Capítulo 5 CAPÍTULO CINCO: MAJU
MAJU
MAJU
Sequei o suor que descia pela minha testa, respirando fundo. Tomei coragem, terminando de fazer aquela série de exercícios, levantando o peso com as minhas pernas, malhando as mesmas e os glúteos.
Ao terminar, sai do aparelho e peguei a minha garrafinha de água, tomando a água que estava ali. Sinto os olhares dos homens ao meu redor, alguns não faziam a mínima questão de disfarçar. Revirei os meus olhos, levemente irritada, mas decidi ignorar os meninos.
Percebi quando um grupo de mavambo subiu as escadas, todos parando pelos aparelhos perto de mim. Eles sempre fazem isso, não podem nem saber em qual local que estou que logo vem atrás, chega a ser irritante.
Desde pequena passei longe de mavambo, não entendo nada disso de movimento e muito menos sei quem está no controle. Tento me manter o mais afastada possível, o que acaba atraindo a atenção para cima de mim por ser tudo, menos uma Maria fuzil.
Tantas meninas rendendo para eles, dando de tudo pra ficar só com um deles. Mas eles vão querer quem? A princesa aqui, que quer passar bem longe deles.
Não tenho preconceito ou algo do tipo, afinal eu cresci nesse mundo. Sei que tem muitos policiais bons, mas em compensação, existem uns que não merecem a farda que vestem.
Sendo realista, a diferença entre os traficantes e muitos que se dizem do bem por aí, mas fazem muita merda, é porque eles assumem o que fazem e não ficam contando mentiras para se safar. Neste sentido, acabam tendo até mais honra do que muitos por aí.
Me afastei deles, indo para o outro lado da Academia. Realizei mais uma série ali, ignorando ao máximo todos os olhares que recebia. Ao terminar aquele exercício, já tinha finalizado o meu dia de exercícios, o que foi um alívio.
Quando chegam os mavambos, também chegam as Marias fuzil.
__ Oie princesa.--- Um dos meninos, um moreno parou ao meu lado.
O ignorei, colocando o aparelho no lugar.
__ Qual o seu nome?--- Insistiu.
Olhei na direção dele, pegando o meu celular. Ele soltou um sorriso de lado, provavelmente com a esperança de ganhar o meu número. Coloquei na tela inicial, uma foto bem linda minha de biquíni, fui até o meu aplicativo de músicas e coloquei o som no mais alto possível, mostrando para ele que já estava com o seu celular em mãos.
__ Qual foi?--- Desmanchou o sorriso.--- Faz isso não, gatinha.
__ Ja fiz.--- Soltei uma piscadinha na direção dele, saindo de perto dele.
Passei perto dos amigos dele, que riam da cara do menino. Homens, sempre igual.
Desci as escadas da Academia, me despedi das meninas da recepção e sai. Continuei com os fones no ouvido, sei bem que essas piadinhas não vão parar nem tão cedo, afinal muitos encaram as minhas roupas de malhar como um passe livre para suas falas nojentas.
No início era algo que me incomodava em tantos níveis, mas aos poucos fui obrigada a me acostumar. Entendi que falar não iria adiantar de nada, a única coisa que poderia acontecer é me deixar abalada emocionalmente e extremamente estressada. Se tem uma coisa que aprendi bem é que nada nesse mundo vale a minha paz.
Abri a porta de casa, sentindo no mesmo momento o meu cachorro nas minhas pernas.
__ Cadê o neném da mamãe?--- Fiquei de joelhos, brincando com ele.--- Cachorrão bonito.
Sei que se eu pegar ele no colo, nesse exato momento, o bonito vai acabar fazendo xixi em mim. Billy tem dessas, quando sente alguma emoção de uma forma intensa, ele acaba ficando com a urina solta.
Por isso, sempre que eu chego, primeiro brinco com ele no chão. Depois que ele se acostuma um pouco comigo, eu o pego no colo e faço um carinho no mesmo, caminhando para o sofá da sala.
Sentei no mesmo, com o meu cãopanheiro ao lado. Billy, nem um pouco folgado, logo deitou no meu colo e já fechou os seus olhos, pronto para dormir. Esse meu cachorro vive no colo, dormindo para ser mais exata. Sabe aquele companheiro para uma boa noite de sono? É ele mesmo.
__ Chegou, princesa?--- Perguntou minha vó, de uma forma totalmente carinhosa.
__ Cheguei, minha rainha.--- Concordei com a cabeça, fazendo carinho no cachorro em meu colo.
__ Trabalha hoje?--- Sentou-se ao meu lado.
__ Querendo trazer um dos contatinhos aqui, coroa? Me expulsando de casa.--- Impliquem com ela.
__ Coroa é a tua buceta menina, me respeita.--- Revirou os olhos.--- Tô te expulsando de casa não, caralho. Só quero saber se você vai ficar pra jantar, assim faço um prato que você gosta. Menina ingrata.
__Oh meu amor, fica assim não, to te zoando só.--- A puxei para um abraço. De início minha vó até tentou fugir, mas foi só dar um pouco de chamego que já estava me apertando também.--- Amor da minha vida, papo reto.
__Fala logo o que você quer, Maju.--- Mandou enquanto saia do abraço, pegando o cachorro do meu colo.
__ Vamos jantar no mirante da Rocinha?--- Convidei.
__Partiu.--- Concordou animada.
__ Vou chamar a Mari.--- Avisei e ela concordou.
__Agora vai tomar banho, ta fedendo a cecê.--- Implicou comigo, batendo na minha bunda assim que levantei.
__ Vai me da estrias, porra.--- Murmurei, ganhando como resposta um sorriso debochado.
Peguei o preguiçoso do meu cachorro no colo, segurei o celular e subi para o meu quarto. Aproveitei e mandei logo mensagem para a Mari. Já estávamos marcando esse rolê há um tempo, ela já estava me cobrando.
Deixei Billy na minha cama, vendo que em questão de segundos ele se acomodou e ficou me olhando todo curioso. Coloquei o meu celular para carregar, enquanto deixava alguma música tocando na caixinha de som.
Sou uma pessoa totalmente movida a música. Não sei explicar o porquê, mas é como se me desse um gás ainda maior para fazer as coisas. Não tenho um ritmo definido, tudo depende do meu humor e sentimentos no dia.
Abri o meu guarda roupa, encarando as milhares de opções. Preciso confessar, sou uma consumidora nata. Quando se trata de qualquer coisa relacionada a aparência, compro sem pena. Amo comprar roupas, ter o meu guarda roupa, penteadeira e caixinha de joias cheias. Sou extremamente vaidosa e cuidadosa com a questão do cheiro.
Não chamo muitas pessoas para a minha casa, muito menos para o meu quarto. Mas aqueles poucos que vêm ficam admirados e, na maioria das vezes, acabam implicando comigo da mesma forma, falando que eu tenho o próprio shopping em casa. Ainda não chegamos nesse ponto, mas estamos caminhando para esse sentido.
