Capítulo 4

George cambaleou para fora do quarto de Stella, em pânico.

Quando viu a caixa com o relógio que ele tinha pensado em me dar, o rosto ainda estava vermelho por causa do beijo recente entre eles.

— Droga!

Ele rasgou a embalagem com violência e ficou encarando o relógio. No segundo seguinte, levantou o braço e o arremessou no chão com toda a força.

Mas não bastou. George surtou, pisoteando os pedaços do relógio de novo e de novo. Uma vez, duas, três. O visor ficou completamente estilhaçado.

Depois de descarregar a raiva, ele me deixou uma mensagem de voz. “Diana, você é uma mulher cruel! E pensar que eu ainda estava pensando em você, preparando esse relógio especialmente. Você não merece! Seus pais estão tão abalados que estão quase desmaiando. Se você não voltar e pedir desculpas, vamos conversar sobre cancelar o nosso noivado!”

Os xingamentos dele já não conseguiam me atingir. Minhas emoções tinham morrido por completo.

Em vez disso, eu apenas olhei, com calma, na direção do quarto de Stella.

Stella já tinha queimado todas as partituras originais que roubou de mim.

Mas, sem as minhas melodias para roubar, o que ela criaria depois?

E quando esse momento chegasse, será que eles ainda a amariam incondicionalmente?

Eu já estava morta, enquanto o pesadelo dela mal tinha começado.

Essa festa de aniversário talvez fosse a última comemoração dela.

Isso, sim, merecia ser comemorado, eu achei.

Às sete da noite, a sala de estar da mansão começou a ficar movimentada. Os convidados chegaram um após o outro, cada um trazendo presentes sofisticados e sorrisos cheios de elogios.

— Stella, feliz aniversário!

— Ouvi dizer que sua última composição ganhou mais um prêmio… que maravilha!

— Você é simplesmente uma compositora genial!

Mas ninguém mencionou meu nome.

Então a governanta, Rena, se aproximou e, olhando ao redor, perguntou:

— Cadê a senhorita Diana? Hoje também é aniversário dela.

Na hora, o clima ficou constrangedor.

Meu pai pousou a taça de vinho e disse, gelado:

— Ela morreu!

Todos os convidados ficaram paralisados. Stella se apressou em consertar:

— Pai, para com isso, não brinca com uma coisa dessas. A minha irmã teve um compromisso hoje. A gente se reúne outro dia.

Mas Rena não tirava os olhos de Stella.

Ela se lembrava da cena que tinha presenciado anos atrás — quando, de repente, eu tive um ataque no coração, caí no chão de dor, com a mão tremendo estendida em direção ao frasco do remédio. E Stella apenas ficou ali, fria, me vendo lutar, empurrando o frasco ainda mais para longe de propósito.

Por causa desse episódio, Stella armou para Rena, acusando-a de “roubo”, e fez com que meu pai a expulsasse de casa por um ano inteiro.

Depois que voltou para aquela casa, Stella encarava Rena com ódio sempre que a via. Como agora.

A conversa na sala rapidamente engoliu aquele constrangimento. George estava de pé, conversando com alguns produtores de música.

— É uma pena aquelas partituras terem sido destruídas — disse um homem, balançando a cabeça, arrependido. — Mas a Diana tem um talento criativo incrível, com certeza vai compor coisas ainda melhores. Quem sente inveja dela, no fim, vai ser consumido pela própria maldade.

Os elogios dos convidados deixaram meus pais satisfeitos.

Meu pai ergueu a taça:

— Claro! A Stella nasceu artista. Aqueles idiotas sem talento nem merecem ser comparados a ela.

Mamãe retomou a conversa, lançando um olhar cheio de significado para George: “A verdadeira vergonha é um homem tão excelente como o George ter sido atrasado pela pessoa errada. Se dependesse de mim, ele já devia estar com a Stella há muito tempo — aí sim seria o casal perfeito.”

Ela deu um tapinha no ombro de George: “Meu filho, você ainda é jovem. Ainda dá tempo de fazer a escolha certa. Uma garota como a Stella vale a vida inteira.”

Stella corou e repreendeu a mãe, brincando: “Mãe, para de falar besteira.”

Em seguida, ela lançou um olhar, às escondidas, cheio de expectativa para George.

George apenas tomou um gole de vinho em silêncio, sem se posicionar. Mas logo seus verdadeiros sentimentos seriam mostrados naquele presente especial.

Logo chegou a hora dos presentes. George tirou uma caixinha do bolso, e todos os convidados se juntaram ao redor.

“O que é isso?” perguntou Stella, fingindo surpresa.

George olhou para ela com carinho: “Isso é uma herança da minha avó, guardada para a minha futura esposa.”

Ele abriu a caixa, revelando o relógio de bolso antigo da família.

“George...” Stella levou a mão à boca, com os olhos cheios de lágrimas.

Os convidados ao redor soltaram exclamações comovidas, admirados.

Meu coração morreu de vez.

Aquele relógio era para ser meu. George tinha prometido incontáveis vezes que me daria no nosso casamento.

Depois de um tempo, Stella notou uma caixinha de presente colocada ao lado do piano, com uma etiqueta escrito: “De Diana”.

“O que é isso?” ela perguntou, apontando para o presente.

Papai correu imediatamente até lá, arrancou a caixinha com brutalidade e a jogou para o lado: “Quem sabe que truques ela está tentando aprontar? Deve ser alguma coisa nojenta!”

A caixinha rolou pelo chão, e ouviu-se um som leve de algo quebrando lá dentro.

Naquele instante, eu entendi completamente como eu era aos olhos deles. Dei um sorriso amargo e me virei.

De repente, nosso golden retriever, Max, começou a agir de um jeito estranho. Ele andava de um lado para o outro na sala, inquieto, farejando o ar, e então começou a latir de forma desesperada na direção do depósito.

“O que deu no Max?” perguntou um convidado.

“Au! Au au!” Os latidos do Max ficaram cada vez mais urgentes. Ele tentava a todo custo correr para o depósito, mas George o segurava.

Eu sabia o motivo. Meu corpo já tinha começado a exalar cheiro de podridão, e o faro de um cachorro é muito mais sensível do que o de um ser humano.

Rena franziu a testa: “Pode ter alguma coisa errada no depósito. Eu vou olhar.”

Stella agarrou o braço de George depressa: “Não vai. Deve ser só rato ou alguma coisa assim. Vamos continuar a comemorar.”

George disse, firme: “Hoje é seu aniversário. Eu quero que tudo esteja perfeito.”

Os latidos do Max aumentaram. Ele se soltou do George e disparou, desesperado, em direção ao depósito.

George foi atrás sem hesitar. Quanto mais ele se aproximava do depósito, mais forte ficava o fedor de decomposição.

Vendo isso, Stella tentou impedi-lo.

Mas Rena já estava desconfiada. Ela pisou de propósito no vestido de Stella, fazendo com que ela caísse com força.

Ouvindo a confusão, meus pais também se aproximaram.

Max avançou na frente e começou a arranhar a porta freneticamente.

“Que diabos é esse cheiro?” George tapou o nariz e abriu a porta do depósito.

Na escuridão, Max foi direto até o meu corpo sem vida e começou a arrastá-lo para fora.

“Meu Deus...” A voz de George tremeu.

Ele me viu.

“D-Diana!” George gritou, desabando.

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