívio. Rhett entrou na nossa entrada e desligou o motor. O silêncio repentino pareceu opressivo, quase errado. Eu continuei imóvel, os dedos tremendo, a visão desfocada, tentando processar o que tinha acabado de acontecer.
Enquanto eu lutava para controlar a respiração, uma sombra caiu sobre o meu rosto. Rhett soltou o cinto e se inclinou, a boca dele se chocando contra a minha com força suficiente para machucar. Não foi o beijo calculado de sempre — aquele que ele aperfeiçoou com anos de prática. Aquilo foi bruto, punitivo, exigente.
Meu coração acelerou de novo, e eu não sabia dizer se era o terror restante da viagem ou a reação ao ataque dele aos meus sentidos. A língua dele forçou passagem entre meus lábios, tomando minha boca como se ela fosse dele. Contra a minha própria vontade, eu o beijei de volta, igualando a intensidade. Eu odiava a arrogância dele, o controle — mas, porra, o homem sabia beijar, mesmo quando estava sendo bruto.
Então veio a dor aguda quando os dentes dele se cravaram no meu lábio inferior.
Eu o empurrei, encarando aqueles olhos escuros.
— O que você é, um cachorro raivoso?
A boca de Rhett se torceu num meio sorriso enquanto ele passava a língua pelos lábios, com toda a aparência de um predador que acabara de provar sangue.
— Só reconhece quem é igual, querida.
A resposta acendeu minha raiva, mas antes que eu revidasse, a expressão dele endureceu. Ele segurou meu rosto entre as mãos, me mantendo no lugar. Aproximou-se, a voz num sussurro perigoso:
— Menciona divórcio mais uma porra de vez, e eu vou te beijar até sua boca ficar inchada demais pra falar.
Eu congelei, atônita. Ele estava incomodado por causa do... divórcio que eu tinha ameaçado? Não por causa daquela garota que ele tanto prezava? Isso significava que ele realmente queria que esse casamento continuasse? Que ele se importava?
Enquanto meus pensamentos disparavam, ele tomou minha boca outra vez. Esse beijo foi diferente — mais profundo, mais sedutor, feito para me fazer ceder. Minha resistência desmoronou rápido demais, de um jeito constrangedor, e eu me peguei passando os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto.
— Rhett... — O nome dele escapou entre beijos, soando mais como um pedido do que como um protesto.
Os olhos dele escureceram com intenção. Antes que eu pudesse reagir, ele já estava fora do carro, abrindo a minha porta e me erguendo nos braços.
— O que você... — Eu não terminei a pergunta; ele já atravessava o jardim da frente, empurrando as pesadas portas de carvalho da nossa casa. Martha Brown, nossa governanta, apareceu por um instante no saguão e, com sabedoria, tratou de sumir.
Rhett me levou direto para a suíte principal, nossos lábios mal se separando. Ele chutou a porta para fechar atrás de nós e nós caímos na cama king-size, continuando de onde tínhamos parado.
Esse homem era insano. Ele beijava como se estivesse travando uma guerra — igual a tudo o que fazia: impiedoso, dominante, sem deixar rota de fuga. Meu peito subia e descia enquanto eu buscava ar, o rosto em brasa.
Os olhos de falcão de Rhett se prenderam aos meus, o pomo de Adão subindo e descendo quando ele engoliu em seco. O polegar dele contornou meu lábio inchado, a voz descendo para aquele tom grave que sempre me dava arrepios.
— Já teve o suficiente? Ainda quer esse divórcio?
Eu o encarei, dividida entre a raiva e a rendição. Era assim que ele sempre resolvia os problemas — com força, com controle, com a conexão física à qual ele sabia que eu não conseguia resistir. E a pior parte? Mesmo conhecendo as táticas dele, eu caía nelas todas as vezes.
— Você acha que isso resolve alguma coisa? — ofeguei, odiando o quanto minha voz soou fraca.
— Não. — Os lábios dele se curvaram naquele sorriso conhecido e perigoso que eu amava e odiava ao mesmo tempo. — Mas vai fazer você esquecer essa ideia idiota por um tempo.
Então ele abaixou a cabeça de novo, a boca traçando um caminho pela minha clavícula enquanto as mãos lidavam com os botões da camisa dele. E depois com os da minha.
E, apesar de tudo, eu deixei.
