Capítulo 2 A MARCA

“O que quer dizer com ‘eu sou o seu companheiro’? Isso é impossível. Eu tenho namorado”, engasguei.

“Você acha que a Deusa da Lua se importa com isso?” Os olhos dele finalmente encontraram os meus.

Apertei a pasta na mão.

Chase era o único que eu queria. Ninguém mais. Como eu podia ser destinada a ele?

“Eu não quero ser sua companheira”, falei depressa.

Como algo tão infeliz podia ter acontecido só por causa de um aperto de mão?

Ele ajeitou o casaco. “Eu também não quero ser destinado a você. Eu não vim aqui pra olhar meninas.”

“Então rompa o vínculo.”

“Sim, claro.” Ele se ajeitou antes de começar a falar. “Eu, Dante Rodriguez, filho de Francisco Rodriguez...”

Francisco Rodriguez?

Aquele nome soava ainda mais familiar. Eu tinha certeza de que já tinha ouvido em algum lugar.

“...por meio deste, revogo meu vínculo de companheiro com Sophie”, disse ele, com uma expressão dura no rosto.

Esperei, mas nada aconteceu. Eu nem tinha certeza se era para acontecer alguma coisa. Eu nunca tinha precisado revogar um vínculo antes.

“Funcionou?”

Ele não respondeu. Em vez disso, começou a se aproximar de mim. Eu cambaleei para trás até minhas costas baterem na parede atrás de mim. “O que você está fazendo?”, perguntei.

“Espera um segundo”, ele disse, e segurou as duas laterais da minha jaqueta. Afastando-a, começou a desabotoar minha camisa.

Soltei a pasta num reflexo, e ela caiu no chão. Enrosquei meus braços nos dele, e ele parou, os olhos disparando para encontrar os meus.

Meu coração disparou. Ele era um pervertido?

“Você quer que o vínculo seja rompido?”, ele perguntou.

Assenti rapidamente. “Sim... mas...”

Ele não hesitou, nem me deixou terminar. Continuou a desabotoar e parou de repente na altura do meu peito. Os olhos dele se tingiram de vermelho ao ver o canto esquerdo do meu peito. Ele cerrou os dentes ao murmurar as palavras...

“Eu sabia.”

Sabia o quê?

Segui o olhar dele até meu peito e levei a mão à boca na mesma hora. No meu peito havia uma marca. Parecia uma tatuagem. Era redonda, e no meio havia o desenho de um leão com uma coroa na cabeça.

“E-eu... é a primeira vez que eu estou vendo isso”, gaguejei. “Eu não tenho tatuagem...” Olhei para ele com as mãos tremendo.

Ele se afastou de mim e se virou, andando de um lado para o outro por alguns segundos, até voltar a me encarar. “Esse é o brasão da minha família. Quando nossos homens encontram suas companheiras destinadas, ele aparece nelas. Eu tenho um igual no meu peito. Nós nascemos com ele.”

Fechei rapidamente a camisa. “Como a gente tira isso?”

Os olhos dele caíram para o chão e ele coçou a cabeça. De repente, ergueu as sobrancelhas, como se uma ideia o atingisse. “Já sei. Tem uma velha amiga da minha família, uma bruxa aqui em New Orleans. Ela sabe de tudo. Ela pode ajudar.”

Assenti.

“Fica depois da escola. Eu levo a gente até lá. Tudo bem?”, ele perguntou.

Assenti de novo. “Sim, claro.” Ajustei a jaqueta e apanhei devagar o envelope do chão.

“Você... você ainda quer que eu te mostre a escola?”, perguntei.

Ele revirou os olhos. “Quero. Por que não?”

Fiquei à frente dele enquanto mostrava a escola, minha voz tremendo enquanto eu falava. Havia algo na presença dele que me fazia tremer.

Eu ainda não conseguia entender.

Era mesmo possível um mestiço ter um companheiro destinado?

“Aqui”, eu disse, parando diante de uma sala. “A gente tem química agora.”

Sem dizer nada, ele passou por mim e entrou na sala.

O lugar ficou silencioso na mesma hora.

Entrei atrás dele. O professor de química, um homem, congelou ao nos ver. “Sr... Sr. Rodriguez?”, ele gaguejou.

Ergui as sobrancelhas. Eu nunca tinha ouvido ele gaguejar um único dia na vida.

Ele era muito rígido.

“Meu Deus, quem é aquele?”, Brianna perguntou, incrédula. Olhei para ela sentada ao lado de Chase. Ela enrolava o cabelo castanho nos dedos, os olhos examinando Dante.

“Ele é tão lindo”, Kate, outra garota, levou a mão à boca.

“Turma, o Sr. Rodriguez vai estar na sala de vocês de agora em diante. Tratem-no com gentileza e respeito”, disse o Sr. Salvatore, o professor de química.

“Oi, Salvatore”, as meninas riram, em coro. Era óbvio que já estavam caindo por ele.

Que patético.

Ele inclinou a cabeça para o professor e se virou para entrar mais na sala, em direção a um lugar vazio.

Eu o segui de perto, mas, enquanto andava, de repente tropecei em algo duro. Caí para a frente e meu corpo bateu com força no chão.

Os alunos todos explodiram numa gargalhada alta.

