Capítulo 8 Capítulo 8
Alex Fletcher
Passei o maldito jantar inteiro olhando para a porta da cozinha, esperando ao menos um vislumbre de Olívia. Ela não apareceu mais, e isso me deixou profundamente frustrado. Como pode uma garota que mal saiu da adolescência mexer comigo dessa maneira?
Não posso aceitar isso. Mal troquei mais de uma frase com a menina e ela já tomou conta de todos os meus sentidos. Preciso é de uma boa transa, com certeza. Faz uma semana que não me deito com ninguém; devo estar carente, só pode ser isso.
Assim que terminei de jantar, despedi-me de Marcos sem esperar que Robert aparecesse e saí o mais depressa possível, para longe daquela loira deslumbrante. No caminho até o carro, pego o celular e ligo para Lian.
Alex — Lian.
Lian — Fala, cara.
Alex — Ainda está na boate?
Lian — Estou. Por quê? Mudou de ideia?
Alex — Mudei. Estou a caminho. Me espere e, se possível, arrume uma loira bem atraente.
Lian — Pode deixar. Tenho a garota perfeita para você…
Uma semana depois
Olívia Bennett
Saio da faculdade apressada. Preciso chegar a tempo de me arrumar e ir ao restaurante. Na pressa, meus livros escorregam e caem ao chão. Enquanto me agacho para recolhê-los, vejo um par de pernas calçadas em sapatos de salto altíssimo parar diante de mim.
— Liv?! É você mesmo?
Olho para cima e reconheço imediatamente aquela voz.
Olívia — Katy?
Katy — Olá, Liv! Não acredito que encontrei você aqui! Faz quanto tempo? Uns dois anos?
Olívia — Mais ou menos isso. Desde que se mudou para Nova York, perdemos contato. Você nunca mais me ligou e eu não tinha seu número novo.
Katy — Mas eu não troquei de número.
Olívia — Pois é. Liguei inúmeras vezes e ninguém atendia. Então achei que tivesse trocado.
Ela sorri daquele jeito dissimulado que sempre usava com quem não gostava, joga o cabelo para o lado, como fazia toda vez que ia mentir, e começa a falar.
Katy — Sabe como é… faculdade, muitos trabalhos, provas… mal tenho tempo para respirar.
— Katy, você vem ou não?
Um jovem bonito se aproxima chamando-a. É alto, de pele bronzeada, típica de quem passa muito tempo ao ar livre. Tem cabelos escuros e levemente desarrumados e veste uma jaqueta do time de futebol da universidade. Exatamente o tipo de garoto com quem Katy se envolveria.
— Quem é essa?
Katy — Ah, é só uma caloura. Ninguém importante.
Fico sem entender. Não acredito que está fingindo não me conhecer.
— Você fala como se não tivesse sido caloura ano passado. Prazer, sou o James.
Estende a mão com um sorriso sincero.
Olívia — Olá, sou Olívia.
Aperto-lhe a mão. Ele me observa com atenção e sinto-me desconcertada. Felizmente Katy intervém.
Katy — Então, James… não estava com pressa?
James — Ah, é verdade. Já vou indo. Foi um prazer conhecê-la, Olívia. Até qualquer dia.
Olívia — Até mais.
Respondo sem vontade de prolongar a conversa, pois Katy já me olha com raiva.
Katy — Pode ir na frente, James. Já alcanço você.
James — Não demore.
Lança-me um último olhar, sorri e afasta-se.
Katy — Escuta aqui… quero que fique bem longe de mim. E não conte a ninguém que nos conhecemos.
Olívia — Como assim, Katy? Fiquei tão feliz em encontrá-la!
Katy — Olha… esqueça que um dia fomos amigas. Já bastou o ensino médio, onde eu vivia à sua sombra. Aqui tudo é diferente. Sou popular, os garotos querem sair comigo, e não vou deixar você estragar isso.
Olívia — À minha sombra?! Como assim? Você era a mais popular! Todos queriam estar com você!
Katy — Ah, não me venha! Eles se aproximavam de mim apenas para que eu os apresentasse a você. Afinal, era a garota inatingível e antissocial. Eu, claro, nunca os ajudava. E acabava sendo o prêmio de consolação. Mas aqui é diferente. Aqui sou Katy, líder de torcida, o sonho de todos. E você não vai tirar isso de mim. Portanto: esqueça que nos conhecemos.
