Capítulo 2 2

CAPÍTULO 2: RUMI

—E eu disse pra você se afastar —Knox retrucou de novo. A voz dele parecia pedra rangendo contra pedra.

—Qual é o seu problema? —perguntei, tentando passar pelas pernas dele. Era como empurrar uma parede de tijolos. Debaixo do jeans escuro, as pernas dele eram puro músculo sólido. Mesmo com a força da minha loba, eu não consegui movê-lo nem um centímetro. Joguei todo o meu peso, e ele nem se mexeu.

Em vez disso, soltou uma risadinha baixa, contida, quase inaudível. Ele estava tirando sarro de mim.

—Você acha que isso aqui é algum show de comédia? —larguei minha mochila pesada no chão com um baque. —Então onde é que eu deveria sentar?

Knox me ignorou. Virou o rosto, encarando direto a frente da sala. Eu fiquei olhando para ele, completamente chocada com a atitude. Esse cara achava mesmo que era dono da fileira de trás inteira? Achava que ninguém mais tinha permissão pra sentar ali?

Se ele queria brincar, tudo bem. Eu não era uma Ômega fraca que ia sair correndo e chorar.

—Tá bom —eu disse, alto. —Então eu vou sentar aqui.

Eu me impulsionei e plantei a bunda bem em cima da mesa dele, sentando bem na frente do rosto dele. Virei as costas para ele, de frente para o resto da sala.

—Que porra é essa? —ouvi Knox rosnar atrás de mim.

Um monte de alunos se virou para olhar, e alguns começaram a dar risadinhas.

—Sai de cima —Knox ordenou, num murmúrio. Eu sentia o bafo quente e furioso do lobo dele batendo nas minhas costas.

—Não dá —eu disse, cruzando os braços. —Não tenho pra onde ir. A outra carteira está quebrada.

—Sai de cima, ou eu te tiro daqui.

Agarrei as laterais da mesa com força, pressionando meu peso para baixo e encolhendo as pernas por baixo do tampo. Eu me prendi ali. —Vai em frente e tenta, garoto do hóquei.

De repente, duas mãos grandes e quentes se fecharam com firmeza em volta dos meus quadris.

Não. Ele ia mesmo me jogar fisicamente pra fora da mesa? Apertei a madeira ainda mais. Eu não ia soltar fácil.

Olhei para baixo e vi os dedos longos e grossos dele abertos dos dois lados da minha cintura. O aperto era firme, pressionando minha pele, antes de ele me erguer no ar com facilidade.

Usei cada pingo de força para me manter, mas não adiantou. Knox era perigosamente forte. Em dois segundos, minha bunda já estava completamente fora da mesa. Ele me segurava no ar como se eu não pesasse nada. Como ele conseguia fazer aquilo ainda sentado? Quão poderoso era o lobo desse cara?

—Desculpem o atraso, turma —disse um homem, entrando apressado na sala. Parecia o professor. —O que todo mundo está olhando? —perguntou, percebendo que absolutamente todos os alunos encaravam a fileira de trás.

—Me solta —sibilei entre os dentes. Eu ainda tentava me segurar na mesa, mas a força de Knox estava arrancando meus dedos da madeira.

—Tem algum problema aí atrás? —o professor perguntou, olhando direto para mim.

—Eu só preciso de um lugar pra sentar, senhor —eu disse, tentando parecer calma, mesmo fervendo de raiva.

Knox soltou minha cintura de repente. Sem o apoio dele, minha bunda bateu com força na mesa e eu escorreguei para o lado. Saltei rápido para ficar de pé antes que eu caísse no chão de novo.

—O que tem de errado com aquela carteira vazia bem do seu lado? —o professor perguntou, apontando para o lugar na janela.

Eu ia dizer ao professor que esse grandalhão idiota não deixava eu passar. Mas eu não queria parecer uma dedo-duro para uma Matilha nova. Então forcei um sorriso falso e disse:

—Ah… acho que eu só não tinha reparado.

Virei para olhar Knox. Havia um sorrisinho minúsculo e arrogante nos lábios dele. Devagar, ele puxou as pernas longas para trás só o suficiente para deixar uma brecha. Peguei minha mochila do chão e me espremei rápido para passar até o lugar da janela, antes que ele tentasse me dar uma rasteira.

—Agora que finalmente todo mundo se acomodou —disse o professor, virando-se para o quadro—, vamos começar revisando o que vamos aprender este ano.

Corri para abrir minha mochila. Enquanto eu tirava minhas coisas, um gloss escapou dos meus dedos. Ele rolou pelo chão e parou bem ao lado da bota pesada de Knox. Ótimo. Obrigada, Deusa da Lua.

—Você pode chutar isso de volta pra mim? —sussurrei baixinho.

Knox não se mexeu. Nem sequer olhou para o objeto no chão. Em vez disso, se recostou ainda mais na cadeira e puxou o boné preto até cobrir completamente os olhos.

Que babaca completo.

Decidi ignorá-lo. Peguei minha caneta na bolsa, abri meu caderno e copiei depressa o que o professor escrevia no quadro.

Conforme a aula avançava, olhei para Knox. Ele não anotava nada. Na verdade, parecia estar dormindo profundamente. A cabeça estava baixa, o rosto escondido pelo boné, e os braços enormes cruzados com força por cima da camisa de hóquei. Ele agia como se mandasse na escola inteira — e talvez mandasse mesmo.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo