
O Alfa que Me Chamou de Mine
Luna Vasconcelos · Concluído · 13.0k Palavras
Introdução
Capítulo 1
Em Vale da Lua Cheia, todo mundo nasce com um lobo dentro. Todo mundo, menos Isadora. Sem loba, sem nome, sem valor — ela é a serva que esfregava panelas, a que o Conselho escolheu para entregar à alcateia inimiga como penhor de paz, porque era a que ninguém ia sentir falta. Mas o Alfa Rei, que devia apenas assinar o acordo, não consegue tirar os olhos dela. E o jeito como ele diz o nome dela soa como quem procurava por ele havia muito tempo. Por que ninguém percebeu o que ele já percebeu?
Em Vale da Lua Cheia, todo mundo nascia com um lobo dentro. Todo mundo, menos eu.
Eu soube disso antes mesmo de entender o que significava. Soube pela maneira como minha mãe me olhava quando achava que eu não estava prestando atenção — aquele olhar de quem carrega um defeito de fábrica e não sabe onde devolver. Soube pela forma como as outras crianças paravam de correr quando eu chegava perto, como se o vazio dentro de mim fosse contagioso. Aos doze anos, na noite em que o primeiro uivo deveria ter rasgado meu peito, eu fiquei deitada na cama esperando. Esperei a dor. Esperei o calor subindo pela espinha, a febre da transformação, o lobo se desdobrando sob a minha pele como todos diziam que aconteceria.
Não veio nada. Só o silêncio, fundo e definitivo, de quem está sozinha dentro do próprio corpo.
Não-loba. Era assim que me chamavam. Não com raiva — isso teria sido mais fácil de suportar. Chamavam com pena, que é a forma mais cruel de desprezo, porque não te permite revidar.
Naquela manhã de junho, eu estava ajoelhada no chão de pedra da cozinha comunal, esfregando as panelas de ferro que tinham servido o banquete da véspera. As minhas mãos estavam vermelhas da água gelada. Os meus joelhos doíam. Mas eu esfregava com cuidado, porque sabia que se deixasse uma única mancha, alguém ia comentar — e os comentários sobre a não-loba sempre encontravam o caminho até o Conselho dos Anciãos.
— Você esqueceu o canto de baixo de novo, Isadora.
Era Vânia. Filha de um dos guerreiros mais antigos, lobo de pelagem cinza, dona de uma língua que cortava melhor que qualquer garra. Ela estava parada na porta, braços cruzados, observando o meu trabalho com aquele sorriso que eu tinha aprendido a temer.
— Eu vou chegar lá — respondi, sem levantar os olhos.
— Vai mesmo? — Ela se aproximou, e eu senti o cheiro dela mudar, ficar mais quente, mais animal. Os lobos faziam isso quando queriam intimidar. Liberavam o cheiro do bicho. Comigo nunca funcionava do jeito que eles esperavam, porque eu não tinha como responder no mesmo idioma. — Sabe, minha mãe diz que no tempo dela uma como você nem teria sobrevivido ao primeiro inverno. Diz que a alcateia carregava o próprio peso, e quem não podia carregar o seu, bom...
Ela deixou a frase no ar. Não precisava terminar. Eu conhecia o fim dela há anos.
Eu me levantei. As minhas pernas tremiam um pouco, mas eu me obriguei a encarar Vânia, porque tinha descoberto cedo que abaixar os olhos só piorava as coisas.
— Sua mãe deve ter saudade desse tempo — eu disse, com uma calma que não sentia. — Deve ser difícil viver numa época em que ainda precisam de gente como eu para esfregar as panelas dela.
O sorriso de Vânia vacilou. Por um segundo, eu vi o flash de raiva nos olhos dela, o ouro do lobo subindo à superfície. A mão dela se ergueu, e eu me preparei para o tapa, do jeito que o corpo da gente aprende a se preparar para coisas que acontecem com frequência.
O tapa não veio.
Porque a porta da cozinha se abriu de novo, e o ar mudou. Não foi o cheiro de Vânia desta vez. Foi algo mais denso, mais antigo, uma presença que fez até as chamas do fogão se inclinarem como se estivessem prestando reverência. Vânia se virou, e eu vi o sangue fugir do rosto dela. Ela baixou a mão. Baixou os olhos. Curvou o pescoço naquele gesto involuntário que os lobos faziam diante de alguém maior.
Eu não precisei me virar para saber quem era. Mas me virei mesmo assim.
Rafael Alcântara estava parado na entrada. O Alfa Rei.
