Capítulo 6
À distância, Bella observava enquanto Alpha Carl Trevor explodia em risadas incontroláveis. Suas gargalhadas retumbavam pelo estacionamento, e demorou um longo momento antes que ele finalmente se acalmasse. Bella permaneceu em silêncio, seu rosto inexpressivo, mas uma dor apertada se formava em seu peito ao ver aquela cena.
Trevor enxugou uma lágrima do olho, balançando a cabeça em descrença. “Uau, Bella Moonshadow,” ele começou, sua voz carregada de zombaria. “Você realmente é algo. Você não é bonita, não é habilidosa e nem consegue ficar longe de problemas. Mas vou te dar isso—você é corajosa. Corajosa o suficiente para estragar tudo várias vezes. Me diga, qual lobisomem que se respeita iria querer você como companheira?”
Suas palavras cruéis a feriram, cortando fundo em seu orgulho e em seu coração. Bella abaixou o olhar para o chão, incapaz de responder. Seus punhos se fecharam enquanto ela tentava engolir a dor e a vergonha que a consumiam.
Trevor, indiferente ou sem se importar com seus sentimentos, continuou sua reprimenda. “Você tem ideia do que fez esta noite? Arruinou minha noite. Completamente desperdiçou meu tempo quando eu poderia estar me divertindo com Alice. E sabe de uma coisa? Encontre seu próprio caminho para casa. Não tenho intenção de perder mais um segundo com você.”
Ele fez uma pausa, seu tom ficando mais frio. “Ah, e a propósito, sua mesada deste mês? Cortada pela metade. Talvez isso te ensine a pensar antes de agir.” Sem lhe dar chance de responder, Trevor se virou e entrou em seu carro. Ele bateu a porta, ligou o motor e saiu em alta velocidade, sem olhar para trás, deixando Bella sozinha no estacionamento.
O som dos pneus rangendo ecoou em seus ouvidos, áspero e implacável. Por um longo momento, ela ficou parada, olhando para o espaço vazio onde o carro dele estivera. Então, com um suspiro pesado, ela se virou e começou a longa e solitária caminhada até o ponto de ônibus mais próximo.
Pouco depois da partida de Trevor, uma limusine preta e elegante entrou no estacionamento da delegacia. O exterior polido brilhava sob as luzes fracas, exalando riqueza e autoridade. Dentro da limusine, Alpha Xavier estava sentado silenciosamente, sua expressão calma mas distante.
Seu assistente, Carl, abriu a porta para ele e se inclinou ligeiramente. “Alpha Xavier,” Carl disse respeitosamente, “você gostaria de entrar na delegacia e ver a situação?” Xavier nem sequer olhou para ele. Balançando a cabeça, respondeu em um tom frio e distante, “Não há necessidade. Apenas certifique-se de que ela não faça isso de novo. Não vou limpar a bagunça dela da próxima vez.”
Carl assentiu obedientemente, fechando a porta antes de entrar na delegacia.
Enquanto Carl desaparecia lá dentro, Bella, que estava passando por perto, congelou ao ouvir a conversa deles. Ela ficou escondida nas sombras, incapaz de ver Xavier ou Carl claramente, mas captando trechos de suas palavras. Na limusine, Xavier se recostou, pegando seu telefone e acendendo um cigarro.
Ele suspirou pesadamente enquanto murmurava ao telefone, quase para si mesmo. “Bella. Ela sempre foi tão imprudente. Saindo correndo sem pensar, sem nem um plano ou dinheiro no bolso. Como ela consegue sobreviver? O que uma garçonete desleixada e irresponsável como ela está fazendo em nossos círculos?”
Seu tom era desdenhoso, quase entediado, como se a própria existência de Bella fosse um incômodo para ele. Ele exalou uma nuvem de fumaça, observando-a se dissipar no ar da noite.
Momentos depois, Carl saiu da delegacia, sua expressão sombria. Ele caminhou rapidamente de volta à limusine, abriu a porta e se inclinou. “Alpha Xavier,” disse urgentemente, “Bella foi levada.”
Xavier levantou uma sobrancelha, seu interesse despertado pela primeira vez naquela noite. “Levada?” repetiu, seu tom afiado. “Por quem? Alpha Zachary?”
