Capítulo 5
Toda a conversa parou quando eu entrei. Todo mundo me olhou — uma mulher com a roupa de ontem, amassada, a maquiagem borrada, invadindo o espaço deles. Eu via, antes mesmo de abrir a boca, que já tinham me descartado. Isso abalou minha determinação. Eu devia ter ao menos dado um jeito na maquiagem antes de entrar na sala com tanta confiança.
Vance me lançou um olhar de desaprovação por causa da minha aparência. Os olhos frios, avaliadores, me pregaram no chão por um instante, e então ele desviou o olhar.
— Senhores — disse Vance, a voz cortando o silêncio. — Esta é Nerissa Sullivan, minha estrategista-chefe de dados. Ela comanda nossas análises europeias. Vai explicar o que está faltando na proposta da Zenith.
Ele não me chamou de analista de dados. Inventou um cargo melhor na hora, me dando uma autoridade que eu não tinha oficialmente. Era apoio. E um desafio.
As sobrancelhas espessas de Harrington se ergueram.
— Estamos com pouco tempo, Blackwood. Já vimos as projeções de custo. Estão altas demais.
Eu não esperei Vance. Caminhei até a frente, conectei meu laptop e mostrei o primeiro slide. Um único gráfico simples.
— As projeções que vocês viram usam modelos norte-americanos — eu disse, com a voz clara e firme na sala enorme. Nem parecia a minha voz. — Eles pressupõem uma melhora de quarenta por cento. Estão errados.
Um homem de óculos soltou um som de desdém.
— Nossos modelos são o padrão.
— O padrão está cinco anos atrás dos escandinavos — respondi, passando para o slide seguinte: uma comparação de consumo de energia. — Eles começaram a usar a tecnologia central da Zenith há dois anos, em Oslo. Os dados publicados por eles mostram um ganho de setenta e dois por cento. Não quarenta. Setenta e dois.
Apontei para uma linha no gráfico.
— Os modelos de vocês enxergam este grande custo inicial aqui — eu disse, tocando na tela. — E param de olhar. Os dados escandinavos mostram que esse custo acontece uma vez. Depois disso... — cliquei para o último slide, uma linha despencando — ...vocês têm isto. Uma queda permanente e enorme nos custos operacionais. O retorno não é em sete anos. É em dezoito meses.
A sala ficou completamente silenciosa. Harrington se inclinou para a frente, os olhos afiados presos na tela.
— Mostre os detalhes do fornecedor. A implementação em Oslo.
Eu não tinha preparado aquilo. Estava em outro arquivo. Meu coração disparou. Era aqui que eu ia estragar tudo.
Antes que eu me atrapalhasse, Vance falou, lá perto da janela:
— Página dezessete do material à sua frente, Sr. Harrington. A Srta. Sullivan sinalizou o plano do fornecedor na semana passada. Foi por isso que adiantamos esta reunião.
Eu não tinha sinalizado. Ele estava mentindo. Com suavidade, com confiança, fazendo parecer que eu tinha me antecipado.
Harrington folheou até a página dezessete. Havia marcações em amarelo. Vance deve ter mandado o assistente fazer aquilo assim que me deixou no elevador.
O velho estudou a página e então alternou o olhar entre Vance e eu. Um sorriso lento, calculista, apareceu.
— Você não tem medo do custo alto, tem?
— Não, senhor — eu disse, e era verdade. — Eu só preciso saber o que vem depois. Os dados mostram que vale a pena. Não é um desastre.
Harrington riu, um som curto e satisfeito. Olhou para Vance.
— Você estava certo. Ela entendeu. — Ele fechou a pasta com um estalo. — O conselho se reúne na segunda-feira. Quero ela na ligação. Não o seu diretor financeiro. Ela. Ela explica isso direito.
Tinha acabado. A decisão tinha mudado. Uma onda de poder puro e limpo, melhor do que qualquer bebida, mais forte do que quaisquer lágrimas, atravessou meu corpo. Eu não tinha apenas mostrado dados. Eu tinha mudado um acordo enorme.
Fiquei ali por um segundo, mal reconhecendo a mulher que segurava o controle da apresentação.
Só uma hora atrás, eu acreditava que não era o bastante.
Não o bastante para manter meu marido.
Não o bastante para ser escolhida.
Não o bastante para importar.
E, ainda assim, uma sala cheia de executivos confiara no meu julgamento o suficiente para mudar uma decisão de milhões de dólares.
Talvez eu tivesse pedido à pessoa errada para medir meu valor esse tempo todo.
— Obrigada, senhor — eu disse, minha voz ainda firme.
Vance fez um único aceno de cabeça.
— Srta. Sullivan, vamos conversar no meu escritório. Senhores.
Reuni minhas coisas sob os novos olhares deles — não mais de desdém, e sim de curiosidade e respeito. Segui Vance para fora. Não falamos no corredor. O silêncio entre nós parecia diferente agora. Cheio de algo que tínhamos acabado de fazer juntos.
O escritório dele era fresco, silencioso, com paredes de vidro. Ele fechou a porta e se virou para mim, encostando-se à mesa.
Por um instante, ele apenas me observou. O rosto profissional estava ali, mas por baixo eu vi o homem do elevador. Aquele que tinha segurado a porta aberta. Aquele que tinha perguntado Você consegue? como se já soubesse a resposta.
— Aquilo — ele disse, por fim — foi muito bem feito.
Era o melhor elogio que eu conseguia imaginar vindo dele. Um sorriso pequeno e verdadeiro tocou meus lábios.
— Obrigada. Pelo material extra.
— Uma edição necessária. Você tinha o ponto principal. Eu só... preparei o terreno. — Ele cruzou os braços. — O “sim” do Harrington significa que a fusão com a Zenith vai ser anunciada na próxima sexta. Vai ter um evento de imprensa. Uma festa. Você vai estar lá. Como líder do projeto.
O mundo do lado de fora das janelas pareceu se deslocar.
— Em público?
— Em público. Como profissional. — Ele fez uma pausa, os olhos cinzentos presos aos meus. — As pessoas vão notar. A imprensa. O setor. — Outra pausa, de propósito. — Qualquer um que se importe com o que acontece na minha empresa.
Zane. Jovi. Ele não disse. Não precisava.
A energia fria no meu peito queimou mais quente. Aquilo não era só uma promoção. Era uma jogada no tabuleiro. Uma bem visível.
— Por que você está fazendo isso? — perguntei, a pergunta escapando antes que eu pudesse impedir.
Ele não respondeu de imediato. Virou-se e olhou para a cidade, de costas para mim.
— Porque habilidade não deveria ser desperdiçada.
O olhar dele pousou em mim.
— As pessoas confundem ser ignorado com ser comum.
Uma pausa.
— Não é a mesma coisa.
Ele olhou por cima do ombro, o perfil afiado.
— E porque eu estou cansado de perder gente boa por causa de escolhas ruins.