Eu o tinha visto antes, sempre de longe, sempre no topo de alguma escadaria ou no centro de algum círculo de guerreiros, sempre cercado por aquela aura de poder que fazia as pessoas se moverem ao redor dele como satélites. De perto, ele era pior. Ou melhor. Eu nunca soube qual palavra usar. Alto de uma forma que não era só altura, mas peso — como se ele ocupasse mais espaço no mundo do que o corpo dele de fato ocupava. Cabelos escuros, mandíbula dura, e os olhos. Os olhos eram a parte que ninguém conseguia descrever direito, porque mudavam. Naquele momento eram quase pretos, mas eu tinha ouvido falar que ficavam dourados na lua cheia, dourados como o fim do mundo.
Ele não olhou para Vânia. Olhou para mim.
E aqui estava a coisa estranha, a coisa que eu não entendi naquele dia e que levaria muito tempo para entender: o cheiro dele mudou. Sutil, quase imperceptível, mas eu vi as narinas dele se dilatarem, vi alguma coisa passar pelo rosto dele que eu só consegui nomear muito mais tarde. Naquele momento, eu só achei que ele estava avaliando o defeito. A não-loba. A vergonha da alcateia, ajoelhada entre panelas sujas.
— Você — ele disse. A voz dele era grave, controlada, do jeito de quem nunca precisou levantar o tom porque o mundo inteiro já se cala para escutá-lo. — Como é o seu nome?
Vânia respondeu por mim, ansiosa, servil:
— É a Isadora, meu Rei. A não-loba. Ela cuida da cozinha, da limpeza, das tarefas que...
— Eu não perguntei a você.
A frieza com que ele cortou Vânia fez até eu estremecer. Vânia engoliu o resto da frase e recuou um passo.
Os olhos de Rafael não tinham saído de mim.
— Isadora — ele repetiu, e havia algo no jeito como ele disse o meu nome, algo que eu não consegui decifrar. Como se estivesse testando o peso da palavra na língua. Como se o nome tivesse um sabor.
— Sim — eu disse. — Sou eu.
Ele ficou em silêncio por um tempo longo demais. E então, sem mais nenhuma palavra, virou as costas e saiu.
Eu fiquei ali, no meio das panelas, com o coração batendo de um jeito que eu não soube explicar. Vânia me lançou um último olhar venenoso e foi embora também, murmurando algo sobre como até o Rei perdia tempo com defeitos.
Mas eu mal a ouvi. Porque uma parte de mim — uma parte pequena, idiota, perigosa — tinha ficado presa no jeito como o Alfa Rei tinha dito o meu nome. Como se ele já o conhecesse. Como se estivesse procurando por ele havia muito tempo.
Eu enfiei essa parte de mim no fundo do peito, onde guardava todas as coisas que não podia ter, e voltei a esfregar as panelas.
Não sabia, ainda, que o Conselho dos Anciãos já tinha começado a decidir o meu destino. E que o nome Isadora estava prestes a ser escrito num documento que mudaria tudo.
Últimos Capítulos
#12 Capítulo 12 — A que se Coroou
Última Atualização: 6/19/2026#11 Capítulo 11 — O Julgamento da Alcateia
Última Atualização: 6/19/2026#10 Capítulo 10 — O Preço da Verdade
Última Atualização: 6/19/2026#9 Capítulo 9 — A Cabana do Curandeiro
Última Atualização: 6/19/2026#8 Capítulo 8 — A Fuga
Última Atualização: 6/19/2026#7 Capítulo 7 — O Rei que Não Dormia
Última Atualização: 6/19/2026#6 Capítulo 6 — O que Ficou no Sangue
Última Atualização: 6/19/2026#5 Capítulo 5 — A Pedra da Lua
Última Atualização: 6/19/2026#4 Capítulo 4 — A Casa do Norte
Última Atualização: 6/19/2026#3 Capítulo 3 — O Penhor Vivo
Última Atualização: 6/19/2026
Você Pode Gostar 😍
Grávida de uma Noite só do Meu Chefe Bilionário
Semanas depois, o teste positivo mudou tudo. Sem saber o nome dele e sem qualquer forma de contato, ela engoliu o medo e decidiu criar o filho sozinha na cidade grande.
Quatro anos se passaram. Antonella finalmente conseguiu respirar aliviada ao ser contratada como secretária executiva em uma das maiores multinacionais de Manhattan. O emprego perfeito. A estabilidade que ela tanto buscou. Até a porta da presidência se abrir...
Lorenzo Volkov manda no império. Um homem frio, implacável e avesso a surpresas. Ele também é o homem daquela noite.
Ele não faz ideia de que é pai. Ela sabe que um único deslize pode custar o seu sustento e o segredo que protegeu com unhas e dentes. Mas como esconder a verdade quando a mesa do escritório é pequena demais para a química perigosa que ainda queima entre os dois?
