Capítulo 3: Meu perseguidor está assistindo
Katarina POV - A Manhã Seguinte
"Merda." Na manhã seguinte à noite no clube, acordei com a bochecha grudada em um livro.
9:15 da manhã.
Eu tinha dormido duas horas a mais. Madame ia me matar.
Levantei da mesa num pulo, com o pescoço gritando de dor. As anotações para o exame de enfermagem ainda estavam espalhadas pelo chão do quarto – tinha estudado até as 4 da manhã, tentando apagar da memória aqueles olhos verdes e mãos ásperas.
Não funcionou.
Ainda podia sentir o gosto dele. Ainda sentia o fantasma do polegar dele no meu mamilo.
Para com isso, Kat. Concentre-se.
Peguei minha jaqueta e as chaves, enfiando os pés nos tênis gastos. Meu celular vibrou – três chamadas perdidas de Selena e uma mensagem zangada:
Sel: ONDE VOCÊ ESTÁ?? A Madame está fazendo perguntas!!
Respondi enquanto corria para a porta:
Eu: Estou a caminho. Cobre para mim. Por favor.
O apartamento estava silencioso. Silencioso demais.
"Mãe?" Chamei, sabendo que não receberia resposta.
Encontrei-a no sofá, desmaiada. Uma garrafa vazia de vodca estava de lado na mesa de centro. Ao lado, uma seringa.
Meu estômago revirou.
"Mãe." Sacudi seu ombro gentilmente. Nada. O peito dela subia e descia – pelo menos ela estava respirando.
Essa era a terceira vez naquela semana.
Peguei um cobertor do armário do corredor e o coloquei sobre ela. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Já tentei de tudo – implorar, ameaçar, chorar. Ela sempre prometia parar. Nunca parava.
Tranquei a porta atrás de mim e desci as escadas correndo.
Lá fora, o ar frio de outubro me despertou. O ponto de ônibus ficava a dois quarteirões, mas quando cheguei lá, o ônibus já estava saindo do meio-fio.
"Droga!"
Chamei um táxi em vez disso, deslizando para o banco de trás.
"Quinta com Maple," falei para o motorista. "A livraria."
Ele resmungou e entrou no tráfego.
Contei as notas amassadas no meu bolso. Doze dólares. A corrida custaria pelo menos quinze.
Ótimo. Simplesmente ótimo.
Encostei a cabeça na janela, vendo a cidade passar borrada. Nápoles pela manhã – prédios cinzentos, calçadas rachadas, pessoas correndo para empregos que odiavam. Esse lugar engolia sonhos inteiros.
Mas não os meus. Não se eu passasse nos exames de enfermagem. Selena e eu estávamos estudando há meses. Se nós duas entrássemos no programa da universidade, poderíamos deixar essa cidade para trás. Começar do zero em algum lugar novo.
Algum lugar longe de mães viciadas em drogas e chefes da máfia com olhos verdes.
O táxi parou em frente à livraria.
"Quinze e cinquenta," disse o motorista.
Entreguei-lhe os doze dólares. "Desculpe. Isso é tudo que tenho agora. Posso trazer o resto amanhã—"
"Saia." Sua voz era plana, irritada.
"Por favor, eu trabalho bem aqui. Eu posso—"
"Eu disse saia."
Meu rosto queimava de vergonha enquanto eu saía do carro. Ele arrancou antes que eu pudesse fechar a porta corretamente, gritando algo em italiano que fiquei feliz por não entender.
Fiquei na calçada, a humilhação pesando no meu peito, e comecei a caminhar.
Apenas entre. Peça desculpas para Madame. Passe o dia.
Foi então que percebi o carro, um sedã preto, me seguindo.
Ele não estava lá quando o táxi me deixou.
Me virei e apressei o passo em direção à entrada da livraria.
Mas o carro acompanhava meu ritmo, rastejando ao longo da calçada.
Então a janela do passageiro se abaixou.
Um homem se inclinou... pescoço coberto de tatuagens, piercings de prata brilhando na luz da manhã.
