Capítulo 4 Cap 4

Olívia Bennett

Marcos — Liv, acorda… o avião acabou de pousar.

Abro os olhos, ainda sonolenta, e me espreguiço sentindo o corpo dolorido por ter dormido em posição tão desconfortável.

Olívia — Já estamos em Nova York?

Marcos — Estamos. E se não desembarcarmos logo, as comissárias vão nos expulsar.

Diz, rindo, e eu me levanto depressa.

Olívia — Então vamos descer, tio!

Ele pega sua bagagem e minha mochila, que estava guardada no compartimento acima dos assentos. Como levamos poucas coisas, logo estamos no saguão do aeroporto. Observo tudo com curiosidade; afinal, nunca saí de minha cidadezinha, e cada detalhe é novidade para mim.

Marcos — Robert, meu amor! Não esperava que viesse nos buscar!

Meu tio fala, radiante de alegria. E ao olhar na direção dele, vejo-o abraçado a um homem alto e de beleza notável. Lembra-me aquele ator de novelas mexicanas, William Levy — minha mãe era apaixonada por ele, e meu pai morria de ciúmes.

Marcos — Deixe-me apresentar-lhe. Esta é minha sobrinha, Olívia.

Robert me abraça com carinho. Sinto-me um pouco tímida, pois acabamos de nos conhecer, mas retribuo o gesto com afeto.

Robert — É uma satisfação finalmente conhecê-la, Olívia. Seu tio sempre falou muito de você e de seu irmão, Mike. Aliás, meus sentimentos. Sinto profundamente tudo o que aconteceu.

Olívia — O prazer é todo meu, Robert. E obrigada pelas palavras.

Robert — Robert, não! Tio Robert.

Corrige-me com um sorriso contagiante. Percebo logo que é daquelas pessoas cuja energia alegra todos ao redor.

Olívia — Está bem… Tio Robert.

Marcos — Então? Vamos para casa? Estou faminto.

Olívia — Tem certeza de que não vou atrapalhar?

Robert — Não diga bobagens, querida! Claro que não! Será um prazer tê-la conosco. Onde estão suas malas?

Marcos — Estão aqui, meu bem. Ela só conseguiu pegar documentos e algumas roupas… digamos que não nos despedimos da melhor forma.

Robert — Ora, não se preocupem com isso. Depois levaremos a Olívia ao shopping e a renovaremos do começo ao fim. Adoro fazer compras!

Olívia — Não! De forma alguma! Não quero que gastem comigo!

Marcos — Olívia, você é minha sobrinha e sabe que a amo como se fosse minha filha. É minha família. E entre família não há cerimônia.

Robert — Exatamente. Portanto, não reclame quando comprarmos algo para você, ou nos sentiremos ofendidos.

Olívia — Está bem… por enquanto deixarei essa discussão de lado. Mas não pensem que venceram!

Seguimos o Tio Robert até o estacionamento, onde um belo BMW nos espera.

Olívia — Uau! Que carro lindo!

Robert — Gostou? Este é meu bebê.

Fala, visivelmente orgulhoso.

Olívia — É maravilhoso! Quer dizer… não entendo muito de automóveis, mas até eu reconheço uma BMW.

Marcos — Robert gosta de ostentar. Eu prefiro meu Audi prata, bem mais modesto.

Robert — Como se o seu fosse um carro barato…

Entramos no veículo e Robert segue pelas ruas de Nova York. Fico debruçada na janela, absorvendo cada detalhe, enquanto os dois conversam animadamente.

Olívia — Que cidade linda!

Marcos — É sim, Liv. Quando cheguei, demorei a me acostumar com toda essa grandiosidade.

Robert — Você está no coração do mundo, querida.

Seguimos por mais algum tempo. Esperava que nos afastássemos do centro em direção a um bairro mais tranquilo, mas o trânsito só aumenta e os prédios se tornam ainda mais altos. Até que ele entra na garagem de um edifício imponente e estaciona ao lado de um Audi prata — que suponho ser do tio Marcos.

Robert — Chegamos, Liv.

O Tio Marcos desce e abre a porta para mim.

Olívia — Vocês moram em meio a tanto movimento… como conseguem dormir? Dizem que Nova York nunca dorme.

Robert — Aqui tudo é insonorizado, Liv. Vai ver quando entrarmos.

Marcos — Este é um dos lugares mais cobiçados da cidade. E a vista para o Central Park é deslumbrante, especialmente no inverno.

Olívia — Sempre sonhei em conhecer o Central Park no inverno.

Robert — Pois não faltará oportunidade. O inverno ainda demora, mas quando chegar, iremos passear juntos.

Olívia — Adoraria!

Entramos no elevador e subimos até o trigésimo andar. Quando as portas se abrem, deparo-me com um apartamento amplo e elegante, parecido com aquelas fotografias de revistas de decoração e arquitetura — justamente o que despertou em mim o desejo de estudar Arquitetura e Paisagismo.

Marcos — Gostou, Liv?

Olívia — É maravilhoso! Tão espaçoso e com um gosto impecável.

Marcos — Robert escolheu cada detalhe.

Robert — Venha… vou mostrar seu quarto. Tome um banho e descanse um pouco enquanto preparo o almoço. Depois lhes mostro o resto da casa.

Puxa-me pela mão e me guia até uma porta branca, seguido pelo tio Marcos com minha mochila. Ao abrirem a porta, fico deslumbrada. O quarto é amplo, decorado em tons de branco e dourado. No centro, uma cama imponente. Ao fundo, uma grande janela com vista para o Central Park. Há mesinhas de cabeceira de ambos os lados, um sofá branco e uma mesa redonda, um tapete felpudo e uma televisão de tela grande. Em uma das paredes, duas portas — uma dá acesso ao banheiro e a outra, suponho, ao closet. Isso me deixa radiante; sempre sonhei com um, mesmo tendo pouquíssimas roupas para guardar.

Robert — Este é seu quarto, querida. Se não gostar de algo, podemos alterar a decoração.

Olívia — Está perfeito assim! Não mudem nada. Amei cada detalhe.

Marcos — Que alegria, Liv. Será muito feliz aqui, tenho certeza.

Olívia — Sim, tio. Aqui poderei recomeçar e lutar pelos meus sonhos.

Digo, abraçando tanto o tio Marcos quanto o tio Robert.

Olívia — Obrigada por tudo!

Robert — Não há motivo para agradecer. Somos família. Agora, vá descansar. E você também, meu amor. Enquanto isso, prepararei um almoço de boas-vindas.

Eles saem e me deixam a sós. A primeira coisa que faço é tirar a fotografia de minha família da mochila e colocá-la sobre a mesinha de cabeceira, ao lado da cama.

Olívia — Vou lutar pelos meus sonhos… eu prometo, Mike.

Digo, fitando a imagem de meu irmão, que sorri para mim.

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