Capítulo 3

O peito de Chloe se abriu num choque de vermelho vivo.

Só então reparei no vestido que ela estava usando — o vestido cor de champanhe que eu tinha usado no baile beneficente do ano passado.

— Chloe! — o rosto de Mark ficou mortalmente pálido num instante.

Papai correu para a frente logo atrás dele. — O que está acontecendo? Como pode ter agulhas no vestido?

O olhar de mamãe permaneceu no vestido por um momento. — Esse vestido... não é o da Elena?

Chloe mordeu o lábio inferior, as lágrimas escorrendo dos olhos. — Mãe, por favor, não culpem ela. Ela disse que não queria mais e me deu... Eu só fico feliz por ter qualquer coisa que minha irmã me dê. Por favor, não culpem ela — talvez ela não soubesse que tinha alguma coisa aí dentro.

Num instante, os rostos de papai e de Mark se fecharam.

Eu nunca tinha dado aquele vestido para Chloe.

Ele estava pendurado em segurança no meu armário o tempo todo. Chloe claramente o roubara do meu quarto.

— Cruel! — o rosto de mamãe ficou vermelho de raiva. — Como ela pôde fazer uma coisa tão cruel! Ela está tentando matar a Chloe?

Mark apertou Chloe com mais força, a testa franzida enquanto examinava o ferimento. — Não é profundo, mas ainda precisa de tratamento. — Ele levantou os olhos para meus pais. — Vou levar a Chloe ao hospital.

— Eu também vou. — Mamãe se apressou em apoiar Chloe do outro lado.

O braço de Mark ficou firme em volta de Chloe, mamãe continuou consolando-a, e papai foi buscar o carro.

Quando o carro saiu da mansão, eu fui junto, sobre o banco de trás. Mamãe acariciava o cabelo de Chloe, mas seu tom era gélido. — Quando aquela menina ousar voltar, vou mandar ela direto de volta para o orfanato. Dessa vez ela passou dos limites.

— Eu mesmo vou jogar as coisas dela fora. — As mãos de papai apertavam o volante, as veias saltadas. — Que ingrata miserável.

Mark encarou em silêncio a paisagem pela janela. Não disse nada. Mas também não se opôs.

Depois de três dias no hospital com Chloe, eles voltaram para casa.

A governanta, Martha, estava no saguão, com uma expressão inquieta. — Senhor, senhora... a senhorita Elena não voltou para casa há três dias.

— Não voltou? — Mamãe soltou uma risada fria. — Fugindo de culpa, imagino. Eu sabia que ela não teria coragem de encarar o que fez.

— Talvez ela não se importe nem um pouco com a vida da Chloe. — Papai afrouxou a gravata, a voz pingando de decepção descarada. — Perdemos tempo criando aquela filha.

Chloe apareceu, com o rosto pálido e o braço enfaixado. Parecia fraca e frágil, como uma flor queimada pela geada. — Pai, mãe, talvez ela só... precise de um tempo para se acalmar. Ela pode estar se sentindo culpada e não sabe como nos encarar.

— Você ainda está defendendo ela! — Mamãe abraçou Chloe, com o coração apertado. — Você é boa demais. Ela vive te maltratando.

Martha enfim não conseguiu se conter. — Senhora, a Elena não é esse tipo de pessoa. Ela não faria uma coisa dessas.

Martha era a única pessoa nesta casa que realmente se importava comigo, a única que escondido assava um bolinho para mim no meu aniversário.

O cômodo, de repente, ficou em silêncio.

Chloe virou a cabeça devagar. Aqueles olhos gentis ficaram frios e cruéis no instante em que se fixaram em Martha.

O rosto de Martha empalideceu na hora, e ela instintivamente deu um passo para trás.

Três anos antes, no inverno, Chloe tinha me empurrado da escada. Eu rolei por mais de uma dúzia de degraus e quebrei três costelas. Martha, por acaso, passava e viu tudo.

No dia seguinte, Chloe contou aos meus pais que Martha havia roubado as joias dela. Quando a polícia revistou, encontrou o colar no quarto de Martha — plantado ali por Chloe, claro.

Eu me ajoelhei do lado de fora do escritório do papai por três dias inteiros antes de deixarem Martha ficar.

Agora, Martha abaixou a cabeça e não disse mais nada.

— A Elena nem ligou uma vez em três dias — disse mamãe. — Ela só está com medo.

— Ela sempre foi assim: egoísta e centrada em si mesma — papai concordou. — Fomos generosos até demais ao trazê-la de volta do orfanato.

Eu flutuava ali, ouvindo-os me culpar por coisas que eu nunca tinha feito.

Eu me perdi quando tinha cinco anos e cresci num orfanato. Quando me encontraram mais tarde, descobri que esta família já tinha Chloe — alguém que parecia mais filha deles do que eu jamais conseguiria ser.

Eu achava que o sangue traria pertencimento. Que o esforço renderia reconhecimento. Que, se eu fosse boa o bastante, excelente o bastante, finalmente me veriam.

Mas a verdade era que, aos olhos deles, eu sempre fui só aquele fardo do orfanato, enquanto Chloe era a filha de verdade.

— Talvez eu deva ir atrás dela — Mark se levantou de repente, o rosto mostrando irritação. — Sumir por três dias... que tipo de birra ela está fazendo?

— Não. — Chloe agarrou a mão dele depressa. — Quer dizer... quando ela se acalmar, ela volta naturalmente.

Mark hesitou, então se sentou de novo. — Você tem razão. Eu não vou alimentar esse comportamento infantil.

Nesse instante, o celular de papai tocou de repente.

Ele franziu a testa ao atender.

— Polícia? — O tom dele carregava confusão e impaciência. — Sim, aqui é Richard Vance... O quê? O que você disse?

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