Capítulo 5 UMA FESTA?!

PONTO DE VISTA DE SLOANE

Ela entrou na sala de artes andando à minha frente e então se virou tão de repente que eu quase recuei de susto. Ela me encarou com olhos afiados, cheios de algo que parecia preocupação e pena.

Dei um passo na direção dela, mas ela não se mexeu de imediato. Em vez disso, seus olhos encontraram os meus de um jeito que fez minha pele arrepiar; não de medo, mas com a sensação de que ela estava me avaliando, medindo alguma coisa que eu não conseguia enxergar.

Quando finalmente voltou a falar, sua voz desceu para um tom baixo, só para mim. Isso me fez sentir como se alguém estivesse ouvindo nossa conversa de algum outro canto da escola. Ela se inclinou quando se aproximou mais de mim, tão perto que deu para sentir o cheiro do perfume de morango dela.

— Senhorita Bishop… nesta escola, nem toda coroa é feita de ouro. Algumas são forjadas em ferro. E ferro… corta mais fundo. Tome cuidado, porque se você continuar brincando com a coroa, vai ser cortada fora dela antes mesmo de perceber.

Antes que eu pudesse perguntar o que ela queria dizer com aquilo, ela girou nos calcanhares e saiu pelo corredor, a seda preta esvoaçando atrás dela como uma sombra que não pertencia a ela.

Fiquei ali parada, o pulso ainda descompassado por causa do beijo do Lucien, mas agora com uma coisa mais fria, mais afiada, pressionando o fundo da minha mente enquanto eu tentava entender as palavras dela.

Mas por mais que eu tentasse, aquilo não fazia sentido pra mim.

Dei de ombros, saí da sala de esportes e fui em direção ao vestiário. Lucien tinha dito que ia me esperar.

Lá estava ele, parecendo um maldito deus dentro daquela escola. Eu não me surpreenderia se tivesse gente o adorando em horários aleatórios na mansão da família dele.

Quase sem perceber, olhei para o brasão dos Ravenscroft na parede ao lado, e de repente um arrepio subiu pela minha espinha quando as palavras da senhorita Vale ecoaram na minha cabeça.

“Ferro corta mais fundo.”

O brasão era de ferro, e era a marca registrada da família Ravenscroft.

Será que ela estava se referindo ao Lucien?

Caminhei na direção dele, me esforçando ao máximo para não mostrar o quanto eu estava nervosa por dentro. Como se percebesse a minha presença, ele levantou os olhos quando me aproximei, desviando a atenção do celular.

Os olhos azuis e gelados dele subiram pelas minhas pernas, que ficavam à mostra por causa da saia do uniforme dos Ravenscroft. Uma peça que era curta demais pra mim, mas cujo preço provavelmente salvaria um país em desenvolvimento da fome por um ano, então resolvi aceitar, já que esse era o nosso ano de formatura.

Um arrepio percorreu minhas costas enquanto eu lutava contra a vontade de esconder as pernas do olhar dele. Depois de um tempo, ele finalmente ergueu os olhos para o meu rosto. Havia neles um brilho que eu nunca tinha visto antes.

Algo primitivo, algo… faminto.

— Oi — sussurrei, engolindo em seco por dentro enquanto me aproximava, mas mantendo uma distância entre nós. Tinha gente olhando, e eu não queria parecer desesperada por ele.

Afinal, isso tudo não era pra ser de mentira?

Lucien se recostou com tranquilidade no armário ao lado do meu, todo relaxado, confiante, com um sorriso de lobo no rosto bonito.

— Vai rolar uma festa… mais pra um rave, mas vamos fingir que somos civilizados na frente da novata — ele disse, sem perder o sorriso de lobo. — Harrow Estate, hoje, às oito.

Revirei os olhos enquanto fechava o zíper da minha mochila. Me recusei a olhar pra ele, porque sabia que ia começar a corar. A lembrança do jeito que ele tinha me olhado ainda estava fresca na minha cabeça. Olhar pra ele ia me transformar num tomate.

— Não é a minha praia.

Eu preferia ficar agarrada na minha gatinha tigrada na cama, de pijama bem confortável, vendo novela.

Ele riu, baixo e afiado.

— Sunshine, tudo é a sua praia quando você tá comigo.

Olhei pra ele de relance então, semicerrando os olhos.

— Para de me chamar assim! E eu não sou seu acessório — sibilei.

Ele deu um meio sorriso e se inclinou mais perto de mim, fechando o pequeno espaço que eu tinha feito de propósito.

— Estão olhando pra gente, sunshine — ele disse, num tom preguiçoso.

Olhei em volta, e ele tinha razão. Os alunos nos cercavam como lobos, prontos pra me devorar na menor oportunidade.

— Não, você não é meu acessório — ele disse, a voz ficando mais grave, os olhos presos nos meus como se conseguissem enxergar cada desculpa se formando na minha cabeça e esmagar todas antes de nascerem. — Você é minha namorada. A de verdade, pelo menos pro resto do mundo. E a minha namorada vai aonde eu vou.

— Isso não é de verdade.

— Metade dessa escola também não é — ele retrucou, se afastando do armário. — Mas a gente vai mesmo assim. Veste alguma coisa que faça eles engasgarem de inveja.

E então ele saiu andando, sem me deixar espaço pra nenhuma objeção.

Mais tarde naquele dia, encarei o meu guarda-roupa procurando alguma coisa que fosse adequada. Não achei nada.

“O Matt teria ajudado.” Minha consciência sussurrou, e eu imediatamente sacudi aquela voz pra longe.

Uma tristeza começou a subir pela minha garganta quando a lembrança de mim e do Matt mexendo nas minhas roupas veio à tona. A traição dele voltou a queimar, ardendo com a força da picada de um escorpião.

Isso me deixou furiosa, vingativa, enquanto eu olhava pro meu guarda-roupa com uma determinação renovada.

Eu vou acabar com esse filho da puta.

Peguei o celular e entrei no Instagram. Digitei rápido o nome do Lucien e, segundos depois, o perfil verificado dele apareceu, mas eu sabia de uma coisa que o resto do mundo não sabia.

Aquele perfil era fachada, uma farsa pro mundo acreditar na imagem de bom moço que o pai dele tinha criado.

Digitei rápido um @ que eu tinha ouvido a Roxanne e as amigas dela elogiando no banheiro no ano passado e, na hora, o perfil apareceu, com só três seguidores.

— Ei, você acha que esse vestido tá bom? — perguntei, e imediatamente surgiram três pontinhos, mostrando que ele estava digitando.

“Nem fodendo.”

“Como você sabe até onde eu tô?”

“Você usou sua conta de verdade, sunshine.”

“Como você descobriu? Eu não tenho foto nenhuma minha, e não tem nada sobre mim nesse perfil.” Digitei de volta e esperei a resposta.

Nada; nenhum pontinho, nada.

Será que ele saiu do ar? perguntei a mim mesma.

Não teve nada pelos cinco minutos seguintes, até que os pontinhos voltaram a aparecer.

“Não existe nada sobre você que eu não saiba”, ele respondeu.

A resposta fez eu apertar os lábios enquanto encarava o celular com uma expressão confusa.

O que isso quer dizer?, perguntei pra mim mesma, começando a digitar isso pra ele.

Mas antes que eu pudesse perguntar, outra mensagem chegou:

“Vamos fazer compras. Desce em dez minutos.”*

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