Capítulo 5 Traga-a de volta você mesmo
Naquela idade, o orgulho de um garoto era tudo.
Rachel nunca entregava dinheiro diretamente a Charles. Naquela época, ela ainda era a célebre filha da família York, vivendo uma vida de privilégios deslumbrantes. Talvez tivesse sido uma centelha de pena, ou talvez simples admiração por sua força silenciosa, mas ela não contou a ninguém. Através de um professor de confiança, ela cobriu anonimamente todas as mensalidades do ensino médio e as despesas de subsistência dele.
Ela nunca pensou em ser reembolsada. Após a formatura, a lembrança desapareceu no fundo de sua vida dourada.
Até esta noite, quando tudo havia se invertido.
A vida, ela pensou, era uma coisa estranha e cheia de reviravoltas. O sedã preto deslizava pela noite encharcada de chuva, sua cabine quente e silenciosa era um santuário à parte da escuridão fria e úmida lá fora.
Rachel se encolheu ainda mais no largo banco de couro, envolta no casaco de Charles, que ainda carregava o aroma fresco e masculino dele. Seu corpo descongelou gradualmente, mas o nó de gelo alojado fundo em seu peito se recusava a derreter. De olhos fechados, os cílios ainda pesados com as últimas lágrimas, ela parecia uma borboleta açoitada pela tempestade — frágil o suficiente para se despedaçar sob o toque mais leve. No entanto, a linha tênue e resoluta de seus lábios revelava uma força silenciosa e inabalável.
Charles estava sentado ao lado dela, o olhar fixo nas linhas pálidas e abatidas de seu rosto, a beleza ainda resistindo sob a exaustão. Ele não disse nada, apenas se inclinou para frente para dar ao motorista um endereço em voz baixa e precisa.
Um apartamento particular no coração do bairro mais cobiçado da cidade.
Os únicos sons no carro eram o zumbido baixo do motor e o varrer rítmico dos limpadores de para-brisa. A consciência de Rachel começou a se turvar de exaustão, mas as cenas que ela mais ansiava esquecer se agitavam implacavelmente em sua mente — o olhar frio e impenetrável de Sebastian, o sorriso venenoso de Laura, a silhueta frágil e aterrorizada de uma criança, as palavras cortantes de Anna.
E, finalmente, o rosto gentil de seu pai, congelado para sempre na memória.
O zumbido repentino do telefone de Charles cortou o silêncio. Ele olhou para a tela, franzindo a testa quase imperceptivelmente antes de atender em voz baixa.
— Fale.
A pessoa do outro lado falou rapidamente. Os olhos de Charles voltaram para Rachel, sua expressão se aprofundando em algo inescrutável.
— Entendido — disse ele, encerrando a ligação.
Notícias da Mansão Laurel Creek. Problemas por lá também.
Dentro do escritório na Mansão Laurel Creek, a pesada mesa de ébano tremeu sob a força da mão de Harold Lancaster. Um inestimável jogo de chá de porcelana chacoalhou contra a madeira.
— Seu tolo imprudente! — O rosto de Harold estava vermelho, seu peito arfando enquanto ele apontava um dedo trêmulo para o homem de pé diante dele.
— Que façanha idiota você aprontou esta noite? Rachel foi libertada da prisão hoje. Você não se deu ao trabalho de buscá-la — tudo bem. Mas quando ela finalmente voltou para casa, você a expulsou na frente de todos! Sebastian, onde está a sua decência? Onde está o seu bom senso?
O cenho franzido de Sebastian se aprofundou. Ele não esperava que esse suposto assunto sem importância chegasse ao seu avô tão rapidamente. Sem querer, o rosto furioso de Rachel passou por sua mente, provocando uma leve e não reconhecida irritação e um aperto no peito.
Ele reprimiu isso.
— Avô, não há necessidade de ficar tão exaltado. Uma mulher como ela não vale a sua preocupação.
— Que tipo de mulher? — A voz de Harold se elevou, sua raiva se intensificando. — Ela é a filha da família York! A esposa com quem você se casou com grande alarde! A família York salvou os Lancasters uma vez. Sem a ajuda de Frederick York, não existiria o Grupo Lancaster como ele é hoje. E é assim que você paga essa dívida? Deixando o mundo nos chamar de ingratos e sangue-frio?
— Uma dívida é uma dívida. O que ela fez apaga tudo isso. — O tom de Sebastian ficou frio. — Ela desonrou a família, fez Laura sofrer, quase custou muito caro à empresa. Três anos de prisão foi misericórdia.
