Capítulo 3 O BEIJO
Ponto de vista de Dante
“Meu Deus, é ele?”, os garotos murmuraram ao perceberem quem eu era.
Eu estava ofegante.
Eu queria esconder quem eu era nessa nova escola.
Era assim em todo lugar aonde eu ia.
Assim que descobriam minha identidade, passavam a me tratar de forma diferente. Mas quem poderia culpá-los? Só podiam agir daquele jeito quando o filho de um Rei Alfa todo-poderoso, conquistador de outras sete alcateias, estava diante deles.
Nossa história estava registrada nos livros de história.
Mesmo quando as pessoas não conheciam nossos rostos, nosso nome... Rodriguez... lhes soava familiar. Éramos os únicos que tinham conseguido unir sete alcateias diferentes em uma só.
“Você... você é um Rodriguez?”, Chase, o capitão do time de hóquei, disse.
Eu não respondi. Meus olhos foram até ela... Sophie.
Eu não consegui evitar. Vê-la sendo usada e machucada despertou algo dentro de mim: raiva, medo, rancor... tudo ao mesmo tempo.
Fechei os punhos e tentei controlar a respiração. Ela me encarou com uma expressão confusa no rosto. Eu podia dizer que ela tinha descoberto quem eu era.
Chase ajeitou a camisa do uniforme. “E daí?”, ele cuspiu. “Você é um Rodriguez. Isso significa que pode me dizer como tratar minha namorada?”
Ela foi rapidamente até ele, seus passos leves no chão, e passou os braços em volta dele. “Tudo bem, Chase. Deixa pra lá.”
Ele a empurrou para longe, revirando os olhos enquanto falava. “Não estou com vontade de olhar para você agora. Limpe isso e vá para casa sem mim.” Ele cuspiu no chão e saiu marchando dali.
Os garotos correram atrás dele.
Ela o observou ir embora e então abaixou a cabeça. Enxugando os olhos com as costas da mão, foi pegar os capacetes.
“Você ainda está fazendo isso?”, perguntei entre os dentes.
“Por que você se importa?”, ela fungou.
Eu a encarei, confuso. Por que eu me importava com as lágrimas dela?
Dei um passo à frente.
“Pare”, ela me interrompeu.
Eu obedeci.
“Eu vou avisar quando terminar, e então podemos ver sua velha bruxa para revogar nosso vínculo.” Meu coração se partiu quando ela olhou para mim com os olhos vermelhos. “Quero que isso acabe o mais rápido possível.” A voz dela falhou.
Eu a observei em silêncio enquanto ela começava a recolher os tacos de hóquei também. Ela parou para prender o cabelo loiro em um coque alto e depois continuou.
Ela estava certa. Eu tinha me envolvido demais na vida pessoal dela. Não deveria me importar. Ela não era problema meu.
“Vou esperar lá fora, no meu carro. É o Cadillac preto”, falei em um tom frio e saí dali rapidamente.
Esperei no carro por trinta minutos, com a cabeça apoiada no volante, antes que ela finalmente saísse do prédio da escola. Ela não disse uma palavra. Entrou no banco de trás e afivelou o cinto de segurança.
Eu imediatamente acelerei pela estrada, meus dedos apertando o volante com força. Enquanto passava pelos carros em alta velocidade, meus olhos pousaram na tela do celular dela. Ela estava navegando na internet. Olhei com atenção e vi que tinha pesquisado o nome da minha família.
Qualquer garota se sentiria honrada por ser minha companheira. Fiquei surpreso ao ver a expressão de desagrado no rosto dela.
Logo chegamos à casa da tia Maggie.
Era uma grande mansão com um enorme jardim ao lado, a maior parte dele cheio de ervas. Nós dois saímos do carro, nossos pés produzindo sons suaves no chão enquanto caminhávamos até a porta principal.
Bert, o mordomo da casa, abaixou a cabeça ao nos ver. “Mestre Dante”, ele cumprimentou.
“Oi, Bert. Viemos ver Maggie”, expliquei.
Ele saiu do caminho para nos deixar entrar. Sophie entrelaçou as mãos à frente do corpo enquanto entrava devagar atrás de mim. Ela parecia se assustar com facilidade.
Um suspiro alto vindo do outro lado da casa chamou minha atenção. Virei a cabeça para o lado, e um sorriso se curvou em meus lábios ao ver a tia Maggie. Ela estava vestida com um longo vestido preto até o chão, e sua pele pálida parecia ainda mais radiante por causa disso.
“Você está em Nova Orleans?”, ela disse, correndo na minha direção para me abraçar.
“Sim, tia Maggie.” Aceitei o abraço.
“Você cresceu tanto”, ela segurou meus braços enquanto me olhava, admirada. “O que você tem agora? Dezessete?”
Balancei a cabeça. “Dezoito.”
Os lábios dela formaram um círculo. “Nosso herdeiro agora é um homem feito.” Os olhos dela caíram sobre Sophie e depois voltaram para mim. “Alguém arranjou uma namorada.”
