Capítulo 6 É MUITO CURTO.

PONTO DE VISTA DE SLOANE

Vesti rápido um suéter e uma calça antes de sair correndo de casa. Depois daquela mensagem, caiu a ficha: o Lucien nunca poderia dirigir até essa parte do bairro. Alguém ia reparar no carro caríssimo dele, que não tinha nada que estar por aqui, e ia ser questão de tempo até meu pai ficar sabendo.

Mandei uma mensagem rápida dizendo onde eu ia estar.

“Me encontra no mesmo lugar onde você me buscou da última vez.”

Alguns minutos depois, o Aston Martin preto do Lucien estava parado na calçada, claramente deslocado na minha vizinhança, enquanto ele encostava do meu lado como se estivesse num trono. O motor caro do carro ronronava de onde estava estacionado, e eu entrei rápido para evitar ainda mais cabeças se virando ao ver um carro daquele no meio de um bairro de classe média.

Todo mundo na rua virou pra olhar, mas ele não pareceu nem um pouco incomodado. Sentado atrás do volante como se o mundo fosse a sala de espera dele, ele batucava os dedos no couro do volante com uma impaciência preguiçosa.

“Você tá atrasada”, ele disse quando fechei a porta, me lançando um olhar displicente.

“Você falou há dez minutos, literalmente há dez minutos”, retruquei, recostando no banco enquanto puxava o cinto de segurança. Eu tinha aprendido a lição da última vez: o Lucien dirige como um morcego saído direto do inferno.

Ele deu um meio sorriso, como se eu acabasse de provar o ponto dele. “Ótimo. Você tá aprendendo a não me deixar esperando.”

A gente dirigiu em silêncio por um tempo, o ronronar baixo do carro fazendo meu estômago dar um friozinho. A presença dele era tipo um campo de gravidade; mesmo olhando pela janela, eu sentia os olhos dele me analisando.

Eu tinha reparado nisso desde que a gente começou com… isso. Ele encarava muito. Principalmente a mim.

“Por que esse rolê de compras do nada?” perguntei enfim, voltando a encará-lo, com uma expressão de quem queria explicação.

Ele tirou os olhos da estrada por um segundo para me olhar antes de responder:

“Porque, se você aparecer na Harrow Estate parecendo que saqueou um brechó, vai pegar mal pra mim.”

Fechei a cara. “Desculpa por não ter um guarda-roupa cheio de alta-costura.”

Ele me lançou um olhar de lado. “Vai ter depois de hoje à noite.”

O que caralho isso quer dizer? Minha mente gritou, mas eu mordi a língua e voltei a olhar pela janela.

Alguns minutos depois, ele parou em frente ao maior shopping de Westridge. Olhei pra ele como se ele fosse louco.

Provavelmente era. Louco de rico.

“Você quer que eu compre alguma coisa aqui?” perguntei, e ele só sorriu e saiu do carro.

Fiquei olhando enquanto ele dava a volta, abria minha porta e ordenava:

“Desce. A gente precisa escolher algo que deixe a Roxanne comendo cimento pelo resto da noite e o Matt com cara de lagarto de pântano.” Ele falou, e a imagem da Roxanne e do Matt de queixo caído me arrancou do banco do carro; saí e entrei na boutique com ele ao meu lado.

A boutique era o tipo de lugar que nem se dava ao trabalho de colocar etiqueta de preço; se você tinha que perguntar, é porque não podia pagar. As araras eram cheias de roupas sem preço; pra mim, tudo ali cheirava a assalto financeiro.

Eu tinha certeza de que a maioria das peças ali dentro pagaria a hipoteca da minha casa umas dez vezes. Segurando a vontade de ficar olhando tudo boquiaberta, ergui o queixo, olhei pra frente e caminhei com o Lucien ao meu lado.

Ele parecia em casa. Com as mãos nos bolsos, como se aquele ambiente pertencesse a ele, foi andando na frente, em direção a uma parte da boutique sinalizada com:

RESERVADO PARA R.

