Capítulo 5 Divórcio

— Já que você se deu a todo esse trabalho, vou lhe dar o que quer — disse Rufus, com a voz grave e fria como aço.

Ele agarrou os pulsos de Cecilia com um aperto implacável e arrancou suas roupas com uma força que não deixava margem para recusa.

A boca fria e implacável dele tomou a dela, a dominância irradiando de cada movimento.

Cada palavra de protesto, cada súplica, ficou presa na garganta de Cecilia, sufocada antes que pudesse escapar.

Se Rufus tivesse olhado bem para o rosto dela naquele momento, teria visto o desespero e a dor queimando em seus olhos. Mas ele não o fez. Na cabeça dele, aquilo não passava de mais um jogo calculado de sedução.

Desta vez, no entanto, Cecilia realmente não queria nenhum contato com ele. A violência da noite anterior ainda persistia em seu corpo — sua vagina latejava com uma dor surda, seu estômago revirava e um gosto metálico de sangue subia pela sua garganta.

Sua mente e seu corpo recuavam diante dele.

Ela se encheu de coragem e mordeu os lábios de Rufus, forte o bastante para fazê-lo puxar o ar com força.

Naquele instante de distração, ela tentou empurrá-lo com as mãos trêmulas. Durante o embate, a palma da mão dela atingiu o rosto dele em um tapa seco e sonoro.

As marcas nítidas de cinco dedos floresceram em sua pele, e o rosto dele virou bruscamente para o lado. Por um longo momento, ele não se moveu.

Rufus Chapman — onde quer que fosse, o mundo se curvava a ele. Ele nunca havia sido tratado daquela maneira.

— Me desculpe... Foi sem querer — disse Cecilia assim que se viu livre, recuando, com os braços cruzados firmemente sobre o peito como um escudo protetor. Sua voz falhou ao tentar se desculpar.

Rufus pressionou a língua contra o interior da bochecha e, em seguida, soltou uma risada baixa e sem humor.

— Você ficou muito ousada.

As palavras não carregavam nenhuma emoção clara, mas, combinadas com a sombra em seus olhos, pesaram sobre ela como um fardo.

Cecilia se preparou para uma retaliação mais severa, mas, em vez disso, a rebeldia dela pareceu apagar o fogo dele. Em sua concepção, forçar uma mulher era algo indigno dele.

Ele sequer mencionou o tapa. Em vez disso, disse apenas: "Concentre-se em melhorar", e saiu do quarto.

Ela não precisava adivinhar para onde ele estava indo — ele ia visitar Blair.

Duas jovens enfermeiras passaram pela porta bem na hora em que Rufus saiu. Uma delas, que usava uma presilha no cabelo, sussurrou em tom de fofoca:

— Aquele é o aristocrata que a enfermeira-chefe comentou, não é? Ele é tão jovem e lindo... se ele olhasse para mim, acho que eu desmaiaria!

A outra revirou os olhos.

— Fala sério. Você deveria focar no seu plantão em vez de ficar sonhando acordada. Ele é casado! A esposa dele está na suíte VIP no andar de cima, e o próprio diretor do hospital foi recebê-los.

A enfermeira com a presilha desdenhou.

— E daí que ele é casado? Famílias como a dele geralmente se unem por acordos, não por amor.

A amiga riu, dando um leve toque na têmpora dela.

— Você não sabe de nada. O Sr. Chapman vai ao quarto da esposa todos os santos dias. Isso não é só amor, é devoção. O pessoal da suíte VIP diz que ele a mima demais.

Cecilia não ouviu o resto. Ela fechou a porta.

Para quem via de fora, Blair e Rufus eram o casal perfeito.

E por que não pensariam isso? O favoritismo declarado de Rufus deixava pouca margem para dúvidas.

Cecilia encostou-se na porta, escorregando até sentar no chão. Havia prometido a si mesma que não deixaria mais Rufus machucá-la, mas ouvir aquelas palavras ainda fazia seu peito doer.

Naquela noite, ela foi deitar cedo, mas uma crise de tosse a despertou no escuro.

A tosse piorou e, de repente, uma onda de doçura metálica subiu por sua garganta. Antes que pudesse reagir, sangue espirrou de sua boca, respingando em seu rosto.

Quando Rufus abriu a porta, a cena o paralisou.

Ao vê-lo, Cecilia instintivamente tentou limpar o sangue do rosto. Não queria que ele a visse daquele jeito — despedaçada, vulnerável.

Mas, quanto mais ela limpava, mais sangue saía. Ela podia sentir sua vida se esvaindo.

"O que há com você?" Rufus encostou-se no batente da porta, com as sobrancelhas franzidas, mas não deu um passo para mais perto.

Ela levou um longo tempo para recuperar o fôlego. Limpou a boca mais uma vez e disse: "Eu te avisei... estou morrendo, Rufus. Você e Blair não vão mais precisar me odiar.

"Não restará ninguém no caminho de vocês."

Rufus a encarou, desconcertado.

As palavras dela, combinadas com o rosto manchado de sangue, tornavam fácil acreditar que ela poderia morrer a qualquer instante.

Por uma fração de segundo, ele quase acreditou. Quase.

Então, seu olhar esfriou, e os cantos de sua boca se curvaram em uma expressão cruel. "Eu já disse: não tente usar isso para fugir dos julgamentos. Você tem uma dívida com a Blair e vai pagar, custe o que custar."

Ele acrescentou friamente: "Você deveria agradecer por ainda ser útil."

Cecilia negou com a cabeça.

"Rufus." Ela o olhou como se estivesse diante de um estranho.

Talvez nunca o tivesse conhecido de verdade, mesmo depois de tanto tempo juntos. Ela nunca havia compreendido a frieza e a maldade em sua essência.

Havia ternura nele, mas era reservada exclusivamente para Blair. Ninguém mais jamais a via.

Sustentando o olhar confuso dele, Cecilia fechou os olhos, com a exaustão pesando em sua voz. "Vamos nos divorciar."

Levou um longo instante até que Rufus reagisse, como se as palavras tivessem demorado a fazer sentido. "O que você acabou de dizer?"

Ela abriu os olhos, encarando-o com uma determinação que cortava o ar. "Se você concordar com o divórcio, eu aceito qualquer condição."

Estava cansada — cansada demais para deixar este mundo ainda presa a Rufus ou a Blair.

Em sua mente, o divórcio era a única escolha capaz de satisfazer a todos.

Mas Rufus recusou.

"Nem pense nisso", disse ele, forçando cada palavra por entre os dentes cerrados.

"Por quê?" A voz dela estava carregada de dor.

Ela não conseguia entender por que, depois de tudo, ele ainda não a deixava ir. Ele a havia acusado de roubar o lugar de Blair — ela não o estava devolvendo agora?

Nem mesmo Rufus conseguia explicar sua rejeição instintiva. Talvez fosse a indignação de ouvir palavras tão definitivas de alguém que sempre implorara por suas migalhas de afeto. Ou talvez fosse a perturbadora perda de controle que a rebeldia dela havia desencadeado.

Fosse qual fosse o motivo, ele não tinha a menor intenção de deixá-la ir. Ainda não.

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