Capítulo 6 Nosso doce vínculo
Ponto de vista de Emma
O quarto da Olivia parece exatamente com a Olivia.
É claro, caótico e feminino do jeito mais descaradamente possível.
Roupas estão jogadas sobre uma cadeira de veludo no canto. Frascos de maquiagem cobrem metade da penteadeira, como se uma loja de beleza tivesse explodido ali. Há luzinhas de fada ao longo das paredes e uma cama branca enorme no centro do quarto, que parece macia o bastante para engolir uma pessoa inteira.
No instante em que a porta se fecha atrás de nós, Olivia joga a bolsa no chão.
— Ugh — ela geme. — Liberdade.
Eu rio, largando a minha ao lado da dela.
— Você fala isso como se tivesse acabado de fugir da prisão.
— A escola é uma prisão — ela diz, dramática. — E hoje foi extra horrível.
— Você passou metade do dia flertando com o Scott.
— Isso é trabalho emocional.
Eu solto uma risadinha pelo nariz.
Olivia vai direto para o guarda-roupa e tira a blusa sem hesitar, jogando-a na direção do cesto de roupa suja.
Eu mal pisco.
Depois de anos de amizade, isso é normal.
Olivia nunca teve qualquer noção de pudor pessoal comigo por perto. Ela veste um suéter curto oversized e um short folgado como se já tivesse feito essa rotina mil vezes.
— Certo — ela diz, virando-se. — Me conta tudo de novo.
Eu gemo, me jogando de costas na cama dela. — A gente realmente precisa passar por isso de novo?
— Sim. — Ela pula na cama ao meu lado. — Porque — diz, apontando para mim — Mason Parker é oficialmente o garoto mais idiota vivo.
Eu encaro o teto. — Você não está errada.
— Tipo, sério — ela continua, virando de bruços. — Como é que você namora a Emma Carter e depois estraga tudo sendo um completo imbecil?
Eu suspiro. — Aparentemente, fazendo sexo virar a base do relacionamento.
Olivia faz um som de nojo. — Garotos são uma espécie patética.
— Concordo.
— Eles andam por aí agindo como se fossem os protagonistas do universo.
— Também concordo.
— E noventa por cento deles têm a inteligência emocional de uma batata.
Eu rio apesar de mim mesma. — Você está sendo generosa.
Olivia sorri, orgulhosa. — Obrigada.
Há uma breve pausa, até que ela de repente vira a cabeça na minha direção.
— Então — ela diz, casualmente.
Aquele tom já parece perigoso.
— Quando você está planejando perder a virgindade, hein?
Eu me engasgo com o ar.
— Olivia!
— O quê? — ela ri.
— Você não pode simplesmente perguntar isso como se fosse uma pergunta normal!
— É uma pergunta normal.
Ela apoia o queixo na mão, me observando com curiosidade. — E aí?
Eu gemo e cubro o rosto com um travesseiro. — Por que a gente está falando disso?
— Porque — ela diz, como se fosse óbvio — você namorou o Mason por um ano e já fez dezoito.
Ela cutuca meu ombro. — Eu presumi que os dois eventos podiam estar conectados.
Eu espio por trás do travesseiro. — Eu pensei nisso.
Os olhos dela se arregalam na hora. — Você pensou?
Eu suspiro.
— Quer dizer… sim.
Olivia se senta mais ereta.
— Detalhes.
— Não tem detalhes — eu resmungo. — Eu só pensei que talvez ontem fosse o dia.
As sobrancelhas dela disparam. — Pera. Ontem ontem?
— Sim.
— No mesmo dia em que ele decidiu revelar que era uma bandeira vermelha ambulante?
— Infelizmente.
Olivia se joga de costas na cama, rindo. — Meu Deus do céu.
— Eu sei.
— Você quase perdeu a virgindade com aquele idiota.
— Obrigada por me lembrar.
Ela enxuga lágrimas dos olhos. — Uau. O universo realmente te salvou dessa.
Eu volto a encarar o teto. — É.
Ainda bem que eu não perdi.
Minha mente pisca para um lugar onde ela definitivamente não deveria ir.
Para alguém específico, de cabelo escuro e olhos confiantes, cuja mão tinha segurado meu pulso mais cedo hoje.
Meu estômago dá um salto desconfortável.
Foi só um beijo. Só um momento idiota que nunca deveria ter acontecido. E já parece a maior traição imaginável.
Eu nem consigo pensar em nada além disso.
Dormir com ele? Isso destruiria tudo.
Eu afasto o pensamento imediatamente.
— Sinceramente — eu digo, baixinho — talvez eu só espere até o casamento.
Olivia fica completamente imóvel. Então, devagar, ergue a cabeça. “Você não pode estar falando sério.”
“Talvez eu esteja.”
