Capítulo 07 “Entre o desejo e o desespero”
Elena narrando
Depois de ser vendada pelos homens de preto, fui colocada no carro sem poder ver para onde estava sendo levada. Eles pegaram todos os meus pertences pessoais e os esconderam em algum lugar desconhecido. Eu estava completamente confusa e com medo. Tentei chorar, mas parecia que as lágrimas não saíam de jeito nenhum. Estava desesperada, querendo gritar, mas sabia que não adiantaria nada. A chance de eu sair dali era mínima, praticamente uma em um milhão. Eu não tinha ideia dos planos que o meticuloso mafioso Damon tinha para mim.
Enquanto isso, Damon havia desmaiado, e eu não conseguia entender por que esse cara estava fazendo tudo isso comigo. Aos poucos, comecei a perceber que ele era um verdadeiro ogro. A maneira como o líder do grupo falou com ele na clínica deixou claro que ele era um mafioso, um gângster, ou algo assim. Meu Deus, como fui me envolver com alguém como ele?
A semana estava prestes a começar, e eu sabia que Marcos notaria minha ausência na clínica. Ele era meu colega, alguém que entrou na minha vida de repente, mas mostrou uma gentileza extrema. No entanto, eu sabia que ele não conseguiria me encontrar. Eu estava completamente à mercê desses criminosos.
Eu me sentia completamente impotente, presa com esse louco. Damon tinha um verdadeiro exército de seguranças à sua disposição. Fui jogada em uma cela fria, tratada como uma criminosa. Eu me sentia péssima, e minha única reação foi chorar incessantemente até não aguentar mais.
Eu desejava escapar. Odiava Damon com todas as fibras do meu ser e ansiava, do fundo do meu coração, que ele morresse e que seus ferimentos piorassem significativamente. A raiva que eu sentia era avassaladora, não cabia dentro de mim. Normalmente, eu não agia assim, mas desprezava o dia em que Damon cruzou meu caminho.
Era difícil descrevê-lo. Ele era extremamente alto e robusto, sua presença me deixava completamente nervosa. Ele podia me fazer tremer com apenas um olhar. Seus olhos eram azuis como o mar, como o céu, não tenho certeza. Só sei que eram frios, profundos, carregando uma tristeza inexplicável. Seu cabelo preto adicionava um ar irresistivelmente sedutor à sua aparência. Ele era exigente, dominante, intimidador, e acima de tudo, eu o odiava.
"Calma, Elena. Tudo vai ficar bem. Você vai sair daqui viva e bem, você vai ver. Tente se acalmar." Eu repetia para mim mesma inconscientemente, tentando manter a calma e evitar um ataque de ansiedade. Eu costumava ter esses ataques com frequência, e agora era quase impossível controlá-los.
Vários homens me vigiavam em um lugar desconhecido para mim, já que eu não podia ver o caminho que percorremos. Damon estava doente. Ele era um criminoso. Eu havia salvado sua vida, e essa era a gratidão que eu recebia. Pelo que entendi, ele fez isso porque tinha medo de que eu o denunciasse à polícia ou algo assim. Mas eu não faria nada disso. Eu só queria ficar longe dele e desse mundo de crime e máfia.
Às vezes, simplesmente não consigo entender por que minha vida tinha que ser assim. Desde criança, enfrentei dificuldades. Primeiro, passei minha vida em um orfanato, e depois dediquei meu tempo a buscar a perfeição para me tornar a melhor médica que eu pudesse ser. Pelo menos nisso, eu consegui. Sempre tentei fazer o bem e sempre procurei ser gentil, acreditando que poderia mudar o mundo através da bondade. Mas, na realidade, a bondade parece apenas me prejudicar.
Eu estava sentindo uma profunda emoção de desesperança e frustração. Toda a minha vida, lutei para superar obstáculos e ajudar os outros, mas parece que, no final, isso só me trouxe mais dor. Fui criada com a esperança de que, se eu fosse boa, as coisas dariam certo. No entanto, a vida me mostrou que nem sempre é assim.
Olhando para a situação em que eu estava, percebi que nada parecia importar.
"Coma alguma coisa, querida." Uma mulher, aparentemente na casa dos cinquenta, veio com um prato de comida com frutas, pão e suco. "Você vai se desidratar assim."
"Não, obrigada," respondi entre lágrimas.
Eu poderia pedir ajuda a ela, mas não queria colocá-la em perigo. Sabia que talvez ela precisasse desse emprego e não tivesse outra alternativa, e se ela me ajudasse, eles a matariam. Então, decidi não dizer nada. Ela sabia que eu estava presa, e mesmo assim não moveria um dedo para me ajudar.
Damon não tinha aparecido desde a última vez que o vi; ele ainda estava inconsciente. Filho da mãe. A empregada saiu, deixando o prato de comida ao meu lado. Olhei para ele e o empurrei para o lado. Eu não tinha apetite algum; meu estômago estava apenas revirando.
Eu não conseguia comer; só pensava em como sobreviveria a tudo isso. Se eu pudesse voltar no tempo...
Adormeci. E mesmo nos meus sonhos, ele aparecia para me atormentar.
*Damon passou a mão por baixo do meu corpo e a abaixou lentamente, com a boca percorrendo cada canto dele. Ele me olhou com aqueles olhos intimidadores e disse que eu seria dele, não importava o quê.
*Meu olhar encontrou o dele, e eu parecia não conseguir respirar. Sua pele roçava na minha de uma maneira inexplicavelmente deliciosa, suas mãos envolveram minha cintura e me puxaram para ele, meu coração batia a mil por segundo. Senti uma forte investida e gritei, seu membro preenchendo cada espaço dentro de mim.
Acordei com um sobressalto, meu coração disparado. Que tipo de sonho era esse? Meu corpo tremia e eu sentia arrepios, como se cada parte de mim quisesse que aquele sonho se tornasse realidade. A maneira como ele me tocava... Isso é insano! Como posso estar tendo sonhos eróticos com um homem que está me mantendo prisioneira? Eu me sentia enlouquecendo, lutando para acalmar minha mente, mas as imagens do sonho persistiam, teimosamente vivas na minha mente.
De repente, ouvi passos se aproximando. Pensei que fosse ele, entrando na sala fria, impondo sua presença ameaçadora. Meu coração disparou ainda mais, e o medo percorreu cada fibra do meu ser. Eu estava presa em um pesadelo acordada, sem saber o que me aguardava a seguir.