"Katarina Delgado?"
Parei de andar, meu sangue congelando.
Ele sabia meu nome. Meu nome completo. "Quem é você?" Consegui perguntar, minha voz mal estável.
O homem no banco de trás se inclinou para frente, sorrindo largo. Dentes dourados. Cicatrizes cruzando seus dedos.
"Caramba," ele assobiou baixo, me olhando de cima a baixo como se eu fosse carne no mercado. "O chefe vai adorar você. Olha esse corpo."
O pânico explodiu no meu peito.
"Eu não sei o que você quer, mas você está com a pessoa errada—"
"Oh, estamos com a pessoa certa, querida." O sorriso do homem tatuado se alargou. "Não se preocupe. Você vai entender tudo muito em breve."
O motorista acelerou o motor. "Até logo, Katarina."
O carro arrancou, pneus cantando, me deixando sozinha na rua vazia.
Eles estavam procurando por mim especificamente.
Mas por quê? Como?
Minha mente voltou à noite passada—o clube, o beijo, o Don me observando sair com aquele sorriso satisfeito.
Seria ele? Teria ele enviado esses homens?
Não. Isso não fazia sentido. Esses homens eram diferentes—mais grosseiros, rudes. Não os criminosos refinados do clube.
Então, quem eram eles?
Forcei minhas pernas a se moverem, correndo em direção à livraria.
Quando atravessei a porta, estava tremendo, ofegando por ar.
Selena olhou de trás do balcão, olhos arregalados de alarme. "Kat! O que..."
Ela rapidamente empurrou um par de luvas de borracha nas minhas mãos. "Aqui. Coloque isso e finja que está ocupada. Madame está nos fundos."
Coloquei as luvas com dedos trêmulos, pegando o livro mais próximo e fingindo organizar a prateleira.
Mas eu não conseguia parar de tremer.
"Kat." Selena se inclinou mais perto, voz baixa. "O que aconteceu? Você parece que viu um fantasma."
"Havia um carro," eu sussurrei. "Me seguindo. Os homens dentro... eles sabiam meu nome, Selena. Meu nome completo."
O rosto dela ficou pálido. "O quê?"
"Eu não sei quem eles são ou o que querem, mas"
"Katarina!"
A voz aguda de Madame cortou a loja como um chicote. Ela surgiu do escritório dos fundos, olhos estreitos de suspeita.
"Onde você esteve?"
"Banheiro," menti rapidamente, mantendo minha voz firme apesar do coração acelerado. "Desculpe, Madame."
Selena entrou na conversa sem perder o ritmo. "Sim, ela está me ajudando a organizar o estoque. Estamos trabalhando a manhã toda."
Madame me estudou por um longo momento, claramente cética. Então bufou e voltou para seu escritório.
Assim que ela se foi, Selena agarrou meu braço. "Kat, isso não é normal. Homens te seguindo, sabendo seu nome? Você precisa chamar a polícia."
"E dizer o quê? Que um carro me seguiu por um quarteirão? Eles vão achar que eu estou louca."
"Então pelo menos fique comigo esta noite. Não vá para casa sozinha."
Eu assenti, grata. "Ok. Sim. Obrigada, Sel."
Tentei me concentrar no trabalho, mas meus olhos continuavam a desviar para a janela da frente.
E foi quando eu vi.
Um carro diferente... Estacionado do outro lado da rua. Este era vermelho.
Era pessoal, diferente dos brutamontes... O dono estava me observando... Pisquei novamente e então ele se foi... quem quer que fosse, dirigiu embora.
POV do Giordano - Mais cedo naquela manhã
Eu estava sentado atrás da minha mesa, o brilho vermelho das luzes da cidade de Nápoles filtrando pelas persianas. Meu cigarro queimava lentamente.
Duas das minhas garotas estavam contando dinheiro na mesa do canto—notas amassadas do trabalho da noite anterior no clube de strip. Gorjetas de homens que passaram a noite com as mãos na minha propriedade.
As garotas sabiam melhor do que falar a menos que fossem faladas. Elas contavam em silêncio.