Ela me encara como se eu tivesse acabado de anunciar que vou entrar para um mosteiro. “Emma.”
“O quê?”
“Você é linda.”
“Isso é subjetivo.”
“E tem pelo menos vinte garotos na escola que venderiam a alma pra namorar com você.”
“Isso é exagero.”
Olivia revira os olhos. “Você esperar até o casamento pode realmente matar metade da população masculina.”
Eu rio. “Bom, isso parece problema deles.”
Ela observa meu rosto por um instante antes de dar de ombros.
“Ei”, ela diz baixinho, cutucando meu braço. “A escolha é sua.”
Eu olho pra ela. A expressão dela está sincera agora.
“Ninguém tem o direito de te pressionar a fazer nada, a menos que você queira.”
Meu peito esquenta um pouco. “Obrigada.”
“Além disso”, ela acrescenta com um sorriso, “só quer dizer que eu tenho mais tempo pra espantar qualquer idiota em potencial.”
Eu rio de novo. “Que reconfortante.”
De repente, Olivia bate palmas. “Tá! Chega de papo de garoto.” Ela pega o laptop e o joga entre nós. “Trabalho de História.”
Eu gemo. “Por que a responsabilidade existe?”
“Porque o SAT é daqui a—”
Ela para e pega o celular pra conferir.
“— cinquenta e sete dias.”
Meu estômago se contrai.
“57 dias?”
“Sim.”
“Não é tempo suficiente.”
“Isso é menos de dois meses; você devia ser a pessoa me assustando.”
“Parece que eu não estudei nada!”
Olivia faz um gesto displicente com a mão. “A gente vai sobreviver.”
Nos vinte minutos seguintes, a gente até consegue se concentrar em anotações, pesquisa e frases pela metade.
Olivia digita por exatamente mais seis minutos antes de fechar o laptop com um estardalhaço dramático.
“Eu tô entediada.”
“Olivia.”
“Eu não aguento mais isso.”
“Você trabalhou por oito minutos.”
“Isso é basicamente uma hora no tempo adolescente.”
Ela salta da cama de repente.
“A gente precisa de música.”
Antes que eu consiga impedi-la, ela pega o celular e coloca no máximo a primeira música animada que encontra. A música enche o quarto na hora.
“Meu Deus”, eu gemo.
Olivia começa a dançar imediatamente. Não uma dança graciosa. Uma dança caótica, ridícula. Ela gira, rebola mal e quase tropeça no tapete.
“Vem!” ela diz, puxando minha mão.
“A gente tem que estudar!”
“A gente tem 57 dias!”
“Exatamente!”
Ela me puxa pra fora da cama. Eu tento resistir, mas isso só dura uns três segundos. Logo estamos nós duas rindo e girando pelo quarto como duas completas idiotas.
Olivia segura minhas mãos e me faz rodopiar de um jeito dramático.
“Você parece uma bailarina confusa!”
“E você parece um robô com defeito!”
Ela leva a mão ao peito, ofendida.
“Que grosseria.”
Um minuto depois, desabamos na cama, sem fôlego de tanto rir.
Meu cabelo com certeza está uma bagunça.
Olivia estica a mão automaticamente e prende algumas mechas soltas atrás da minha orelha.
O gesto é delicado.
Familiar.
Ela fez isso mil vezes desde que a gente era criança.
“Sabe”, ela diz baixinho, estudando meu rosto, “o Mason é, na verdade, o maior idiota que existe.”
Eu reviro os olhos. “A gente já estabeleceu isso.”
“Não”, ela insiste. “Eu tô falando sério.”
Os dedos dela deslizam de leve pelo meu cabelo.
“Como é que alguém perde uma pessoa como você?”
Meu rosto esquenta um pouco.
“Olivia—”
“Você é inteligente”, ela continua. “E engraçada. E absurdamente linda mesmo quando você acha que tá horrível.”
Eu empurro o ombro dela. “Para.”
“Eu tô falando sério.” Ela sorri pra mim daquele jeito carinhoso que sempre teve.
“Ele fez uma besteira enorme.”
Eu balanço a cabeça. “Perda dele.”
“Exatamente.”
Ela encosta a testa de leve na minha. “Você é a melhor melhor amiga que alguém poderia pedir.”
Meu peito aperta de um jeito inesperado. Olivia sempre foi assim. Carinhosa, leal, protetora. Às vezes protetora demais. Mas sempre foi só a Olivia sendo a Olivia.
“Eu sei que você nunca me trairia”, ela diz, de leve.
As palavras batem no meu peito como um peso repentino. A culpa cintila dentro de mim antes que eu consiga impedir.
Olivia se senta de repente e estende o dedo mindinho. “Melhores amigas pra vida toda?”
Eu sorrio de leve e entrelaço meu mindinho no dela. “Melhores amigas pra sempre.”