Olívia — Fique tranquila. Não vim atrapalhar sua vida. Só quero estudar. Ficarei bem longe do seu caminho.
Katy — É o melhor que faz.
Ela vira-se e sai apressada, seguindo o caminho por onde James foi. Fico ali, ainda atordoada. À minha sombra? Que ideia é essa?
Chego em casa e percebo que não terei tempo de me arrumar para o trabalho, pois me atrasei bastante. Mas, para minha surpresa, encontro o Tio Marcos e o Tio Robert tranquilamente sentados na sala assistindo a um filme.
Olívia — Tio Robert… não vai ao restaurante hoje?
Robert — Não, Liv. O estabelecimento permanecerá fechado neste fim de semana. Estourou um cano e causou danos na parede da cozinha. A equipe de reparos ainda não terminou os consertos.
Olívia — E eu vim correndo à toa para não me atrasar!
Robert — Perdoe-me, querida. Devia ter avisado.
Olívia — Tudo bem. Diga-me… o Tio Marcos está cozinhando?
Robert — Sim. Diz que vai preparar um jantar comemorativo: pela entrada do restaurante no prestigiado guia internacional de gastronomia e, claro, pelo início de suas aulas.
Olívia — Tio, que notícia maravilhosa! Parabéns! É totalmente merecido. Você é um chef excepcional.
Robert — Obrigado, querida.
Olívia — Então vou ver se o Tio Marcos precisa de ajuda.
Marcos — De forma alguma. Hoje o jantar é por minha conta.
Aparece na porta da cozinha, vestindo um avental azul e com um pano de prato no ombro.
Olívia — Sendo assim… vou tomar um banho.
Deixo meus livros e anotações sobre a mesa de centro e vou ao quarto. Tomo um banho demorado e aproveito para lavar os cabelos. Após me secar, passo os cremes que o Tio Robert me presenteou, penteio os cabelos e os deixo soltos para secarem naturalmente. Visto uma calça de moletom e um suéter bem largo e confortável, e volto à sala.
Robert — Então, Liv… como está sendo a faculdade?
Olívia — Estou adorando o curso. Na verdade, quando não estou em sala de aula, estou na biblioteca adiantando trabalhos.
Robert — E as festas da fraternidade? Já foi a alguma? Eu adorava!
Olívia — Não sei. Ainda não fiz amizades suficientes para estar por dentro dessas coisas.
Robert — Mas se passar todo o tempo livre na biblioteca, jamais fará amizades.
Olívia — Estou bem assim. Não consigo me forçar a participar de coisas que não me agradam apenas para me enturmar.
Robert — Faz sentido.
Olívia — Sabe, tio… hoje encontrei a Katy. Já lhe falei dela, lembra-se?
Robert — Claro que me lembro. Disse que era sua melhor amiga no colégio e que haviam perdido contato.
Olívia — Pois é… encontrei-a hoje. E foi decepcionante.
Robert — O que houve? Algo aconteceu?
Aproxima-se e começa a afagar meus cabelos com carinho enquanto conversamos.
Olívia — Ela está bem. Mas pediu para que eu me afaste. E quando um amigo dela se aproximou, fingiu não me conhecer. Disse que eu era apenas uma caloura sem importância.
Robert — Que menina desagradável! O que se passa na cabeça dela?!
Olívia — Não sei. Disse algo sobre ter vivido à minha sombra durante o ensino médio. Enfim… parece ter mudado. Não é mais a garota que eu conhecia.
Robert — Ou sempre foi assim e apenas fingiu ser diferente.
Antes que eu possa responder, a campainha toca.
Robert — Liv, querida… atenda, por favor. Nosso convidado chegou. Vou verificar como está o jantar.
Olívia — Convidado? Mas não mencionou que receberíamos alguém!
Falo sozinha, pois ele já se dirigiu à cozinha. Suspiro e vou atender a porta, sem imaginar quem seria. E ao abri-la, sinto o coração parar. Nosso convidado não é ninguém menos do que Alex Fletcher — o homem que povoava meus sonhos todas as noites desde o dia em que o conheci…
