Capítulo 3

Capítulo 3

POV da Valentina

Eu congelei.

Virando devagar, vi Sophia ali perto, acompanhada de cinco ou seis homens.

— Por que você parou de correr? — Ela inclinou a cabeça, com os olhos cheios de deboche. — Você estava até engatinhando direitinho agora há pouco.

Maria estava atrás de mim, pálida feito um fantasma, tremendo.

— Achei que você fosse conseguir ir mais longe do que isso. — Sophia foi se aproximando, despreocupada. — Mas pelo visto é só isso que você tem.

— Co... como você soube... — Eu mal conseguia falar.

— Soube do quê? Que essa vadia queria te ajudar? — Ela apontou para Maria e soltou uma risada fria. — Você acha mesmo que eu não sabia que essa puta estava tentando te ajudar? Tem câmeras em todos os dutos de ventilação.

Meu coração afundou. Desde o começo, aquilo era uma armadilha.

Sophia puxou o celular e discou um número, colocando no viva-voz.

— Oi, mano, tenho uma notícia ótima pra você. — A voz dela ficou enjoativamente doce.

— O que foi? Estou no hospital, a Jennifer está prestes a dar à luz. — A voz cansada de Matteo veio do outro lado.

— Sua querida esposa acabou de tentar fugir — Sophia arrastou as palavras de propósito — e eu peguei ela.

Silêncio na linha.

— Ela tentou fugir? — A voz de Matteo ficou gelada. — Numa hora dessas?

— Sim, e ainda seduziu uma das nossas empregadas pra ajudar. Belo golpe. — Sophia me encarou, passando a língua nos lábios. — Agora ela está ajoelhada na minha frente. O que você acha que eu devo fazer?

— Não! Matteo! Eu não... — Tentei explicar, desesperada.

— CALA A BOCA! — Um dos homens me chutou na cintura, e eu me encolhi de dor.

— Ela ainda está respondendo? — A risada irritada de Matteo saiu pelo telefone. — Ótimo, muito bom. Sophia, faça ela entender o que significa consequência.

— Entendido. — Sophia desligou, com os olhos brilhando de excitação.

— De joelhos! — Os homens chutaram as pernas de Maria.

Maria desabou no chão de pedra, com lágrimas escorrendo: — Por favor, senhorita Torrino... eu tenho uma filha pra criar... ela só tem seis anos...

— Uma filha? — Sophia se agachou e fez um carinho de leve na bochecha de Maria. — Que fofo. Você devia pensar em como ela vai ficar digna de pena sem mãe.

— Por favor, não me mata! — Maria soluçou, em pânico. — Eu faço qualquer coisa!

— Você faz qualquer coisa? — Sophia se levantou com um sorriso cruel. — Então vai morrer.

Ela fez um sinal com a cabeça para o homem que segurava um porrete com cravos. O porrete foi erguido bem alto.

— NÃO— — Eu gritei.

Um baque surdo ecoou pela noite.

A cabeça de Maria explodiu na hora, sangue e pedaços se espalhando para todos os lados. O corpo dela ainda se debateu algumas vezes, depois ficou completamente imóvel.

À luz da lua, a poça de sangue foi se espalhando devagar, uma visão horrível.

— Não... não... não... — Eu rastejei até o corpo de Maria como uma louca. — Maria!

Os olhos dela ainda estavam abertos, as pupilas já dilatadas.

— E aí? — disse Sophia. — Ainda quer fugir?

Eu segurava o corpo da Maria, com a mente completamente em pedaços.

— Levem ela de volta. — Sophia fez um gesto para os homens. — Hora de ensinar uma lição.

Eles me arrastaram de volta para a câmara fria, com o sangue da Maria ainda nas minhas roupas, impregnado daquele cheiro enjoativo, doce demais.

A porta de ferro bateu e se fechou de novo. Sophia tirou uma seringa do kit de primeiros socorros.

— Segunda dose. — Ela lambeu os lábios. — Dessa vez eu mesma vou aplicar.

— Não... — Balancei a cabeça, fraca. — Por favor... o bebê não aguenta...

— Não aguenta? — Sophia se agachou, a agulha dançando diante dos meus olhos. — Então vamos garantir que não precise aguentar.

A agulha perfurou minha veia, e uma droga mais forte do que antes se espalhou pelo meu corpo.

Dessa vez, a dor me atingiu como um tsunami. Eu senti o bebê se debatendo com violência dentro do meu ventre e, então, aos poucos, ficando quieto.

Quieto demais.

— Não... — Apertei a barriga, em pânico. — Mexe... bebê, por favor, mexe...

Nenhuma resposta.

O sangue começou a jorrar por baixo, cada vez mais, mais rápido, sem parar.

— Merda! — Sophia viu o sangue escorrendo e o rosto dela empalideceu na hora. — Por que tem tanto sangue?

Minha consciência começou a se apagar, a visão ficando turva. O sangue encharcou o chão inteiro, gelado como gelo.

— Chamem o Carlo! Rápido! — Sophia gritou. — Ela não pode morrer! O Matteo vai me matar!

Mas já era tarde demais.

Eu me senti caindo num abismo, mais e mais fundo, até ser totalmente engolida pela escuridão.


POV do Matteo

— Força, Jennifer. Faz força mais forte.

Eu segurava a mão dela, vendo o rosto se contorcer de dor.

— Estou vendo a cabeça! — disse o médico, empolgado. — Mais uma força!

Jennifer soltou um último grito e, então, o quarto inteiro ficou em silêncio.

Alguns segundos depois, o choro claro de um bebê preencheu o ar.

— É um menino! — anunciou o médico, feliz. — Um menino saudável!

Eu olhei para aquela coisinha enrugada, com emoções conflitantes me invadindo. O filho do Lorenzo, o herdeiro da família Torrino.

— Ele parece com o Lorenzo. — Jennifer sorriu, exausta. — Olha esse nariz...

E parecia mesmo. Aquele nariz pequeno, o contorno do queixo... era igual ao do meu irmão morto.

Eu soltei um suspiro de alívio e peguei o celular para ligar para a propriedade. Agora que Jennifer tinha dado à luz, era hora de mandar alguém trazer a Valentina para o hospital.

Assim que a ligação completou, a voz desesperada do Carlo veio do outro lado.

— Chefe...

— Traga ela pra cá. — eu disse, seco. — A Jennifer já teve o bebê.

Silêncio.

— Valentina... — a voz do Carlo tremia. — Ela... ela morreu.

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