Capítulo 3
"O que isso tem a ver comigo?" Virei de costas e continuei arrumando minha mala.
Lucas de repente se inclinou até o meu ouvido, a voz dele baixando para um sussurro quase inaudível: "Você também renasceu, não foi? Para de fingir!"
Meu coração falhou uma batida, mas eu mantive a expressão fria: "Renasci ou não, que diferença isso faz?"
"Elena, eu sei que te machuquei na nossa vida passada..." A dor relampejou nos olhos de Lucas. "Eu..."
"Depois de todo esse tempo, é só isso que você tem pra dizer?" interrompi.
Lucas me abraçou de repente, apertando tão forte que eu mal conseguia respirar: "Eu juro! Essa vai ser a última vez que você vai passar por uma dor dessas! Só vem com a gente pra salvar a Sarah."
Eu o empurrei com toda a força: "Você não tá vendo que isso tudo foi armação dela do começo ao fim?!"
Os olhos de Lucas desviaram: "Eu... eu não sei..."
Não sabe, ou tá se fazendo de bobo?
Kieran insistiu, impaciente: "Para de enrolar! A Sarah não pode esperar muito mais!"
Quando chegamos às profundezas da Floresta Proibida, a cena diante de nós fez todo mundo prender o fôlego de horror. Sarah estava presa num antigo altar de sangue, cercada por incontáveis lobos-sombra que rodavam ao redor dela.
"Me salva... por favor, me salva..." A voz dela estava fraca e trêmula.
Os lobos-sombra continuavam se aproximando, mas pareciam barrados por alguma força, incapazes de atacar Sarah diretamente.
Lucas ia avançar quando, de repente, uma voz sinistra ecoou.
"Eu não aconselharia nenhum movimento precipitado."
Uma figura alta saiu das sombras — Viktor, o líder dos lobos renegados.
"As regras do altar de sangue", Viktor zombou, "pra salvá-la, alguém com sangue de Alfa tem que tomar o lugar dela."
Lucas ficou em choque: "O quê?!"
"Senão, quando a lua de sangue atingir o auge, ela vai ser despedaçada."
O olhar de Lucas foi lentamente parar em mim, uma hesitação terrível tremeluzindo nos olhos dele.
Eu senti meu sangue gelar aos poucos, até que Lucas falou devagar: "A Elena também tem linhagem de Alfa..."
Viktor nos observou com interesse: "Ah, é? Política de matilha?"
"Foi a frieza da Elena que fez a Sarah correr desesperada pra dentro da Floresta Proibida!" Kieran retrucou, a voz cada vez mais alterada. "O justo é a Elena assumir a responsabilidade!"
Ao ouvir isso, Lucas cerrou os punhos com força, mas não contestou.
Meu coração afundou de vez. Mais uma vez, ele estava aceitando a minha morte.
A voz chorosa de Sarah veio: "Lucas... eu não quero morrer... por favor, me salva..."
A lua de sangue subia cada vez mais alto, e os lobos-sombra uivavam sem parar.
Aquele som terminou de virar a cabeça de Lucas.
Ele se virou pra mim, a voz suplicante: "Elena, vai salvar a Sarah. Eu prometo que vou dar um jeito de te resgatar."
Eu forcei um sorriso torto: "Você quer que eu morra pra salvar ela?"
"Eu vou te salvar, eu juro!" Os olhos de Lucas estavam cheios de uma culpa fingida.
Viktor zombou, impaciente:
— Qual é o drama? De qualquer jeito alguém vai morrer.
De repente, vários lobos renegados me agarraram e, à força, me empurraram na direção do altar da Lua de Sangue.
— Não! — agarrei o pulso do Lucas, com as unhas cravando fundo na pele dele. — Você vai mesmo ficar aí vendo eu morrer?!
Lucas estendeu a mão para impedir, mas Sarah gritou do altar, estendendo a mão para ele:
— Lucas... me salva...
Aquele pedido fez Lucas soltar a minha mão sem hesitar.
O conflito no olhar dele sumiu quando ele se virou para Sarah:
— A Sarah não pode morrer.
De novo. De novo ele escolheu ela.
— Então você vai me sacrificar? — eu ri, em desespero.
Lucas já não olhava mais para mim; toda a atenção dele estava em Sarah.
Os lobos renegados me empurraram até o altar da Lua de Sangue. Eu não resisti.
Afinal, eu também morri assim na minha vida passada. Que diferença faria nesta?
Caminhei devagar até o centro do altar, com a luz prateada da lua banhando meu corpo.
— Elena! — Lucas se chocou e quis correr até mim.
Agora ele finge que se importa?
Viktor abriu um sorriso de deboche ao bloquear o caminho dele:
— Tarde demais. O ritual já começou.
A Lua de Sangue subiu lentamente, e eu fiquei no centro do altar, deixando aquela luz vermelha e sinistra envolver meu corpo inteiro.
— Não... não... — Sarah se arrastou, fraca, da borda do altar. — Elena, me desculpa... a culpa é toda minha...
O corpo dela cambaleava, instável, claramente exausta.
— Sarah! — Lucas correu na hora para ampará-la.
Kieran também se apressou:
— Ela precisa de tratamento imediato!
— E a Elena? — Lucas olhou de volta para mim, com os olhos cheios de dor.
Viktor abriu um sorriso ameaçador:
— O sacrifício da Lua de Sangue não pode ser interrompido. Não tem mais volta.
Lucas olhou para Sarah, enfraquecida, nos braços dele; depois, para mim, presa no centro do altar.
A Lua de Sangue subia cada vez mais, e a respiração de Sarah ficava cada vez mais fraca.
Por fim, Lucas cerrou os dentes e fez sua escolha:
— Vamos levar a Sarah de volta primeiro!
Claro.
— Elena, eu vou voltar com certeza pra te salvar! — ele gritou, com a voz rouca.
Kieran pegou Sarah no colo e desapareceu na noite da Floresta Proibida.
A Lua de Sangue alcançou o zênite, e eu permaneci no centro do altar, totalmente cercada pela luz vermelha e sinistra.
Lucas ficou na beira da floresta e se virou para me olhar uma última vez.
Do ponto de vista de Lucas, ao partir, eu já tinha sido completamente consumida pelo ritual de sacrifício da Lua de Sangue.
Mas, no fim, ele ainda se virou e foi embora sem olhar para trás, como tinha feito na nossa vida anterior.
Só depois que a silhueta dele sumiu por completo foi que eu falei devagar:
— Beta Viktor, inicie o ritual de rompimento do vínculo de companheiros.
Viktor deu um passo à frente, respeitoso:
— Às suas ordens, Rainha Luna.
