Sua vida ou sua liberdade?
Dentro da suíte de Salvatore, o ar estava cheio de fumaça. À medida que ela se dissipava lentamente, a figura de um homem alto sentado no sofá começou a aparecer. Ele cruzou as pernas com elegância, soltando fumaça pela boca com uma aura tão mortal quanto ele. Com seus cabelos negros como tinta, olhos estreitos e nariz pontudo, ele encarnava a definição perfeita de um Deus Grego. Sua figura musculosa e as tatuagens adornando seu braço direito só aumentavam seu perigoso charme.
Uma batida na porta interrompeu seu momento solitário. "Entre," a voz de Salvatore ressoou pelo quarto.
Ponce, seu aliado mais próximo, entrou na sala com sua expressão fria de costume. Caminhando em direção a Aurelio, ele compartilhou a atualização sobre a missão bem-sucedida dada a Callixta. "Salvatore, a missão que você deu à Callixta foi um sucesso. O ladrão foi capturado, e descobrimos que é uma garota," relatou Ponce.
Salvatore sorriu, exalando fumaça pelos lábios. "O Padrinho ainda está em sua viagem à Espanha, então você está no comando. O que devemos fazer com ela?" Ponce perguntou.
"Ela será alimentada aos tigres ao meio-dia," respondeu Salvatore com um tom sinistro, e Ponce assentiu em reconhecimento.
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Dahlia abriu os olhos lentamente, semicerrando-os contra o brilho do sol. À medida que seus olhos se ajustavam, ela percebeu que estava em uma arena, acorrentada com uma grande jaula à sua frente. Um gemido escapou de seus lábios enquanto ela tentava mover as mãos, apenas para descobrir que estavam imobilizadas pelas correntes. O som das vozes dos homens chamou sua atenção, e ela arregalou os olhos ao notar seus olhares ameaçadores.
Antes que pudesse processar completamente seu entorno, um chicote atingiu suas costas, arrancando um grito de dor. Callixta, a mulher mais forte da máfia do clã, aproximou-se dela com um sorriso cruel. Ela havia ganhado o nome de "Dama de Ferro" por ter sido treinada junto com Salvatore pelo próprio Padrinho. Apenas Callixta e Ponce chamavam Salvatore pelo nome.
"Você vai se arrepender de ter feito isso, sua coisa feia," zombou Cheetah, desferindo outro golpe com o chicote. A força do golpe rasgou o vestido branco de Dahlia, deixando uma ferida dolorosa. Callixta então agarrou seu cabelo, puxando sua cabeça para trás, e cortou seu rosto com o chicote, deixando um corte longo e feio em sua bochecha.
Lágrimas escaparam dos olhos de Dahlia e desceram por suas bochechas.
"Não fui eu, juro por tudo que me é querido. Eu não roubei de vocês, por favor, me poupem," Dahlia chorou, mas suas palavras foram recebidas com um soco que atingiu seu rosto impiedosamente.
Uma garota entrou na arena cantarolando e seus olhos percorreram o local até avistarem um rapaz que se parecia bastante com ela. Com um aceno, ela caminhou até ele e se sentou ao seu lado. Ela era Kat Cirino, uma hacker incrivelmente inteligente e gênio da computação, e aos dezenove anos, liderava os hackers do clã, sempre com um sorriso brilhante no rosto que acentuava suas covinhas.
"Pensei que ia perder a execução," ela disse.
"Eu esperava que não. O ladrão acabou sendo uma garota e a situação está ficando ainda mais interessante," disse Killian, seu irmão gêmeo. Ele era um excelente atirador que nunca errava ninguém ou qualquer coisa em que treinava seus snipers.
"Isso é tão triste. Ela é muito bonita para morrer tão jovem," Kat fez beicinho, e seu irmão revirou os olhos, observando o quão ansiosa ela estava para ver o que iria acontecer.
"Você não pode esperar que alguém tenha misericórdia dela só porque é jovem e bonita. A pena pelo que ela fez é a morte, que deve ser aplicada a ela," retrucou Killian com um sorriso. "Ela é realmente sexy, é uma pena."
"Está quase na hora de alimentar os tigres," disse Kat, tentando desviar a conversa.
Dahlia gritou de dor quando mais uma chicotada atingiu seu vestido já rasgado e ensanguentado, a tortura parecia interminável.
"São 11:58," disse Callixta, instruindo um dos homens, "Solte os tigres quando eu mandar." O medo apertou o coração de Dahlia e ela começou a lutar contra suas amarras.
Ela levantou a cabeça e se viu olhando para uma jaula que abrigava dois tigres famintos que andavam de um lado para o outro, ansiosos para serem soltos.
Lágrimas escorriam por seu rosto. Como ela acabou nessa situação? Será que esse seria realmente o fim para ela?
"O chefe está aqui," anunciou um dos mafiosos, fazendo todos se levantarem enquanto Salvatore entrava na sala, acompanhado de perto por Ponce.
O olhar frio de Salvatore varreu a sala, sua expressão entediada fazendo todos se sentirem insignificantes. Ele tomou seu tempo, caminhando lentamente até o assento reservado para ele. Seus olhos preguiçosos pousaram em Dahlia e suas sobrancelhas se levantaram ligeiramente. Ele se lembrou da garota vendendo sorvete que havia encontrado mais cedo.
"É ela," ele pensou.
"É meio-dia. Soltem os tigres," declarou Callixta, e o capanga começou a destrancar a jaula. Dahlia fechou os olhos com força, preparada para o que estava por vir.
De repente, um tiro ecoou e o homem que estava no processo de abrir a jaula gritou de dor, segurando sua mão ferida. Salvatore havia disparado a arma, salvando Dahlia do perigo iminente.
Todos os olhos se voltaram para Salvatore enquanto ele se levantava e caminhava lentamente em direção a Dahlia. Um silêncio tomou conta da multidão.
"Salvatore..." Callixta sussurrou, mas ele não prestou atenção, focando apenas em Dahlia. Ele se agachou na frente dela e gentilmente levantou seu rosto ensanguentado com o dedo.
Salvatore a olhou com um leve sorriso nos lábios. Ele não sabia por quê, mas algo nela o intrigava, fazia com que ele a quisesse.
Dahlia não pôde deixar de tremer de medo. A intensidade de sua presença era avassaladora e intimidante.
"Vou poupar sua vida, mas apenas sob uma condição," ele murmurou.
Dahlia o encarou com olhos arregalados. Poderia ele ser seu salvador? Aquele que a salvaria dessa calamidade? Suas orações desesperadas finalmente seriam atendidas?
Um brilho de esperança apareceu em seus olhos, mas esse raio de esperança foi imediatamente esmagado pelas próximas palavras que saíram de sua boca.
"Você se tornará minha propriedade, minha posse. Farei o que quiser com você, a qualquer hora, em qualquer lugar..." Salvatore disse, monitorando sua expressão enquanto seus olhos se arregalavam.
"Então, o que vai ser? Sua vida ou sua liberdade?"