A Bailarina no Morro
Enquanto aprendem a enfrentar as dores do passado, descobrir o valor da confiança e superar preconceitos, eles percebem que o amor verdadeiro nasce dos atos mais sinceros. Entre escolhas difíceis, recomeços e emoções intensas, cada passo revela que até os corações mais feridos podem encontrar um novo motivo para acreditar.
Porque, às vezes, basta um único gesto de amor para transformar vidas e mudar uma história para sempre.
A Esposa Contratual do CEO
Rainha de copas
Mas não seria tão óbvio se não fosse você.
Mais uma feita por mim, com bastante carinho, espero que gostem.
O Preço do Teu Toque
Outras... com sangue.
Quando o império Moretti começa a ruir após um escândalo financeiro que ameaça destruir décadas de poder, Alessandro Moretti recebe uma única saída deixada por seu avô em testamento: casar-se com uma mulher escolhida anos atrás por um acordo entre duas famílias.
O problema?
Ele nunca ouviu falar dela.
Aurora Vasconcelos cresceu acreditando que seu pai morreu devendo favores aos Moretti. Nunca imaginou que sua própria vida fazia parte daquela dívida.
Ela não precisa de marido.
Ele não acredita no amor.
Mas ambos precisam um do outro.
Enquanto aprendem a dividir a mesma cobertura, os mesmos jantares de negócios e o mesmo sobrenome, descobrem que alguém dentro da empresa está manipulando contratos milionários.
E quanto mais perto chegam da verdade...
Mais caro se torna cada toque.
Porque há pessoas dispostas a matar para impedir que esse casamento dê certo.
A Noite Antes de Eu Conhecê-lo
Dois dias depois, entrei no meu estágio e o encontrei sentado atrás da mesa do CEO.
Agora eu busco café para o homem que me fez gemer, e ele age como se eu fosse a pessoa que ultrapassou os limites.
Tudo começou com um desafio. Terminou com o único homem que ela nunca deveria desejar.
June Alexander não planejava dormir com um estranho. Mas na noite em que comemora conseguir o estágio dos seus sonhos, um desafio ousado a leva para os braços de um homem misterioso. Ele é intenso, quieto e inesquecível.
Ela achou que nunca mais o veria.
Até que entra no seu primeiro dia de trabalho—
E descobre que ele é seu novo chefe.
O CEO.
Agora June tem que trabalhar sob o comando do homem com quem compartilhou uma noite imprudente. Hermes Grande é poderoso, frio e completamente proibido. Mas a tensão entre eles não desaparece.
Quanto mais próximos ficam, mais difícil se torna manter seu coração e seus segredos a salvo.
A Jornalista no Morro
Porém os desafios e as armadilhas do coração lhe farão por a prova o que de fato é mais importante na dua vida.
O profissional ou o pessoal?
Qual será a escolha da Estagiária?
Mais uma obra feita por mim, espero que gostem.
Um beijo Nat.
Bastardo Perfeito
"Vai se foder, seu filho da puta!" retruquei, tentando me soltar.
"Diga!" ele rosnou, usando uma mão para segurar meu queixo.
"Você acha que eu sou uma vadia?"
"Então isso é um não?"
"Vá para o inferno!"
"Bom. Era só isso que eu precisava ouvir," ele disse, levantando minha blusa preta com uma mão, expondo meus seios e enviando uma onda de adrenalina pelo meu corpo.
"O que diabos você está fazendo?" ofeguei enquanto ele olhava para meus seios com um sorriso satisfeito.
Ele passou um dedo sobre uma das marcas que ele havia deixado logo abaixo de um dos meus mamilos.
O desgraçado estava admirando as marcas que ele deixou em mim?
"Envolva suas pernas em mim," ele ordenou.
Ele se inclinou o suficiente para pegar meu seio na boca, sugando forte um mamilo. Mordi meu lábio inferior para abafar um gemido enquanto ele mordia, fazendo-me arquear o peito em direção a ele.
"Vou soltar suas mãos; não ouse tentar me parar."
Desgraçado, arrogante e completamente irresistível, o tipo exato de homem com quem Ellie jurou nunca mais se envolver. Mas quando o irmão de sua amiga retorna à cidade, ela se vê perigosamente perto de sucumbir aos seus desejos mais selvagens.
Ela é irritante, inteligente, gostosa, completamente louca, e está deixando Ethan Morgan louco também.
O que começou como um simples jogo agora o atormenta. Ele não consegue tirá-la da cabeça, mas nunca permitirá que alguém entre em seu coração novamente.
Mesmo enquanto ambos lutam com todas as forças contra essa atração ardente, serão capazes de resistir?
Um Gangster em minha Vida
Pedro e Amanda cresceram juntos. Entre brincadeiras de infância, segredos divididos e um juramento feito sob o céu da pequena cidade onde viviam, nasceu um amor silencioso. Eles nunca tiveram coragem de confessar o que sentiam, acreditando que ainda haveria tempo.