Antes que eu pudesse corrigi-la, Sophie falou imediatamente. “Nós não estamos... namorando.” O tom dela estava defensivo.
“Ah, então por que vocês estão aqui?”
“Nós somos companheiros”, eu disse.
Os olhos dela se arregalaram enquanto ela sorria.
“Queremos revogar o vínculo”, acrescentei.
O sorriso dela morreu. “Bem, vocês não querem conhecê-la primeiro?”
“Não”, Sophie falou depressa. “Eu tenho namorado.”
Maggie olhou para mim e assentiu. “Claro. Venham comigo”, disse ela, conduzindo-nos por um corredor e para dentro de uma sala.
“Pessoas que têm sangue real acham mais difícil romper um vínculo”, ela disse de repente, antes de se sentar atrás de uma escrivaninha. Sobre a mesa havia líquidos coloridos... poções.
Sophie e eu trocamos olhares.
“Para os outros, basta declarar que não querem e pronto, acabou. Mas, no seu caso, quando você se vincula, ela recebe uma marca. É difícil apagar só com algumas palavras.” Ela gesticulou para duas cadeiras à sua frente, e nós dois nos sentamos.
“Existe uma solução?”, Sophie perguntou, com urgência na voz.
“Bem...” Maggie estalou a língua e puxou a gaveta. Tirou um frasquinho com um líquido vermelho. “Isto aqui carrega o poder de sete luas vermelhas, quando a magia é mais forte. Você precisa beber e revogar o vínculo nos primeiros minutos.” Ela colocou o frasco na mesa e eu o peguei.
“Depois disso, vocês precisam selar com um beijo.”
Minha cabeça se ergueu num impulso. “Beijo?”, perguntamos ao mesmo tempo.
Ela assentiu. “É assim que o feitiço funciona.” Ela se levantou enquanto falava.
Sophie afundou na cadeira. Eu via que ela não tinha gostado do que Maggie dissera.
“Não existe outro jeito de fazer isso?”, perguntei.
Ela balançou a cabeça. “Não. Depois do beijo, vocês precisam esperar um ano para o vínculo se romper e a marca ser removida completamente.”
“Um ano inteiro?” A voz de Sophie estava carregada de desconforto.
Maggie assentiu. “Mas não se preocupem, vocês podem seguir com as suas vidas sem ter que se preocupar com o vínculo.”
Sophie suspirou. “Ok”, disse num tom calmo.
“Vou dar privacidade a vocês dois”, Maggie disse, e saiu da sala.
Assim que Maggie pôs o pé para fora, eu apertei o frasco com força e me levantei devagar. “Pronta?”
Ela se levantou e se virou para me encarar. “Eu não tenho escolha agora, tenho? Anda logo.”
Abri o frasco e tomei um gole. O líquido tinha gosto de cinzas. “Eu, Dante Rodriguez, revogo por meio desta o meu vínculo de companheirismo com Sophie”, eu disse.
Ela apertou os lábios e segurou a saia com força. Caminhei devagar em direção a ela. Eu conseguia ouvir o coração dela batendo forte no peito.
Toquei o queixo dela e o ergui. Quando nossos olhos se encontraram, ela soltou um suspiro trêmulo. As mãos tremendo largaram a saia e foram parar na escrivaninha ao lado dela.
“Você está com medo?”, perguntei em voz baixa.
Ela balançou a cabeça. “Não.” Engoliu em seco. “É que...” A respiração dela estava quente contra o meu rosto.
Meus olhos foram para os lábios dela. Eram macios e rosados. Ela não parava de mordê-los. “É que o quê?”
“Eu não sei beijar”, ela disse, com as bochechas coradas de vermelho.
Ergui uma sobrancelha. “Mas você tem namorado.”
Ela pressionou os lábios até virarem uma linha reta. Os olhos verdes dela estavam fixos nos meus.
Tão perto dela, eu percebi como era bonita. Como ele nunca tinha beijado ela?
“Feche os olhos”, eu disse, calmo. “Vai acabar logo.”
Ela obedeceu.
Aproximei meus lábios dos dela. O cheiro dela era cativante. Inspirei longamente, meus dedos acariciando as bochechas dela, antes de pressionar minha boca na dela.
Ela se afastou na mesma hora. “Isso já basta, né?”, perguntou.
Eu apertei o frasco na mão. Eu não conseguia evitar. Eu queria mais. Segurei o queixo dela com uma mão. “Não basta”, rosnei, e colei meus lábios nos dela de novo.
Dessa vez eu não parei tão rápido. O beijo se aprofundou enquanto eu a puxava contra a parede fria atrás dela.
Ela tentou me beijar de volta. Eu teria rido... ela não fazia ideia de como beijar... mas o meu desejo por ela venceu o humor, e eu a beijei ainda mais fundo.
Depois de alguns minutos, ela pressionou a mão contra o meu peito e me empurrou para longe.
“Chega”, ela disse.
Eu ofeguei e limpei a boca com o dorso da mão.
Cerrei os punhos quando percebi.
Eu tinha me apaixonado por ela.