Eu me levantei depressa e me limpei com as mãos.

Dante se virou para me encarar e então seus olhos percorreram a sala. Parecia ter algo a dizer, mas engoliu as palavras e foi se sentar.

— Foi mal — disse Kate em tom de deboche. — Da próxima vez, presta atenção por onde anda. — Ela jogou o cabelo para trás da orelha e deu uma risadinha.

Quando fui me sentar, meus olhos encontraram os de Chase. Ele desviou o olhar na mesma hora, fingindo que não tinha me visto.

Sentei-me numa cadeira à frente da de Dante e coloquei a pasta sobre a mesa.

— Dante — disse Brianna, virando-se para encará-lo —, sua namorada acabou de cair de cara no chão e você não falou nada. Por quê? Vocês terminaram? — O tom dela era animado.

— Não — ele respondeu em voz baixa, quase como se desejasse que a resposta fosse sim.

Mas eu já estava acostumada.

Ele nunca demonstrava se importar quando não estávamos sozinhos. Eu sempre presumi que ele não era do tipo que demonstrava carinho em público.

Depois que as aulas acabaram, fiquei na sala e fiz a lição de casa de Chase e a minha. Terminei cinquenta e cinco minutos depois e corri imediatamente para a pista de hóquei da escola.

Os garotos deslizavam no gelo enquanto treinavam. Não parecia uma seletiva. Aqueles já eram todos os membros do time de hóquei.

Olhei para o lado e vi o treinador com um bloco de notas na mão. Fui rapidamente até ele, ofegante, deixando a mochila de Chase sobre um banco, enquanto a minha ainda estava pendurada no ombro.

— Treinador McCall?

Ele olhou para mim. Alguns fios brancos escapavam do boné. — Sim? — Sua voz era rouca.

— Achei que as seletivas iam acontecer.

Ele assentiu. — Sim. Na verdade, já aconteceram. Eu já escolhi um integrante.

Fiquei paralisada. — Tão rápido assim? — Olhei para a pista de hóquei, tentando descobrir quem ele havia escolhido.

— Este é o último ano da faculdade, senhorita Weathers. É urgente. Um time completo é necessário o mais rápido possível. — Ele deu um passo à frente, levando o apito pendurado no pescoço até os lábios.

Imediatamente, ele apitou. Os garotos pararam de jogar e começaram a sair do gelo deslizando.

— Estejam aqui às quatro da tarde amanhã para o treino oficial, pessoal! — gritou o treinador ao sair pela porta grande.

Os garotos todos tiraram os capacetes e os jogaram no chão.

Na mesma hora reconheci Dante. Ele tinha entrado?

Sortudo.

Os olhos de Dante demoraram em mim. Estava óbvio que ele não esperava me ver ali, e então desviou o olhar.

Chase tirou o equipamento e o colocou ao lado do dos outros rapazes. — Você fez minha lição? — perguntou.

Assenti com um sorriso no rosto. Ele retribuiu com um aceno e passou por mim para pegar a mochila nos bancos.

Rapidamente me abaixei para pegar uma bolsa no chão. Era a que eu usava todos os dias para carregar as coisas dos garotos até o banheiro. Enquanto eu colocava os capacetes dentro dela, a voz de Dante chamou minha atenção.

— O que você está fazendo?

Virei-me para encará-lo, observando a expressão curiosa em seu rosto.

— Ela ajuda os membros do time de hóquei a arrumar tudo todos os dias — respondeu outro integrante.

Dante nem sequer olhou para ele. Seus olhos estavam fixos em mim. — Por quê?

— Ela está ajudando o namorado dela — respondeu Chase ao se aproximar de nós.

Dante soltou uma risada de desprezo. — Ela está namorando o time inteiro de hóquei? — perguntou, olhando ao redor, incrédulo. — Por que ela tem que ajudar todo mundo?

— Relaxa, cara. Só aproveita — Chase bateu no ombro dele e começou a sair.

— E você simplesmente vai deixá-la aqui? — perguntou Dante.

Chase se virou, desta vez com raiva. — Qual é o seu problema, garoto novo?

— Tudo bem. Eu consigo dar conta — dei um passo à frente.

Dante olhou para mim. — Larga esses capacetes. Todos eles deveriam limpá-los sozinhos.

Chase soltou um som irritado e jogou a mochila no chão. Marchou até Dante, fechou os punhos e acertou um soco no rosto dele.

Arfei. Os outros garotos do time também. Os lábios de Dante estavam sangrando.

Corri rapidamente até Chase e segurei sua mão. — Para! — gritei.

Chase me empurrou para o lado e eu caí com força no chão. — Ai! — gritei de dor.

Os olhos de Dante ficaram vermelhos. Ele agarrou Chase e uma briga violenta começou.

Os garotos gritavam, torcendo por Chase. Levantei-me do chão, observando tudo de boca aberta.

Chase rasgou a camisa de hóquei de Dante e congelou no mesmo instante.

Os dois ofegavam pesadamente, e eu ouvi os garotos murmurarem.

Por que... por que eles pararam de repente?

Chase se afastou cambaleando do corpo de Dante. — E-essa... essa marca no seu peito — gaguejou, arregalando os olhos.

Ele reconheceu a marca?

O que aquilo significava?

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