Mas o tempo não espera.
Quando a família de Amanda decidiu se mudar, a despedida foi rápida demais. Sem declarações, sem abraços prolongados, sem a chance de dizer "eu te amo". A distância levou cinco anos, e eles seguiram caminhos diferentes, mas o sentimento nunca se apagou.
Cinco anos depois, o destino os coloca frente a frente novamente. Amanda está de volta à cidade onde tudo começou, agora uma mulher madura e determinada. Pedro também mudou, tornou-se um homem respeitado. Mas no fundo, ele sabe que nenhuma outra mulher preencheu o vazio que Amanda deixou.
Basta um único olhar para que todas as lembranças voltem à tona. O que parecia morto pelo tempo renasce com uma intensidade ainda maior. Porém, nem tudo está perdido no passado. Entre mágoas, escolhas difíceis e um reencontro que parece mágica, eles vão descobrir que o amor verdadeiro não enfraquece com o tempo.
Porque algumas promessas não são apenas palavras — são o destino esperando para ser cumprido.
A Noiva do Alfa Mafioso
O Arrependimento do CEO: Os Gêmeos Secretos de Sua Esposa Perdida
Aria Taylor acorda na cama de Blake Morgan, acusada de seduzi-lo. Sua punição? Um contrato de casamento de cinco anos—sua esposa no papel, sua serva na realidade. Enquanto Blake ostenta seu verdadeiro amor Emma nos galas de Manhattan, Aria paga as contas médicas de seu pai com sua dignidade.
Três anos de humilhação. Três anos sendo chamada de filha de assassino—porque o carro de seu pai "acidentalmente" matou um homem poderoso, deixando-o em coma e destruindo sua família.
Agora Aria está grávida do filho de Blake. O bebê que ele jurou que nunca iria querer.
Alguém quer vê-la morta. Trancaram-na em um freezer, sabotaram cada passo seu. É porque seu pai está acordando? Porque alguém está aterrorizado com o que ele pode lembrar?
Sua própria mãe tenta desligar os aparelhos dele. A perfeita Emma de Blake não é quem finge ser. E aquelas memórias que Aria tem de salvar Blake de um incêndio? Todos dizem que são impossíveis.
Mas não são.
À medida que os ataques aumentam, Aria descobre a traição definitiva: A mulher que a criou pode não ser sua verdadeira mãe. O acidente que destruiu sua vida pode ter sido assassinato. E Blake—o homem que a trata como propriedade—pode ser sua única salvação.
Quando seu pai acordar, que segredos ele revelará? Blake descobrirá que sua esposa carrega seu herdeiro antes que alguém a mate? E quando ele souber quem realmente o salvou, quem realmente o drogou, e quem está caçando sua esposa—sua vingança se tornará a redenção dela?
O CEO Acima da Minha Mesa
“Eu sei que precisa.”
“E se ela não quiser esse tipo de proteção?”
“Ela vai querer”, eu digo, baixando um pouco a voz. “Porque ela precisa de um homem que seja capaz de dar o mundo a ela.”
“E se o mundo pegar fogo?”
Minha mão se fecha de leve na cintura de Violet.
“Então eu construo um novo pra ela”, eu respondo. “Mesmo que eu tenha que queimar o velho com as minhas próprias mãos.”
Eu não trabalho para Rowan Ashcroft.
Eu trabalho abaixo dele.
Da minha mesa, eu decido quem consegue acesso ao CEO mais implacável da cidade e quem nunca passa da recepção. Eu administro o tempo dele, o silêncio dele, os inimigos dele. Eu mantenho o mundo dele funcionando enquanto o meu desaba em silêncio sob contas atrasadas, uma mãe internada numa clínica de reabilitação e um irmão que sumiu sem nem se despedir.
Rowan Ashcroft é poder embrulhado num terno sob medida.
Frio. Intocável. Impiedoso.
Ele não flerta. Não sorri. Não enxerga pessoas, só utilidade.
E por muito tempo, eu fui apenas útil.
Até que ele começou a me observar.
No começo, a mudança na atenção dele é sutil. Uma pausa longa demais. Um olhar que se demora. Ordens que me puxam para mais perto em vez de me manterem à distância. O homem que fica de pé acima da minha mesa começa a controlar mais do que a minha agenda, e eu percebo tarde demais que ser notada por Rowan Ashcroft é muito mais perigoso do que ser ignorada.
Porque homens como ele não desejam afeto.
Desejam posse.
Era pra ser só um emprego.
Não um teste dos meus limites.
Não uma descida lenta e calculada para dentro da autoridade dele.
Mas se Rowan Ashcroft decidir que eu pertenço debaixo da mesa dele, que seja.
Sobreviver tem um preço, e as contas não querem saber como eu pago.