Enquanto a boca de Rhett desenhava um rastro ardente pelo meu pescoço, minha mente voltou à nossa noite de núpcias, dois anos atrás. A suíte da cobertura, as taças de champanhe abandonadas em bancadas de mármore, e o nervosismo incomum de Rhett quando ele me ergueu e me colocou na cama king-size.
— Você é minha agora — ele sussurrara, e as mãos, normalmente firmes, tremiam de leve quando deslizaram sob o meu vestido de noiva. Para um homem que sempre parecia tão imprudente e arrogante, a vulnerabilidade dele naquela noite tinha sido surpreendente.
Passamos horas descobrindo o corpo um do outro; a exploração metódica dele desmentia a fome nos seus olhos. Ao amanhecer, nós dois estávamos exaustos, cobertos de suor e completamente satisfeitos. Como eu tinha sido ingênua por achar que aquilo era o começo perfeito para o nosso casamento.
Um beliscão forte na parte interna da minha coxa me trouxe de volta ao presente.
— Estou te perdendo — rosnou Rhett, os dedos cravando possessivos na minha carne. — O que tem de tão fascinante nessa sua cabecinha?
Ergui o olhar para ele, absorvendo o luar que recortava sombras sobre o peito esculpido. O Rhett Hayes sobre mim agora era diferente do daquela noite — mais confiante no direito que achava ter sobre o meu corpo, mais exigente.
— Só imaginando — respondi, provocando de propósito.
A sobrancelha dele se arqueou.
— Imaginando o quê, exatamente?
Passei as pontas dos dedos pelo peito dele, saboreando o jeito como os músculos se retesavam sob o meu toque.
— Imaginando um homem mais devotado e mais habilidoso do que você.
O rosto dele escureceu, o maxilar travando.
— Você está tentando fazer com que eu te mate?
Percebi que tinha ido longe demais e me calei, oferecendo um sorriso torto antes de me erguer para beijá-lo. Ele respondeu com fome, a raiva se transformando em algo mais primitivo.
Ele abaixou a cabeça, a boca substituindo os dedos enquanto afastava mais minhas coxas. A língua traçou padrões deliberados, alternando entre lambidas largas e toques precisos que fizeram meus quadris se erguerem sem que eu conseguisse controlar. E justo quando o prazer começava a crescer rumo ao clímax, ele se afastou.
— Desgraçado — arquejei.
— Paciência nunca foi sua virtude — ele murmurou contra a parte interna da minha coxa, o hálito provocando minha pele sensível. O polegar dele circulou meu clitóris com uma leveza enlouquecedora, enquanto dois dedos pressionavam dentro de mim, curvando para cima até encontrar o ponto que fazia estrelas explodirem atrás das minhas pálpebras.
— Para de provocar — exigi, agarrando os ombros dele.
— Não até você admitir uma coisa. — Os movimentos dele diminuíram num ritmo torturante.
— O quê? — ofeguei.
Os dedos dele pararam completamente.
— Que ninguém mais consegue fazer você se sentir assim. Você nunca pode me deixar!
Eu o encarei, me recusando a me render tão fácil.
— É a sua insegurança falando.
Em resposta, ele pressionou o polegar diretamente contra meu clitóris, fazendo círculos firmes, enquanto os dedos retomavam o ritmo dentro de mim. A combinação foi avassaladora.
— Diz — ele ordenou, aumentando a intensidade.
Minhas costas se arquearam, o prazer se enroscando mais apertado.
— Rhett, por favor…
— Diz, Sheryl. — O polegar dele acelerou, a pressão perfeitamente calculada.
Quando o orgasmo enfim me atravessou, a confissão escapou dos meus lábios sem que eu conseguisse impedir:
— Só você… Meu Deus… só você!
Ele me penetrou enquanto eu ainda tremia, indo fundo com um gemido que pareceu arrancado da alma. Os movimentos dele eram fortes, possessivos, cada investida marcada pelas mãos dele prendendo as minhas acima da minha cabeça.
Enquanto nos movíamos juntos, vi aquele homem maldito e sem coração ser substituído por algo cru e instintivo. E quando ele finalmente se retesou sobre mim, o gozo dele disparando uma segunda onda inesperada de prazer pelo meu corpo, eu vislumbrei algo vulnerável na expressão dele.
Depois, ele me puxou para o peito, e o coração dele foi desacelerando devagar sob o meu ouvido.
