Capítulo 5 5

Alex

Estou fodido!

 — Obrigado, mano! — Ele diz e encara a Amanda que tem um sorriso amarelo no rosto. — E meus parabéns, eu sempre soube que vocês formariam um belo casal!

Soube?

Meu Deus, a Amanda vai me comer vivo!

— Obrigada, Alberto. Esse bruxinho é mesmo um amor! — Ela ralha apertando a minha bochecha, e eu seguro uma careta de dor, forçando um sorriso para o meu irmão. 

— Até amanhã, como nos velhos tempos. — Pressiono os lábios, meneando a cabeça em um sim para ele.

— Como nos velhos tempos, cara. — Ele volta o seu olhar para Amanda. 

— A mamãe vai amar essa novidade — balbucio, engolindo em seco. — Amanda e Alex, até a primeira letra dos nomes se combinam.

— Pois é, Amanda a namorada. — Ela retruca e eu suspiro. 

— Será um prazer tê-la em nossa casa nesse fim de semana, Amanda. Alex, você ia levá-la, não é? — Arqueio as sobrancelhas e a encaro novamente.

casa esse fim de semana, Alex. Mamãe vai adorar conhecê-la. — Sorrio sem graça.

— Eu… pretendia, mas… não havia falado com ela ainda. Alberto, a gente pode conversar depois?

— Claro! 

— Eu te digo.

— Ok! Até mais, Amanda!

— Até mais, cunhadinho! — O sorriso da minha amiga se enlargueceu para o meu irmão e eu solto o ar que estava preso dentro dos meus pulmões assim que ele passa pela porta. Contudo, o meu corpo retesa quando escuto a porta se fechar. 

— O que foi isso que acabou de acontecer aqui? — Amanda inquire gargalhando e se deixar cair sentada em cima do meu sofá.

— O que está fazendo aqui, Amanda? — rebato, mudando de assunto.

— Ah, não tenta me enrolar, Alex Village! — respiro alto e frustrado.

—— Aceita um café? Eu posso te explicar enquanto faço um.

— Sim, por favor! — Ela resmunga, saindo do sofá e logo os seus braços envolvem a minha cintura para irmos para a cozinha. — Café com…

— Bastante leite, eu sei! 

— Por favor! — Ela se acomoda em um banco alto do balcão e eu vou para a cafeteira.

Enquanto passo o nosso café, conto para Amanda como conheci Ângela Simões, como nos envolvemos e como tudo acabou. Também falo sobre a condição que a reencontrei e sobre o noivado do meu irmão nesse fim de semana. É claro que ela ficou perplexa e possessa ao mesmo tempo.

— Mas que filha da puta! — Minha amiga não segura um xingamento. — E você ainda gosta dela? — Olho nos seus olhos e resolvo desabafar de uma vez.

— Sim, eu ainda gosto muito dela. — Ela assente.

— E mesmo assim pretende ir a esse noivado?

— Eu não tenho escolha, Amandica! Digamos que eu fui intimado por minha mãe e meu irmão. E tem mais.

— Sério?

— Eles não fazem ideia do meu envolvimento com Ângela no passado. 

— Você acha que ela não contou para o seu irmão? Quer dizer, eles vão ficar noivos e esse é um compromisso muito sério.

— Algo me diz que ele não sabe de nada. Do contrário ele já teria conversado comigo, entende? Eu conheço o meu irmão. No mínimo ele não levaria isso adiante antes de falar comigo. Você sabe, pôr tudo em pratos limpos.

— Entendi. Mas que safada! Ela está enganando o seu irmão, Alex.

— Acho que não, Amanda, ela só não quer trazer aborrecimentos para ele.

— E você ainda a defende, sério, Alex! — Dou de ombros.

— É o que eu acho, Amandica. O café já está pronto! — aviso e sirvo uma xícara para minha amiga e outra para mim. Ela toma um gole do café fumegante e me olha interrogativa, e eu já faço ideia do que vem pela frente.

