Capítulo 2 Mesmo sobrenome de Windsor

A expressão de Henry escureceu na hora.

Um sorriso de deboche puxou o canto de sua boca, e ele forçou cada palavra por entre os dentes cerrados:

— Sophia, você acha que eu sou seu garoto de programa?

Os lábios de Sophia se curvaram de leve quando ela enfiou o cartão diretamente na mão dele.

— Não fala assim, que fica feio. A gente tem, sim, uma base emocional, no fim das contas.

Afinal, ela sentia uma pontada de pena ao saber que não poderia mais dormir com um exemplar daqueles.

Mas as circunstâncias agora não permitiam. A relutância dela não mudaria nada.

— Eu tô fazendo isso pra te proteger. Você precisa entender as minhas boas intenções.

Na mesma hora, Sophia enterrou completamente aquele lampejo de emoção. Se vestiu e se levantou, pegando a bolsa. Quando já estava para sair, parou na porta e mandou um beijo para Henry.

— Não me bloqueia, tá? Vai que o destino faz a gente se encontrar de novo algum dia.

O sorriso dela era brilhante e sedutor, mas ela se virou e saiu sem nenhuma hesitação. A mão de Henry se fechou pouco a pouco, até as veias saltarem dos nós dos dedos, um brilho de obsessão passando pelos olhos.

Sophia desceu e entrou no carro.

Antes de arrancar, mandou uma mensagem para Oliver: [Vai direto pra Mansão Miller.]

Ela não tinha a menor vontade de ver os dois naquela suíte nupcial.

De lá até a Mansão Miller eram só trinta minutos de carro.

Sophia desceu e entrou decidida.

Gavin estava sentado no sofá, esperando por eles.

Sophia chamou docemente:

— Vovô.

Os olhos de Gavin se encheram de carinho ao olhar para Sophia.

— Sophia, você chegou.

Ela assentiu e se sentou obediente ao lado dele.

Gavin deu tapinhas de leve no dorso da mão dela.

— Não se preocupe. Quando eles chegarem, eu vou defender você.

Sophia sorriu.

— Tá bom.

Não demorou e o som de motores voltou a se ouvir do lado de fora.

Oliver e Clara tinham chegado.

Oliver tinha esperado Sophia na mansão por um tempão, sem imaginar que ela iria direto para a Mansão Miller.

Ele estava fervendo de raiva.

Mas, ao ver Sophia sorrindo de leve no sofá, ele não conseguiu evitar ficar atônito por um instante.

Já fazia dois anos que não se viam.

Na lembrança dele, Sophia era pura e graciosa, como uma flor de jasmim desabrochando.

Mas a mulher à sua frente agora tinha os cabelos longos caindo soltos e preguiçosos sobre os ombros, maquiagem impecável no rosto, como uma rosa em plena, deslumbrante floração.

Ele ficou meio desnorteado.

Dois anos podiam mesmo mudar tanto assim uma pessoa?

Oliver se recompôs.

— Vovô.

O olhar de Gavin não foi para Oliver, e sim se fixou em Clara, ao lado dele.

Clara usava um vestido claro naquele dia. O cabelo preso para trás, maquiagem suave, parecia bem recatada.

Ela falou com cuidado, nervosa:

— Vovô.

A expressão de Gavin ficou dura enquanto ele disparava, ríspido:

— A família Miller não é lugar em que qualquer um entra assim, como quer. Joguem ela pra fora!

Oliver imediatamente se colocou na frente de Clara.

— Vovô, foi a Clara que eu trouxe.

Gavin lançou a ele um olhar gélido.

— Ou ela vai embora, ou vocês dois saem juntos!

O rosto de Oliver fechou na hora.

Sophia, no sofá, quase caiu na risada.

A saúde de Gavin não andava boa ultimamente, e foi por isso que ele mandou chamar Oliver de volta do exterior.

Se ele não voltasse, perderia completamente o direito à herança.

Oliver já estava cansado de viver na pindaíba no exterior havia dois anos.