"Provas?" A voz de Harold estalou como um chicote. "Você tem tanta certeza de que não havia dúvidas naquele caso? Nunca lhe passou pela cabeça que ela pode ter sido incriminada? Você acreditou em algumas supostas provas e em algumas palavras, e a forçou a confessar — usando a vida do pai dela como moeda de troca! Sebastian, quando você ficou tão cego?"
Ao mencionar o pai de Rachel, a voz de Harold se suavizou com pesar. "E Frederick já se foi. Mais um motivo para tratar a filha dele com bondade. Rachel é o único sangue que lhe resta."
Sebastian trincou o maxilar, com uma expressão sombria. Ele não concordava. Em sua mente, a culpa de Rachel era inquestionável; o teste de paternidade era a prova definitiva.
"Não me importo com o que você pensa", insistiu Harold, com a voz firme como aço. "Você vai encontrar a Rachel. Vai trazê-la de volta para a família Lancaster. Publicamente, dirá que foi um mal-entendido — que ela estava fora se recuperando, e que agora voltou para casa. Você vai restaurar o nosso nome."
O olhar de Sebastian ficou ainda mais frio.
"Você me ouviu?" Harold bateu na mesa novamente. "Terei que ir eu mesmo? Você não consegue distinguir a honra da família dos seus rancores mesquinhos?"
Na família Lancaster, a palavra de Harold era lei. Nem mesmo Sebastian ousava desafiá-lo abertamente.
"Sim, avô", disse Sebastian por fim, com a voz baixa. "Vou mandar alguém trazê-la de volta."
"Alguém não. Você", esbravejou Harold. "E você vai se certificar de que ela seja bem tratada. Se eu souber que ela foi injustiçada de novo, você vai se ver comigo."
"Sim", Sebastian respondeu entre dentes.
Ir ele mesmo? Curvar-se a uma mulher que o havia traído?
"E a criança", acrescentou Harold em tom severo. "Aconteça o que acontecer, ele carrega o sangue dos York. Ele já o chamou de pai um dia. Não quero ouvir mais nem uma palavra contra ele. Você vai garantir que ele seja bem cuidado."
O rosto de Sebastian se fechou ainda mais, mas ele não discutiu. "Eu cuido disso."
"Vá", disse Harold, dispensando-o com um aceno, enojado demais para sequer olhar para ele.
Sebastian saiu do escritório, e a porta se fechou com um clique atrás dele. Seu rosto continuava uma máscara de frio desdém, sombreado por uma emoção que ele não conseguia — ou não queria — nomear. Ele pegou o celular e ligou para o seu assistente.
"Descubra onde a Rachel está. Quando a encontrar, não a traga de volta. Instale-a em um hotel discreto e mantenha-a lá. Nada de passeios, nada de problemas. E certifique-se de que o meu avô nunca descubra a localização dela."
Ela o havia deixado primeiro, todos aqueles anos atrás.
Ela mesma havia procurado por isso.
Enquanto isso, o sedã preto entrava suavemente na garagem subterrânea de um luxuoso prédio de apartamentos de alta segurança. Charles virou-se para a mulher ao seu lado, que parecia ter adormecido de pura exaustão.
"Chegamos", disse ele suavemente.
Rachel acordou sobressaltada, com os olhos atentos e defensivos como os de um animal encurralado. Mas, ao ver Charles e se dar conta de onde estava, a desconfiança deu lugar ao cansaço e a uma leve desorientação.
Algo no peito de Charles se apertou.
Ele saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela, oferecendo a mão. "Você está segura aqui. Suba, tome um banho quente e descanse um pouco."
Rachel observou a mão dele, e depois o espaço elegante, porém desconhecido, atrás dele. Ela hesitou apenas por um instante antes de colocar a mão sobre a dele. O gesto não era mais totalmente passivo — carregava o peso silencioso de uma escolha deliberada, feita em meio às ruínas de sua antiga vida.
Ela não tinha opções melhores. Confiar nele foi o primeiro passo que escolheu dar por si mesma.
O apartamento de Charles ocupava a cobertura, com vistas panorâmicas e uma elegância moderna e discreta que combinava com o próprio dono. Ele a conduziu para dentro, instruindo os funcionários que os aguardavam a prepararem roupas limpas e uma refeição.
"Descanse", disse ele, com a voz firme, mas tranquilizadora. "Se precisar de alguma coisa, avise o meu assistente. Ninguém vai incomodá-la sem a sua permissão."
De pé sobre o piso polido, o olhar de Rachel varreu o espaço de forma rápida e atenta. Então, ela assentiu uma vez. Sua voz ainda estava seca, porém mais firme agora.
"Obrigada. Eu vou me lembrar desse favor."
