Capítulo 5: Sonhos molhados

Katarina POV - Ainda na Livraria

"Precisamos sair. Agora."

Selena pegou sua bolsa, mas eu estava congelada, olhando para o meu celular. A última mensagem de Mateo brilhava na tela:

Mateo: Se ele aparecer, não deixe entrar.

"Kat!" Selena sacudiu meu braço. "Você me ouviu? Precisamos ir."

"De quem ele está falando?" Eu sussurrei. "Se quem aparecer?"

"Eu não sei, mas não vamos ficar aqui para descobrir." Ela me puxou em direção ao depósito. "Vamos. Vamos trancar e sair pela porta dos fundos."

Olhei pela janela da frente mais uma vez. O carro vermelho estava de volta, estacionado do outro lado da rua...

Meu estômago revirou.

"Selena... o carro de manhã. Ele está de volta."

Ela olhou, e seu rosto ficou pálido. "Droga. Ok, porta dos fundos. Agora."

Corremos pelo depósito. Peguei minha jaqueta e bolsa enquanto Selena se atrapalhava com as chaves, trancando o caixa e apagando as luzes.

"Você vai ficar comigo até resolvermos isso." Ela agarrou meu braço e me puxou em direção à saída dos fundos. "Vamos."

No Apartamento da Selena - Aquela Noite

O apartamento da Selena era pequeno, mas acolhedor. Seguro. Seu gato, Miso, imediatamente se aninhou no meu colo quando me sentei no sofá.

Mas eu não conseguia relaxar.

Cada rangido, cada carro passando lá fora fazia meu coração pular.

"Aqui." Selena me entregou chá. "Camomila. Vai te ajudar a dormir."

Eu aceitei, mas não bebi. Meus olhos continuavam se desviando para a janela, para a rua abaixo.

O carro vermelho estava lá fora? Observando?

"Kat, fala comigo." Selena sentou ao meu lado. "O que está acontecendo na sua cabeça?"

Eu balancei a cabeça. "Eu não sei. Estou confusa... Queria ter falado com o Mateo."

"Você tentou ligar para o Mateo de novo?"

Olhei meu celular. Ainda nada.

Disquei. Caixa postal.

Eu: Mateo, por favor, me liga de volta. Estou com medo. O que está acontecendo?

Entregue. Lido.

Sem resposta.

"Ele está me ignorando," eu sussurrei.

Selena apertou minha mão. "Talvez o celular dele tenha descarregado. Ou talvez ele também esteja em apuros."

Esse pensamento só piorou as coisas.

"Tente descansar um pouco," ela disse gentilmente. "Eu vou ficar acordada e vigiar, ok?"

Eu assenti, mas sabia que não iria dormir.

Fui para o quarto de hóspedes dela, me enfiando debaixo das cobertas totalmente vestida. Meu celular ficou agarrado na minha mão, esperando o retorno de Mateo.

Mas ele não ligou.

Por volta da meia-noite, eu ouvi.

Toc. Toc.

Eu congelei, coração disparado.

Passos de Selena no corredor. Sua voz, baixa e cautelosa. "Quem é?"

Silêncio.

Então outro toque. Mais alto dessa vez.

Eu me arrastei até a porta do quarto, pressionando meu ouvido contra ela.

"Eu perguntei quem é?" A voz de Selena estava mais afiada agora.

E então eu ouvi. Uma voz do outro lado da porta—baixa, suave, perigosa.

"Abre a porta, piccola. Você fugiu da última vez. Agora quero que você rasteje."

Meu sangue gelou.

Aquela voz.

O Don.

Ele me encontrou.

"Selena, não abra!" Eu gritei, correndo para o corredor.

Ela se afastou da porta, olhos arregalados. "Quem diabos é esse?"

"O homem do clube. Aquele que..." Eu não consegui terminar a frase.

A maçaneta da porta chacoalhou.

"Eu sei que você está aí, Katarina," sua voz ronronou através da madeira. Selena pegou seu celular. "Vou chamar a polícia."

"Não." Minha voz saiu quase como um sussurro. "Ele... ele é da máfia. A polícia não vai ajudar."

O chacoalhar parou.

Por um momento, houve apenas silêncio.

Então sua voz novamente, mais suave desta vez. Quase íntima.

"Eu vou voltar por você, piccola. E da próxima vez, você não terá uma porta para se esconder."

Passos se afastaram pelo corredor.

Eu colapsei contra a parede, tremendo.

Selena já estava na janela, espiando pelas cortinas. "Tem um carro saindo. Vermelho. O chique que vimos do lado de fora da livraria."

Ele me encontrou.

E ele vai voltar.

Aquela Noite - O Sonho

Eu não achei que fosse dormir. Mas o cansaço me puxou para baixo como uma correnteza.

E então eu estava em outro lugar.

Um corredor de mármore. Pisos brancos. Espelhos infinitos refletindo meu corpo nu de todos os ângulos. Sem saídas. O ar cheirava a sangue e rosas.

Meu reflexo me encarava—bochechas coradas, lábios machucados, coxas molhadas de excitação que eu não conseguia explicar.

Eu estava tremendo, mas não de medo.

De desejo.

Então ele saiu das sombras.

O Don.

Sua camisa estava meio aberta, revelando um peito esculpido de músculos e perigo. Seu cinto pendia em sua mão como uma promessa. Aqueles olhos esmeralda me prenderam no lugar, e eu não conseguia me mover. Não conseguia respirar.

"Eu te avisei," ele disse, voz áspera como pedra quebrada. "Corra, e eu vou te quebrar."

