Capítulo 3 Decisão

Henry balançava o cheque na mão, o rosto cheio de desdém.

Eu o encarava com calma, enquanto meu coração era tomado por uma dor densa, aguda, que atravessava tudo.

Na cerimônia de formatura da universidade, Henry foi o formando destaque, ganhando uma bolsa de estudos nacional. No discurso como representante dos alunos, ele anunciou publicamente que eu era sua namorada e me pediu em casamento na frente de dezenas de milhares de pessoas.

Naquela época, ele já era um jovem CEO com um futuro promissor, tinha fundado a própria empresa antes mesmo de se formar. Tinha começado do zero, mas o futuro era brilhante.

E eu tinha acabado de ser diagnosticada com câncer ósseo, a ponto de considerar um luxo até mesmo conseguir ver o sol no dia seguinte.

Eu não duvidava que, se contasse para ele, ele largaria tudo para cuidar da minha doença, sem reclamar nem uma vez.

Mas o futuro dele seria destruído.

Eu sabia que o meu tratamento exigia muito dinheiro, e dinheiro era justamente o que ele mais não tinha naquela época.

Eu não queria arrastá‑lo para o meu sofrimento.

Recusei o pedido de casamento e fui para o exterior fazer tratamento.

Mas todo mundo achou que eu tinha desprezado ele por ser pobre e que tinha ido para fora do país atrás de um homem rico.

Até o Henry achou que tinha me dado todos os sentimentos verdadeiros dele e recebido apenas a minha frieza em troca.

Eu virei a desgraçada interesseira, a mulher que só ligava para dinheiro e não aguentava passar necessidade ao lado dele.

Então, quando voltei para o país, ele jogou cinco milhões de dólares na minha cara e me ordenou que me casasse com ele.

Naquela época, minha doença tinha recaído, e o tratamento era caríssimo. Então aceitei o dinheiro como se estivesse vendendo a mim mesma, engolindo a humilhação dele dia após dia.

Mas agora, só para me fazer pedir desculpas para a Aria, ele me estendia, com a maior facilidade do mundo, um cheque de dez milhões de dólares.

Aos olhos dele, a dignidade da Aria valia mais do que a minha vida.

A dor no meu peito se espalhou, penetrando até o fundo dos ossos.

Dei um sorriso amargo. Dizem que câncer ósseo é a doença mais dolorosa do mundo, mas, diante da dor no coração, parece tão pequena.

Cada vez mais gente se aglomerava em volta, olhando para mim com desprezo ou desdém.

Por um instante, eu até pensei em aceitar o cheque.

Com aqueles dez milhões de dólares, pelo menos eu não precisaria me preocupar com os custos do tratamento por um tempo.

O Henry só queria me humilhar, não era?

Talvez, no coração dele, esse tipo de humilhação não fosse nada perto do que ele sentiu ao ser rejeitado por mim diante de milhares de pessoas naquele dia.

Levantei‑me devagar, e os lábios de Aria se curvaram num sorriso de deboche quando viu meu movimento.

Eu estava prestes a falar quando, da porta, veio uma voz masculina calma:

— Queimadura tem que ser lavada na água corrente na hora. Gelo não ajuda muito e ainda pode deixar cicatriz. Eu sou médico da Faculdade Cascade, não teria motivo pra mentir pra você.

Olhei para o homem. Ele vestia uma camisa branca, sem um único amassado, combinada com uma calça social preta, parecendo limpo e gentil.

Ele disse a Henry, em um tom severo:

— Se você ainda está preocupado com ela, é melhor levar ela pro hospital logo.

Ao ouvir isso, as pessoas ao redor começaram a comentar.

— É, ouve o doutor.

— Isso, ou você só quer um pedido de desculpas?

Henry me lançou um olhar frio, não disse nada e carregou Aria para fora do restaurante.

Quando eles foram embora, a multidão foi, aos poucos, se dispersando.

Sorri para o homem que tinha acabado de me ajudar.

— Obrigada, o senhor é o Dr. Scott?

Brian assentiu.

— Sim, sou eu. O Dr. Ramirez já me contou sobre o seu caso.

Fiquei surpresa.

— Como o senhor soube...?

— Eu pesquiso essa doença há anos e já vi muitos pacientes. Consigo perceber na hora. — Brian apontou para os próprios olhos; por trás dos óculos, parecia que o olhar dele enxergava através de tudo.

Dei um sorriso amargo, sentindo o coração afundar.

— Então quer dizer que a minha doença é bem séria.

Brian sorriu de um jeito suave.

— Tente manter o pensamento positivo. No nosso centro de pesquisa, temos muitos casos de tratamento bem-sucedido.

Ele deu uma olhada no relógio e disse, educado:

— Eu só tenho meia hora. Vou te apresentar rapidamente o nosso medicamento novo, que acabou de ser desenvolvido.

Assenti.

Ele era muito profissional, transmitindo a postura rigorosa e séria de um pesquisador. Explicou as vantagens e os efeitos colaterais do novo medicamento alvo e deu algumas orientações com base no meu quadro.

Eu já tinha um plano em mente, mas ainda estava hesitante.

— Doutor Scott, eu posso começar o tratamento a qualquer momento, mas no momento eu não tenho muito dinheiro. Não sei se vou conseguir pagar.

Brian ajustou os óculos e falou com seriedade:

— Os custos iniciais da cirurgia estão cobertos, mas depois vai ter o tratamento prolongado com remédios, e você precisa se preparar financeiramente para essa parte.

— Mas não se preocupe, o nosso centro de pesquisa também está recrutando voluntários para testes clínicos de medicamentos. Se não houver outra saída, eu posso te ajudar a se inscrever.

Agradeci rapidamente.

Quando um remédio chega à fase de teste em humanos, ele teoricamente já está basicamente pronto, com poucos efeitos colaterais.

No entanto, existem exigências quanto aos indicadores físicos dos participantes. Tem gente saudável que nem consegue se encaixar nesses critérios, imagine uma paciente com câncer em estágio avançado, como eu.

Talvez, por compaixão, Brian tenha sentido pena de mim e estivesse disposto a me ajudar com uma vaga.

Depois de confirmar que eu seria internada no dia seguinte para me preparar para a cirurgia, me despedi de Brian e fui para casa.

Como Brian disse, descansar bem e manter um bom humor eram os melhores tratamentos.

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