Capítulo 6 Eu odeio todos vocês
Rufus soltou uma risada fria e zombeteira. "Cecília, você realmente acha que a vida funciona assim? Você destruiu meu casamento com a Blair e se enfiou entre nós sem pensar duas vezes."
Seu tom era casual, quase entediado, como se estivesse falando sobre o tempo. Mas as palavras atingiram Cecília como se ela tivesse mergulhado em água gelada, congelando-a do topo da cabeça à ponta dos pés.
Ela percebeu que havia errado, errado em se apegar a uma promessa feita na infância, errado em se prender a uma posição de tanta impotência.
Cecília começou a rir, mas a risada falhou pela metade. Lágrimas escorreram por seu rosto.
"Eu sou uma idiota... idiota o bastante para guardar uma promessa da qual ninguém mais sequer se lembra, durante todos esses anos."
Rufus estreitou os olhos, prestes a pressioná-la a falar mais, quando alguém bateu à porta. Gia, a atendente da suíte VIP, entrou no quarto.
"Sr. Chapman, a Srta. Ember acordou no meio da noite pedindo para vê-lo."
Só de ouvir o nome de Blair, um traço de preocupação transpareceu no rosto de Rufus. Ele se levantou imediatamente, pronto para sair.
Ao observá-lo caminhar em direção à porta, Cecília sentiu o desespero apertar seu peito. Por que sempre que a Blair estava envolvida — por mais trivial que fosse a situação — a resposta de Rufus era sempre a mesma: ele virando as costas e desaparecendo de sua vista?
Assim como o Brad.
Reunindo o resto de forças que lhe sobrava, Cecília gritou, com a voz rouca: "Rufus… Blair… Eu odeio vocês dois!"
Rufus paralisou na porta. Um instante depois, ouviu o baque surdo do corpo dela caindo no chão. Ela havia desmaiado.
A voz dela, falha de tanta fúria, ecoava na mente dele, recusando-se a desaparecer.
Odiá-lo? Por quê?, pensou Rufus.
Cecília tinha o título de sua esposa. Ela tinha tudo o que dizia querer.
"Sr. Chapman? Sr. Chapman!" A voz de Gia o trouxe de volta à realidade, tentando guiá-lo em direção às escadas. Blair ficaria furiosa se acordasse e descobrisse que ele não estava lá. Ela só se acalmava na presença de Rufus; caso contrário, era conhecida por seu temperamento difícil.
A expressão de Rufus endureceu. Após uma longa pausa, ele disse: "Volte e diga à Srta. Ember que estou resolvendo alguns assuntos. Subo em um instante."
Gia hesitou. Sabia que Blair não gostaria nada dessa resposta. Mas, vendo que Rufus não tinha a menor intenção de sair dali, mordeu o lábio e foi embora.
Quando a porta se fechou, Rufus apertou o botão para chamar a enfermeira. Se fosse apenas por causa da Blair, garantir que Cecília não morresse já teria sido o suficiente. Mas, por motivos que não sabia explicar, ele arrastou uma cadeira para o lado da cama e se sentou.
A luz do luar entrava pela fresta das cortinas, iluminando o contorno do rosto dela. Rufus se pegou imaginando quanto tempo fazia desde que havia olhado para ela de verdade.
Ela estava assustadoramente magra agora.
Estaria ela passando fome de novo só para conseguir o que queria?
Nos primeiros anos de casamento, ela usava todos os truques possíveis para chamar a atenção dele — incluindo greves de fome.
Esse pensamento o fez trincar o maxilar. Ele já estava pronto para ir embora quando a voz dela o deteve.
"Por quê?"
Ele olhou para ela, achando que havia acordado. Mas suas sobrancelhas continuavam franzidas durante o sono, e seu rosto estava marcado pela angústia. Ela estava sonhando.
Naquele sonho, ela estava de volta ao navio onde havia sido traficada quando criança. Dez dias de escuridão, medo e incerteza, agarrando-se a qualquer fonte de calor que pudessem encontrar. Ela via a si mesma e a um jovem Rufus de fora, como se observasse estranhos, fazendo uma promessa que acreditavam que duraria para sempre.
Para se reconhecerem novamente, eles trocaram pingentes de jade.
"Com isso, eu vou conseguir te encontrar. Nunca vou te esquecer. Nunca vou te deixar." A voz do garoto era firme, cheia de certeza.
Mas por quê? Por que Rufus tinha dado aquele pingente para Blair? Por que ele havia esquecido a promessa que fez? Por que ele amou Blair em vez dela? Por que ele passou a desprezá-la tanto?
"Rufus, como você pôde jogar fora a nossa promessa? Você jurou que nunca abandonaríamos um ao outro..." Uma lágrima escorreu do canto de seu olho.
Rufus sentiu as palavras o atingirem como um golpe. Elas o arrastaram de volta a memórias que ele preferia manter enterradas — aqueles dez dias em que a família Chapman ainda não havia construído seu império, e seu pai, Robbie Chapman, estava envolvido em uma disputa acirrada por um terreno comercial. Seus inimigos decidiram sequestrar Rufus para forçar Robbie a ceder.
Tinha sido a época mais sombria de sua vida. Os guardas o espancavam pela menor ofensa, e só o alimentavam quando tinham vontade: às vezes uma tigela de mingau ralo, às vezes pão amanhecido.
Ele havia sobrevivido por pura força de vontade... até conhecer a garota.
Ela também havia sido sequestrada, embora recebesse um tratamento um pouco melhor. Ela dividia metade de sua comida com ele, e à noite eles se encolhiam juntos para se aquecer. Ele se lembrava de ficar deitado acordado, ouvindo o som das ondas batendo contra o casco, o medo dando um nó em seu peito, até que a voz suave da garota lhe contava histórias e o embalava até dormir.
Uma noite, pouco antes de adormecer, ele jurou silenciosamente que a encontraria de novo e a protegeria com tudo o que tivesse.
Agora, ele dizia a si mesmo que a havia encontrado — em Blair — e a tratava como um tesouro.
As palavras ambíguas de Cecilia o fizeram pensar, por um breve instante, que a garota era ela... Mas então ele balançou a cabeça. Não. A mulher venenosa deitada aqui jamais poderia ser aquela garotinha.
No andar de cima, Blair se mexeu. Ela tinha o sono leve e, quando Rufus saiu do seu lado, ela havia acordado. No começo, achou que ele estivesse trabalhando. Mas quando ele não voltou, uma inquietação tomou conta dela.
Ela mandou Gia ir buscá-lo. Ela só conseguia descansar com Rufus por perto.
A porta se abriu. O sorriso de Blair se iluminou — e então desapareceu quando ela viu apenas Gia.
"Onde está o Sr. Chapman?" A voz dela esfriou, carregada de irritação.
"O Sr. Chapman disse que ainda está resolvendo uns negócios. Ele sobe logo", Gia respondeu, hesitante.
Os olhos de Blair se estreitaram. "Eu odeio que mintam para mim. Diga-me a verdade, ou não posso prometer que você vai manter o seu emprego."
A ameaça foi inconfundível, e Gia cedeu à pressão. Ela contou a Blair exatamente o que tinha visto.
A raiva de Blair explodiu. Seus olhos ardiam de fúria.
"Aquela vadia maldita da Cecilia... ela não vai mesmo desistir, vai? Ainda está tentando afastar o Rufus de mim!"