Eu não corri.

Ele estava em cima de mim em dois passos, me pressionando contra a parede espelhada. Uma mão fechada em meu cabelo, puxando minha cabeça para trás. A outra envolvida em meu pescoço—não o suficiente para machucar, apenas o suficiente para controlar.

"Você gostou de se ajoelhar para mim, não gostou?"

Eu queria mentir. Queria dizer não.

Mas meu corpo me traiu. Meus lábios se abriram. Minhas pernas tremeram.

"Sim," eu sussurrei.

Ele sorriu—cruel e lindo.

Então ele me empurrou para baixo, me fazendo ajoelhar.

"Mostre o quanto."

Eu abri a boca sem hesitação, língua para fora como se estivesse faminta. Seu pau já estava duro, pesado, escuro na ponta. Eu o engoli profundamente, lágrimas escorrendo dos meus olhos enquanto ele atingia o fundo da minha garganta.

"Isso mesmo," ele gemeu, apertando os dedos no meu cabelo. "Minha garota suja. Minha boca obediente."

Eu chupei mais forte, mais rápido, desesperada para agradá-lo. Ele me puxou para cima antes que eu pudesse terminar, me girando e me dobrando sobre uma mesa de vidro que não estava lá segundos atrás.

Meu reflexo me encarava—olhos arregalados, lábios inchados, necessidade escorrendo pelas minhas coxas.

"Você está molhada para mim," ele disse, passando dois dedos pelas minhas dobras. "Nojento."

Eu gemi.

Ele não me deu tempo para respirar.

Ele entrou em mim com um golpe brutal—sem aviso, sem misericórdia—e eu me desintegrei.

"Isso é meu agora," ele rosnou, me penetrando. "Seu corpo. Sua boca. Seus gritos. Tudo meu."

Sua mão apertou minha boca enquanto eu gozava, chorando contra o vidro, minhas pernas cedendo sob ele.

"Você ama ser usada," ele rosnou. "Diga."

"Eu amo," eu ofeguei. "Eu amo. Eu amo você."

Ele não parou.

Ele me fodeu mais forte, arrancando orgasmo após orgasmo do meu corpo trêmulo até que eu não sabia se estava implorando por mais ou por misericórdia.

E então ele beijou meu ombro.

"Da próxima vez, piccola... Vou deixar marcas que eles não podem esconder."

Eu gozei com um soluço, meu corpo convulsionando.

Eu acordei sobressaltada, encharcada de suor, minhas coxas pegajosas, meu coração acelerado.

Eu agarrei o cobertor, enterrando meu rosto nele enquanto a vergonha me inundava.

O que há de errado comigo?

Eu estava molhada. Dolorida. E ainda podia sentir a respiração dele na minha pele.

Eu queria chorar. Eu queria gritar.

Mas eu não conseguia esquecer como foi.

Eu cobri minha boca com ambas as mãos, aterrorizada que o gemido preso na minha garganta escapasse e acordasse Selena.

Na Manhã Seguinte - De Volta ao Meu Apartamento

"Eu só preciso pegar algumas roupas," eu disse a Selena na manhã seguinte antes de sair da casa dela.

Eu não queria que ela visse a bagunça que era minha família.

No segundo em que coloquei a chave na fechadura do meu apartamento, eu sabia que algo estava errado.

A maçaneta estava solta. A fechadura, arranhada e danificada como se alguém tivesse forçado.

Eu empurrei a porta lentamente.

As luzes estavam apagadas, mas eu pude sentir o cheiro imediatamente—colônia barata e uísque velho.

E então eu o vi.

No sofá.

Meu pai.

Desmaiado, boca aberta, braços estendidos como se ele fosse dono do lugar novamente.

Não.

Não, não, não.

Ele tinha ido embora há três anos. Por que ele estava de volta?

Meu estômago revirou. Eu agarrei meu telefone, verificando mensagens de Mateo.

Ainda nada.

Eu: Ele está aqui. Por que você não me avisou?

Eu comecei a recuar em direção à porta, meus olhos nunca deixando o homem que fez da minha infância um pesadelo.

E então seus olhos se abriram. Ele estava acordado o tempo todo.

"Onde diabos você acha que esteve, garota?"

Minha garganta secou. Eu não conseguia me mover.

"Eu te fiz uma pergunta," ele balbuciou, levantando-se lentamente. "Você acha que pode fugir e voltar quando quiser?"

Sua voz estava mais baixa agora. Isso significava que algo ruim estava por vir.

"Eu... Eu só precisava de roupas," eu gaguejei. "Eu não estava... Eu não quis"

Ele deu um passo em minha direção.

Minhas costas bateram na porta.

"Você não tem mais voz em nada," ele disse sombriamente. "Não depois do que eu fiz por esta família."

Minha voz tremeu. "O que você fez?"

Ele sorriu.

Enfiou a mão no casaco e tirou um papel dobrado, jogando-o na mesa de centro.

Um contrato. Meu nome impresso no topo. Sua assinatura no fundo. Um selo queimado no canto—algum tipo de símbolo que eu não reconhecia.

"Eu te vendi, Katarina," ele disse simplesmente. "Você vai embora. Hoje à noite."

O quarto girou.

"O quê?"

"Você me ouviu." Ele acendeu um cigarro, exalando fumaça no meu rosto. "Os homens de Giordano estão vindo te buscar às oito. Vista algo bonito. Ele gosta de suas garotas bonitas."

Eu fiquei lá, congelada, enquanto meu mundo desmoronava ao meu redor.

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