Capítulo 11 Fuga fracassada
O colapso de Blair veio sem aviso, pegando todos de surpresa.
Na verdade, a pressão sobre seus nervos vinha causando apagões repentinos nos últimos seis meses. Foi por isso que ela havia sido internada no hospital, onde permaneceu por meses. Ela só teve permissão para sair brevemente no seu aniversário e, após a comemoração, Rufus fez questão de trazê-la de volta pessoalmente.
Para aliviar a ansiedade dela, Rufus praticamente deixou de ir ao Grupo Chapman, passando quase todos os dias ao seu lado. Sua devoção a Blair era evidente.
— O estado da Srta. Ember é crítico. A melhor opção é uma cirurgia imediata de transplante de rim.
Após meia hora de exames, a equipe de especialistas deu seu veredito final a Rufus.
— Além disso, os resultados de compatibilidade saíram. A triagem genética da Sra. Thorne é perfeitamente compatível, o que significa que, se a Sra. Thorne doar um rim para a Srta. Ember, o risco de rejeição será mínimo.
As palavras soaram tanto como um fato médico quanto como uma exigência, forçando Rufus a fazer sua escolha.
A atenção de Rufus se voltou diretamente para Cecilia.
Àquela altura, Leroy já havia sido escoltado para fora por Noah, deixando apenas Rufus, Cecilia e Blair — inconsciente e respirando por aparelhos — no quarto.
Cecilia balançava a cabeça sem parar, desesperada para despertar qualquer traço de misericórdia nele.
— Rufus, eu não estou mentindo. Meu corpo não suportaria uma cirurgia de transplante... Eu vou morrer naquela mesa de cirurgia. — Sua voz tremia, o rosto contorcido de dor e desespero.
Se pudesse, ela queria viver. Nem que fosse por Patrick, ela queria viver.
Ela era de carne e osso, um coração que batia — não o banco de órgãos pessoal de Blair.
Mas Rufus continuava convencido de que ela estava se recusando por ciúmes. A doença dela, ele decidiu, era apenas mais uma desculpa.
Afinal, Cecilia já havia tentado fazê-lo acreditar que a garotinha que ele conhecera anos atrás no Horizon Hope era ela.
Portanto, diante das súplicas de Cecilia, Rufus respondeu apenas com uma fria convicção:
— É isso que você deve a Blair. Depois disso, vocês estarão quites.
Cecilia desabou. Ela nem sequer sabia que dívida supostamente tinha com Blair.
Seria por ter assumido o título de esposa de Rufus? Haviam armado para ela — por que ninguém nunca ouvia a sua versão da história?
Rufus não lhe deu a chance de falar. Bastou um olhar, e seus guarda-costas entraram, arrastando-a de volta para o quarto do hospital. Aquilo era um cárcere.
O próprio Noah veio confiscar todos os seus aparelhos de comunicação.
Ao se deparar com o olhar furioso de Cecilia, Noah limitou-se a dizer:
— Sinto muito, Sra. Thorne. Esta é uma ordem do Sr. Chapman.
Que absurdo — seu próprio marido a estava trancafiando, determinado a obrigá-la a doar um órgão para a amante dele. Mesmo que isso a matasse.
Rufus sempre se importou apenas com Blair.
Cecilia até pensou em fugir, mas Rufus havia sido meticuloso desta vez. Guarda-costas montavam guarda do lado de fora da porta. No instante em que ela a abrisse, eles bloqueariam seu caminho — sem insultos, sem tentativas de persuasão, apenas como uma muralha implacável.
"Você não tem o direito de me manter aqui." A voz de Cecilia estava áspera enquanto ela cravava os olhos no homem à sua frente. "Onde está o Rufus? Eu quero vê-lo."
Ele abaixou o olhar, evitando o desespero nos olhos dela. "Srta. Thorne, por favor, não torne as coisas mais difíceis para nós. Estamos apenas seguindo ordens. O Sr. Chapman disse que, contanto que a senhora fique no quarto, tudo o que quiser será trazido até aqui."
Mesmo agora, Rufus achava que pequenos confortos poderiam enfraquecer a determinação dela. Cecilia achou aquilo ridículo.
Ela fechou a porta e voltou a se deitar na cama.
Sem poder para mudar sua situação, ela fechou os olhos. O que os olhos não veem, o coração não sente.
Para quem visse de fora, poderia parecer que ela havia aceitado seu destino.
Mas Cecilia sabia que não.
Meia-noite. Fossem os médicos fazendo a ronda ou os seguranças entregando a comida, ela cooperava perfeitamente. Aos poucos, os homens lá fora baixaram a guarda.
O que eles não sabiam é que Cecilia vinha estudando silenciosamente os horários de troca de turno.
Às três da manhã, quando a exaustão chegava ao limite, os seguranças trocaram de posto uma última vez. Ela podia ouvi-los bocejando.
Ela agarrou a oportunidade e esgueirou-se para o banheiro.
A janela se abriu, revelando a entrada dos fundos do hospital lá embaixo.
A queda do segundo andar era de quase três metros — o suficiente para machucar qualquer pessoa sem treinamento.
Ela tinha um plano, mas planos são uma coisa e a realidade é outra. Olhando para a distância, ela engoliu em seco.
O ar da noite esfriou sua cabeça. Ela pensou em muitas coisas.
Melhor arriscar se machucar do que morrer em uma mesa de cirurgia. Aquela morte seria humilhante demais... uma rendição completa.
Ela contou até três, fechou os olhos e pulou.
Um gemido abafado escapou, e ela tapou a boca com a mão. Uma dor lancinante atravessou seu tornozelo — uma dor aguda e latejante. Podia ser uma torção, talvez uma fratura. As lágrimas marejaram seus olhos.
A chuva caía sem parar, e àquela hora a entrada dos fundos estava deserta.
Ela não ousou ficar ali. Olhando em volta para garantir que não havia ninguém por perto, forçou-se a levantar.
Um único pensamento ocupava sua mente: fugir.
Ela trincou os dentes, arrastando a perna machucada em direção ao portão dos fundos.
Cada passo rumo à liberdade alargava o sorriso em seu rosto.
Mais rápido... só um pouco mais rápido, e ela estaria livre daquela gaiola. Até a dor no tornozelo parecia diminuir.
A chuva batia em seu rosto, mas ela não se importava.
Ela estava a um passo da saída quando um guarda-chuva preto apareceu sobre sua cabeça, bloqueando a chuva fria.
Seu corpo gelou. Todos os seus pelos se arrepiaram.
Lentamente, ela virou a cabeça — e se viu encarando o rosto que ela ao mesmo tempo amava e odiava.
"Cecilia, por que você não aprende? Se encontrar às escondidas com outros homens não foi o bastante... agora você está tentando fugir."
