Capítulo 2 CAPÍTULO DOIS: CORINGA

CORINGA

Sinceramente eu prefiro prateada, com detalhes pretos. A cor preta é mais do grego, mas sei que essa é a forma dele de me desejar boa sorte.

Conferi se estava com balas e guardei a mesma, disfarçando ela com a blusa. Confirmei que o dinheiro já estava na conta dele, mas que só receberia a outra parte quando eu já estivesse longe. Ele concordou com a cabeça, deitou na cama e eu lhe deu um soco que o deixou desacordado. Serve para o disfarce.

Sai e tranquei a cela, afundei mais o boné e coloquei as mãos dentro do bolso para esconder a tatuagem. Fui andando tranquilamente, acenando com a cabeça para quem falava comigo. Usei o crachá do agente e consegui sair do Presídio.

Uma das pessoas que está na minha folha de pagamento passou por mim, dando-me uma carona na hora da saída. Olhei de um lado pro outro e pulei a catraca, vendo o carro dos parceiros parar na frente no mesmo momento.

__FUGITIVO.--- Gritou o mesmo agente de mais cedo, aquele que falou que eu ficaria sem o jantar.

Peguei a glock, abaixei o boné e o encarei. Ao me reconhecer, vi quando ele perdeu toda a sua cor, com o medo nítido no olhar. Eu cumpro as minhas promessas. Não pensei duas vezes, mirei na sua testa e apertei o gatilho.

__VAMBORA CORINGA.--- Gritou um dos parceiros, abrindo a porta pra mim.

__ OS CANAS VINDO AI, CARALHO.--- Gritou Rato, um dos meus vapores.

Corri pro carro, entrando no banco do passageiro da frente. Os meninos saíram arrastando pneu e assim que entramos na estrada, vários carros da minha tropa colaram na gente, atirando nos canas que vinham atrás da gente na Avenida Brasil.

__E ai, paizão.--- Falou Rato com um sorriso, pegando o meu fuzil e dando o mesmo na minha mão.

Sorrir, passando a alça pela nuca. Coloquei o fuzil pra fora, mirei direitinho e fui matando os cu azul, ajudando a minha tropa. Nos é forte, porra! Quero vê quem segura a tropa do grego! Quero vê quem segura os crias da Rocinha nesse caralho.

Melhor retorno, papo reto!

Assim que nos viram, os menor da barreira abriu as mesmas e passamos por ela. Todos os meus soldados desceram e os poucos policiais que ficaram não tiveram outra escolha, tiveram que voltar sem mim pra quele inferno.

__É A TROPA DO GREGO NESSE CARALHO.--- Gritou um dos vapores, levantando o fuzil. Não demorou muito e todos imitaram o seu movimento.

__ É OS MENOR DA ROCINHA.--- Gritei junto com eles, ouvindo o coro de geral, seguido pelos tiros do fuzil.

Naquele momento eu me permitir sorrir, finalmente em casa. Amanhã eu vou vê o sol normalmente e não quadrado como tem sido nesses últimos dias. A isso nada se iguala.

Levanto meu olhar, vendo o Matheus parado na porta da boca. Ele tava encostado no batente, um sorriso minúsculo no canta da boca, enquanto nos encarava. Me aproximei dele, fazendo o nosso toque antes de abraçar ele.

__Fez falta por ai, parceiro.--- Falou assim que nos separamos.

__To de volta pro terror delas.--- Soltei uma piscadinha na sua direção, ganhando o sorriso que disparou o meu coração.

Nos temos uma relação complicada por diversos motivos. Mas não importa o que aconteça, quando um precisar, o outro vai está mais do que pronto pra ajudar. Eu posso xingar ele, mas vem alguém falar mal dele na minha frente pra vê se não leva uma bala no meio da testa.

__Conseguiu?--- Perguntou com relação a missão que fui fazer lá.

Dentro da cadeia tinha um dono de morro forte, com quem a facção estava tentando uma aliança. Embora preso em bangu, ele não é brasileiro, mas sim de Portugal. Estamos tentando expandir a aliança para outros países. Tive que ser enviado, pois queria falar com alguém importante na facção

Molhando a mão de algumas pessoas, parei no mesmo presídio e no mesmo setor. Mais um pouco e ele fugia comigo, mas disse que tinha que resolver algumas coisas. O importante é que a aliança havia sido feita.

__ Aliança feita, truta.--- Concordei com a cabeça, cruzando a mão em frente ao peito.

__ Ai sim, depois depositamos o seu bônus.--- Falou e eu concordei.--- Agora vamos logo, a tia Ingrid me mata se demorar mais um pouco.

__Minha coroa é a melhor.--- contive o sorriso, mo saudades da minha velha.--- Depois nos acerta isso, só quero tomar um banho e bater um rango, maior larica muleque.

__Vamo lá, eu te levo.--- Falou e eu concordei.

Nos despedimos do menor com um toque e subimos na moto dele. A minha ta em casa, se não íamos até apostando corrida, pode pa. As minas piram com um branco desse em uma moto pica, mas é aquilo né; nos pega? Sim, mas só no sapatinho sem explanar nada.

__ Rafa.--- Gritou minha coroa, vindo me abraçar.

É como ela sempre fala, parceiro. Da porta pra dentro sou apenas o Rafael, o Coringa fica lá do lado de fora. Na verdade ela não fala, manda mermo. Ai de mim se eu desobedecer, o chinelo canto e foda-se, se eu sou só o de frente. Pra dona Ingrid vou ser sempre o seu meno.

__Fala ai, coroa.--- Sei um cheiro no seu pescoço, sorrindo por estar com ela novamente.

Ninguém é igual a nossa mãe, papo reto.

__ Coroa é teu cu, muleque.--- Me deu um pescotapa.--- Vai tomar um banho, tirar essa roupa de presídio. Fiz aquele macarrão que tu se amarra.

__ Porra mãe, a barriga chega dói. Nem o café da tarde me deram direito, inventaram um k.o pra cima de mim e essa foi a punição.--- Murmurei me fazendo de coitado, tacando logo a real.

Mo odio desses pau no cu, matava todo mundo se pudesse.

__ Já passou filho, agora você tá em casa. Mamãe já separou sua roupinha, vai lá.--- Falou com os olhos cheios de lágrimas.

Neguei com a cabeça, esmagando ela em meus braços antes de subir. A verdade é que a mãe sofre mais que a gente, mas já passou já. To de volta, to na pista porra!

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