Três dias atrás, um homem tropeçou no meu escritório.
Ricardo Delgado. Cheirando a uísque barato e fracasso.
Ele desabou na cadeira em frente à minha mesa, mãos tremendo, olhos vermelhos.
"Eu tenho algo para você," ele balbuciou. "Algo valioso."
Eu quase atirei nele ali mesmo. Eu não faço negócios com bêbados.
Mas então ele puxou uma foto.
Amassada. Manchada. Mas a imagem estava clara o suficiente.
Uma garota. Jovem. Curvas que poderiam parar o trânsito. Rosto inocente com olhos grandes e dóceis.
"Minha filha," ele disse, batendo na foto com uma unha suja. "Dezenove anos. Virgem. Linda. Ela vale mais do que tudo que eu devo a você."
Eu me recostei na cadeira, estudando a foto. "Você está me oferecendo sua filha?"
"Estou te oferecendo um investimento," ele corrigiu, como se fosse algum tipo de empresário. "Pura. Intocada. Você sabe quanto valem as virgens. Você pode fazer uma fortuna."
Ele não estava errado.
Mas eu não planejava vendê-la.
Eu a queria para mim.
"Quanto?" perguntei.
Os olhos dele brilharam como se eu tivesse acabado de jogar uma boia de salvação. "Cinquenta mil."
Eu ri—frio, áspero. "Você está delirando."
"Quarenta! Quarenta e ela é sua."
"Trinta. Oferta final."
"Feito!" Ele praticamente gritou.
Idiota. Ele teria aceitado dez.
Mas eu queria que ele tivesse dinheiro suficiente para viver com o que tinha feito. O suficiente para beber até a morte pensando nisso.
Enviei meus homens para confirmar que a garota existia. Para garantir que ela correspondia à foto. Para verificar se ela era realmente intocada.
A porta do meu escritório se abriu agora, e Scarface entrou com Mikey, o Martelo, logo atrás.
"E então?" Eu não levantei os olhos do meu cigarro.
Mikey largou uma nova foto na minha mesa. "É ela. Katarina Delgado. Ainda melhor pessoalmente, chefe."
Peguei a foto. Tirada de longe—a garota andando pela rua, completamente alheia ao fato de que estava sendo caçada.
Perfeito.
"Confirmada virgem?" perguntei.
Scarface assentiu. "Nossas fontes verificaram tudo. Sem namorado. Trabalha em uma livraria. Garota quieta. Mora com a mãe viciada em drogas e o irmão mais velho."
"Ela sabe?" perguntei.
Scarface balançou a cabeça. "Sobre o pai vendê-la? Não. Seguimos ela esta manhã, deixamos que nos visse. Queríamos medir a reação dela."
"E?"
"Apavorada. Correu direto para o trabalho. Ela não tem ideia do que está por vir."
Apaguei meu cigarro. "Tragam-na para mim. Hoje à noite."
Mikey ergueu uma sobrancelha. "Hoje à noite? Chefe, poderíamos esperar alguns dias, deixar o pai prepará-la—"
"Hoje à noite," repeti, minha voz caindo para gelo. "Eu não espero pelo que já é meu."
Eles assentiram e se viraram para sair.
"Mais uma coisa," chamei depois deles.
Eles pararam.
"Paguem o pai. Todos os trinta mil."
Scarface parecia confuso. "Chefe, ele aceitaria metade disso—"
Eu sorri lentamente. "Eu quero que ele tenha esse dinheiro. Quero que ele segure essas notas nas mãos e imagine o que estou fazendo com a filha dele todas as noites."
O entendimento surgiu no rosto de Scarface. Ele sorriu. "Você é um bastardo perverso, chefe."
"É por isso que eu comando esta cidade melhor que o Vittorio."
Olhei novamente para a foto de Katarina, traçando seu rosto com um dedo.
Bonita. Inocente. Intocada.
Não por muito tempo.
Em algumas horas, ela estaria na minha cama.
E uma vez que eu reivindico algo... Eu nunca deixo ir.
Nunca.