Trazer Clara de volta tinha sido simplesmente porque ele achou que Gavin finalmente tinha aceitado o amor inabalável deles.

Ele jamais esperava que Gavin ainda não os aceitasse.

O rosto de Clara estampava constrangimento. Ser desprezada e humilhada por Gavin já era ruim o bastante, mas ter Sophia como testemunha tornava tudo pior.

Ela forçou um sorriso.

— Oliver, conversa com calma com o Gavin. Eu vou indo na frente.

Clara estava dando uma saída elegante para Oliver, então ele só pôde assentir, com a expressão sombria.

— Dirige com cuidado. Me avisa quando chegar em casa.

— Tá bom — respondeu Clara.

Sophia revirou os olhos em silêncio, pensando com nojo: “Idiota.”

Ela devia estar cega quando escolheu Oliver naquela época.

Gavin apertou a bengala com as duas mãos e se levantou devagar do sofá.

— Eu não chamei vocês de volta só pra resolver essa sua situação com aquela mulher. Isso também diz respeito à empresa.

— Os lucros da empresa vêm caindo há anos e, hoje à tarde, vários contratos que já estavam fechados foram arrancados das nossas mãos pela família Windsor.

— Família Windsor? — Um brilho de surpresa passou pelos olhos de Sophia.

Todo mundo em Cidade Esmeralda conhecia a família Windsor.

Era uma família com quase um século de história, no topo do poder, controlando dois terços da espinha dorsal econômica da cidade.

Mesmo que os Miller se considerassem parte da alta sociedade, em comparação com os Windsor, pareciam insignificantes.

Sophia não sabia muito sobre os Windsor, só que o casal Windsor tinha um único filho, tratado como um tesouro.

No entanto, a família inteira mantinha um perfil baixíssimo, e ninguém sabia ao certo como era o rosto do herdeiro.

Oliver fitou Gavin, chocado, e perguntou, sem conseguir acreditar:

— A gente nunca teve nenhum conflito com os Windsor. Por que eles resolveriam mirar na gente de uma hora pra outra?

Sophia ainda estava presa à imagem dos Windsor na cabeça.

Henry também se chamava Windsor.

A expressão dela ficou complicada.

O mesmo sobrenome: de um lado, o herdeiro de uma família rica de primeira linha; do outro, um modelo masculino de bar. Mundos completamente diferentes.

— Não sei ao certo — Gavin soltou um suspiro pesado. — Fiquei sabendo que amanhã à noite vai ter um leilão a que o herdeiro dos Windsor vai comparecer. Vocês dois vão juntos pra ver qual é o problema e se dá pra resolver. O Projeto Aventis é crucial, mas, neste momento, está preso nas mãos dos Windsor.

Sophia assentiu.

— Entendido.

Gavin lançou um olhar a Oliver.

— Já está tarde. Vocês dois deviam ir pra casa. E, Oliver, lembra bem disso: se você ousar se envolver de novo com aquela mulher, eu faço um testamento deixando todos os meus bens pra Sophia!

Os olhos de Oliver se arregalaram, e ele respondeu, meio ressentido:

— Vovô, eu sou o neto de verdade.

Ele não conseguiu evitar lançar um olhar carregado de rancor para Sophia.

Que métodos essa mulher tinha usado pra deixar Gavin tão completamente do lado dela?

Sophia sustentou o olhar dele com calma, com até um leve tom de provocação nos olhos.

Oliver ter levado Clara pro exterior tinha transformado a família Miller em piada na cidade inteira.

Ela aguentou tudo aquilo por tanto tempo só pra aproveitar o poder da família Miller e se firmar. Caso contrário, aqueles pais biológicos confusos podiam muito bem fazer alguma besteira por causa daquela filha falsa.

Ela jamais deixaria que a pisassem de novo.

Gavin bateu a bengala com força no chão, produzindo um estrondo pesado.

— Oliver, bota isso na cabeça: ainda não chegou a sua vez de mandar nesta casa!

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