— E essa história de eu ser a sua namorada? — Solto um ar audível pela boca.

— Alberto veio me convidar para ajudá-lo a comprar um anel de compromisso para Ângela. Eu não queria ir então tinha quis dar pra ele um motivo. Aí...

— Eu apareci e você resolveu me usar como uma desculpa.

— Isso. Se eu tivesse dito que ia sair com a minha melhor amiga ele não aceitaria. Tinha que ser algo mais, entende?

— Entendo, mas você sabe que essa mentirinha criou asas, não é? — Beberico o meu café.

— Me desculpe usá-la assim sem perguntar, mas é que eu estava mesmo sem saída.

— E o que pretende fazer agora?

— Uma proposta. — Ela une as sobrancelhas.  

— Você quer dizer. Uma proposta pra mim? — Meneio a cabeça fazendo sim.

— Eu estava mesmo a procura de uma pessoa que fingisse ser a minha namorada por três dias. Amanda, eu juro que pensei em muita gente, mas não confio em ninguém como eu confio em você.

— Está me pedindo para ir à casa dos seus pais passar o final de semana fingindo ser sua namorada, enquanto o seu irmão oficializa o noivado com a sua ex? — Ela parece indignada.

— Droga, olha esquece o que eu disse! Faz de conta que nunca falei… 

— Eu topo! — Arregalo os olhos.

Oi?!

— O que você disse?

 Será que eu ouvi direito?

— Eu disse que topo!

— Você topa?! — pergunto completamente surpreso.

— Eu topo! — Ela repete e sorrio a abraço no mesmo instante.

— Você não tem ideia do quanto está me ajudando, flor-do-campo.

— Ah, mas você sabe que isso não vai sair de graça, não é? — Me afasto com um sorriso escancarado de canto a canto do meu rosto.

— Eu tenho certeza que não. Então me fala, o que você vai querer em troca?

— Hum, eu vou pensar em algo daqui pra lá. — A garota travessa pisca um olho para mim. Entretanto, os meus olhos param em cima de um detalhe que eu não havia prestado a atenção.

— Você pintou os cabelos! — Observo.

— Você gostou? — Ela afaga as madeixas sorrindo.

— Eu gostava mais da loira fatal, mas confesso que ficou muito bom! É, eu gostei da sua versão morena, realçou mais os seus olhos.

— Obrigada, Senhor galante! — Ela ralha, fazendo graça, porém, eu aponto para o seu feito.

— A sua mãe já viu? — Em resposta Amanda evira os olhos.

— Ainda não, mas ela vai ver.

— Nesse caso, boa sorte para você!

— Ah, qual é, Alex, eu já tenho vinte e cinco anos, sabia? Eu já sou bem crescidinha para saber o que eu quero para mim. — Levanto minhas mãos em sinal de paz.

— Não está mais aqui quem falou, Senhora crescidinha de vinte e cinco anos — ralho com humor. Entretanto, ela limpa a garganta e me olha com expectativas.

— Vim te buscar para almoçar comigo. — Eu aponto meus indicadores ao meu peitoral.

— Eu? O que ouve com a inseparável Mel?

— Está de casinho com Ulisses. — 

Como? 

O que há de errado com esse mundo? Penso sarcástico.

— Como assim, ela e o Ulisses estão de casinho?

— Pois é, acordei essa manhã com os dois tomando café da manhã no nosso apartamento e o Ulisse disse com todas as letras que estão namorando. E o pior é que ela gostou e até confirmou. Depois, a garota praticamente começou a engolir o homem com um único beijo e bem na minha frente. 

— As coisas mudaram — resmungo, erguendo a minha xícara em um brinde mudo. — Mais café?

— Por favor!

Me afasto do balcão para servir a segunda rodada, porém, a minha cabeça está girando e girando. Estou me perguntando como será esse final de semana fingindo namorar a minha melhor amiga e isso diante da perspicaz Senhora Clara Village e do meu irmão, que com certeza apostará alto nesse relacionamento de mentira.

Que Deus nos ajude!

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