Carl balançou a cabeça. "Não. Ela foi levada pelo Alpha Carl Trevor." Com isso, um sorriso irônico surgiu no canto dos lábios de Xavier. A notícia não o irritou; ao contrário, parecia diverti-lo.
Ele conhecia a ligação próxima entre Trevor e Zachary, e o envolvimento de Bella só aumentava sua curiosidade. Apagando o cigarro no cinzeiro, Xavier inclinou-se ligeiramente para a frente. "Interessante," murmurou. "Vamos seguir em frente."
Enquanto isso, após uma longa e cansativa viagem de ônibus, Bella finalmente chegou em casa. Era um lugar pequeno e modesto que ela compartilhava com seu tio George, que estava sentado na sala de estar quando ela entrou. No momento em que a viu, seus olhos se arregalaram de choque.
Sua aparência desleixada—roupas amassadas, manchas leves e o cansaço estampado no rosto—foi suficiente para alarmá-lo. "Bella," ele disse, com a voz cheia de preocupação. "O que aconteceu com você?"
Bella hesitou por um momento antes de responder. "Eu tive alguns problemas," admitiu baixinho, decidindo não esconder a verdade dele. Ela explicou tudo, desde a confrontação no evento até seu encontro com o Alpha Trevor.
George ouviu atentamente, sua expressão ficando mais séria a cada momento que passava. "Bella," ele disse severamente, "você não deveria ter voltado. Eu te disse que isso só traria mais problemas."
Seu tom estava cheio de preocupação e frustração, mas Bella tentou acalmá-lo. "Tio," ela disse suavemente, "eu não posso ficar com o Zachary para sempre. Não é certo. E além disso, eu estava preocupada com você. Eu sei o quanto todo esse estresse tem te afetado."
George suspirou pesadamente, esfregando as têmporas. Ele sabia que ela tinha boas intenções, mas o retorno dela ao território da alcateia só parecia trazer mais complicações. Bella, percebendo seu desconforto, rapidamente mudou de assunto. Ela contou a ele sobre os planos da Alpha Corporation de expandir para Seaview City, explicando como isso poderia ajudar a aliviar as tensões e reduzir os conflitos dentro da alcateia.
Ao mesmo tempo, em outro lugar no território da alcateia, um velho servo leal à família de Bella estava de olho em Samantha e sua mãe, Pamela Green. O servo vinha reportando discretamente os movimentos e ações delas para Bella, garantindo que ela permanecesse informada.
Na casa da família Turner, Samantha entrou pela porta da frente, com o rosto pálido e os movimentos frenéticos. Ela entrou na casa, procurando por sua mãe. Pamela, assustada com a entrada repentina da filha, levantou o olhar de onde estava sentada. "Samantha," Pamela disse, com a voz carregada de preocupação. "O que houve? O que aconteceu?"
Samantha não respondeu imediatamente. Em vez disso, fez um gesto para Pamela segui-la até o andar de cima. "Precisamos conversar," disse Samantha firmemente, levando sua mãe para o quarto. Uma vez lá dentro, Samantha fechou a porta e se virou para Pamela, com a expressão cheia de pânico.
"Mãe," ela disse, com a voz tremendo ligeiramente. "Bella Moonshadow está de volta."
Os olhos de Pamela se arregalaram de choque, o sangue sumindo de seu rosto. "Você tem certeza?" ela perguntou, com a voz quase num sussurro. Samantha assentiu, confirmando o pior.
A mente de Pamela correu enquanto ela tentava processar a notícia. O retorno de Bella era uma ameaça—uma que elas não podiam ignorar. "Se ela está de volta," murmurou Pamela, "é só uma questão de tempo até seu pai descobrir."
Ambas sabiam o que isso significava. Elas tinham trabalhado duro para enterrar a verdade sobre Bella, e seu retorno poderia expor tudo. "Precisamos agir rapidamente," disse Pamela, com a voz firme, mas urgente. "Antes que mais alguém descubra."
Samantha assentiu em concordância, seus olhos endurecendo com determinação. Juntas, elas começaram a planejar seu próximo movimento, sabendo que o tempo estava se esgotando.