Lá dentro, o ar cheirava a champanhe e dinheiro. Em menos de um segundo, uma vendedora em um salto vermelho que custava mais do que o meu aluguel deslizou até nós, toda sorrisos falsos quando lançou um olhar pra mim; em seguida, olhou direto para o Lucien com um sorriso ainda maior e um leve destaque dos seios.

“Sr. Ravenscroft”, ela suspirou, olhando pra ele como se ele tivesse o segredo do sucesso nas palavras, como se tivesse acabado de sair de um editorial de revista. Com uma expressão radiante no rosto, ela se curvou tanto que parecia que ia beijar o chão. “Em que podemos ajudar o senhor hoje?”

Ele inclinou a cabeça na minha direção. “É ela que vocês vão vestir. Quero que ela fique… inesquecível.”

Eu me eriçei, encarando ele. “Eu posso escolher meu próprio—”

“Experimenta esse”, ele me cortou, jogando um vestido slip vermelho‑escuro na minha direção. “E o salto.”

Eu quis discutir, mas do jeito que ele falou não deixou espaço pra discussão.

E talvez, só talvez, por algum motivo maluco, talvez uma leve esperança de ver se ele ia olhar pra mim do mesmo jeito que olhou ontem na escola, eu queria ver a expressão no rosto dele quando eu saísse dali.

Eu vesti o vestido justíssimo e curto que ele tinha me dado, lutando alguns minutos até conseguir puxar tudo pra cima. Era todo aberto nas costas e muito bonito, abraçava meu corpo como uma luva.

Mas, por algum motivo, eu não me sentia confortável nele. Provavelmente porque, pela primeira vez na vida, minhas curvas iam ficar à mostra na frente de outras pessoas, e eu não teria onde me esconder, sem nenhum dos meus moletons pra me camuflar.

Quando eu saí do provador, os olhos dele fizeram exatamente o que eu esperava: escureceram, ficaram mais intensos e passaram por mim devagar. Por algum motivo, isso me deixou quente quando os olhos azuis dele percorreram minhas pernas expostas, coxas, braços e curvas, até finalmente pararem no meu rosto.

De repente, a sala pareceu pequena demais enquanto eu ficava ali, na frente dele, esperando o que ele ia achar do vestido.

Ele não falou nada por um tempo, e o silêncio entre nós vibrava nos meus ouvidos como um fio desencapado enquanto eu esperava ele dizer alguma coisa.

Então, ele falou baixo: “Tá perfeito.”

“Acho que tá curto demais. Eu não quero esse.” Eu disse, puxando de leve o tecido, na esperança de que, por milagre, ele se transformasse no meu pijama macio.

Lucien chegou mais perto de mim e levantou a mão direita. Ele brincou com a alça fina do vestido, acendendo minha pele com o toque suave dos dedos. Minha pele pulsou com o contato rápido, uma eletricidade chiou entre nós até ele afastar a mão.

“Tá perfeito, e eles não vão saber o que atingiu eles.” Ele falou baixo, olhando fundo nos meus olhos como se quisesse me hipnotizar.

E tava funcionando.

A vendedora abriu um sorriso ao me olhar, chocada, como se não acreditasse que eu era a mesma pessoa que tinha entrado no provador. “Ela tá deslumbrante.”

O olhar do Lucien não saiu do meu. “Ela é minha.”

As palavras não eram pra mim, mas mesmo assim afundaram em algum canto da minha mente.

Mais tarde, quando a sacola foi entregue pra mim, peguei a atendente da boutique tirando uma foto nossa escondida com o celular. Eu olhei pro Lucien, esperando ele falar alguma coisa, mas ele simplesmente virou o rosto e agiu como se ela não existisse.

“Você que mandou vazar isso?” perguntei enquanto a gente saía, a sacola de roupas na mão dele.

Ele deu um meio sorriso, aquele sorriso lento e perigoso, e me lançou um olhar de lado. “Qual é a graça de ter uma coroa se ninguém vê você usar?”

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo