Capítulo 3 3
Assim que Rafael e sua mãe saíram, Anastasia se dispôs a limpar o chão, descarregando ali sua raiva e sua dor. As lágrimas caíam uma atrás da outra. A campainha da casa tocou e Sara foi abrir.
"Senhora Blanca, bem-vinda. Entre, por favor."
"Obrigada, querida. E Margaret?"
"Ela saiu há um tempo, mas já deve estar chegando."
Blanca viu Anastasia limpando o chão, mas ela parecia abatida.
"Nova empregada?" — perguntou a senhora Blanca.
"Oh, não, senhora. Ela é..."
"Blanca, querida, há quanto tempo chegou?" — disse Margaret entrando com sacolas de compras e jogando-as no sofá. "Mas mexa-se, menina. Traga algo para beber para a Blanquita."
"Na verdade, cheguei há pouco. E pelo visto você tem uma nova empregada."
"Ah, sim, sim. Mas não tem importância."
"Soube que seu filho se casou."
"Ah, sim, mas é uma ninguém que só vai viver para servir e limpar o chão" — disse ela em voz alta.
Anastasia não parava de chorar.
"Você está me dizendo que a jovem que está limpando o chão é a esposa do seu filho?"
"Sim, querida. Já que ela não faz nada, que colabore com as coisas da casa."
A senhora Blanca tinha uma grande curiosidade para saber quem era aquela garota.
"Mas você pretende ficar o dia todo no chão? Anda, vá fazer outra coisa."
"Sim, senhora" — respondeu Anastasia com o olhar no chão. Levantou-se e caminhou até a cozinha.
Blanca não conseguiu ver seu rosto.
"Você não deveria tratar sua nora assim, Margaret."
"Você veio me visitar ou me dar sermão?"
"Tudo bem. Vim dizer que, como minha família ficou sabendo que seu filho se casou e não nos convidaram, queremos fazer um jantar especial esta noite."
"Oh, querida, que lindo da sua parte. Na verdade, foi ele quem quis se casar dessa forma e com essa mulher, que é uma interesseira. Mas enfim, as mães apoiam seus filhos, não é verdade?"
"Você tem razão, querida."
"Bem, te espero esta noite. Ah, e leve a esposa do seu filho. Todos querem conhecê-la."
"Mm, sim" — disse Margaret com hipocrisia.
A senhora Blanca saiu da casa, mas não gostou nem um pouco do tratamento dado àquela garota que morria de vontade de conhecer à noite.
"Anastasia!" — gritou Margaret.
"Sim, senhora."
"Infelizmente, esta noite iremos à casa da minha amiga. É melhor você se comportar como uma esposa feliz. Não pode fazer meu filho passar vergonha, porque senão você vai me pagar quando chegarmos em casa. Entendido?"
"Sim, senhora."
.........
...Ao cair da noite...
"Não, mãe. Eu não quero ir lá."
"Filho, por favor, temos que ir. Não podemos deixar a Blanca mal, ainda mais porque ela é a maior acionista da empresa de calçados."
"Que pedra essa velha, sempre vem incomodar. Tá bom, vou tomar banho para ir a esse maldito jantar."
Anastasia estava tomando banho quando ouviu a porta do quarto. Ela fechou a torneira. O dia todo não tinha visto Rafael e, além disso, suas costas doíam por ter ficado muito tempo na posição errada limpando o chão.
"Aqui está você. É assim que recebe seu marido?"
"Rafael... como... como você está?"
"Bem" — disse ele, olhando-a dos pés à cabeça.
"Rafael, eu preciso me arrumar. Sua mãe..."
"Que se dane minha mãe" — disse ele, e arrancou a toalha dela, deixando-a nua.
"Não, por favor, Rafael. Estou machucada."
"Não me importa. Você tem que atender seu marido."
Ele a jogou na cama e a beijou de forma brusca.
Fez sexo selvagem, deixando-a ainda mais machucada em sua zona íntima.
Ela segurou as lágrimas para não chorar, mas sentia um nojo impressionante de Rafael.
"Agora se arrume. Não quero que depois andem dizendo que tenho uma esposa feia."
Anastasia baixou o olhar e viu que Rafael saiu. Então desabou em lágrimas.
Voltou ao banheiro e tomou um banho rápido. Não queria demorar.
Procurou no closet e não havia nada bonito para vestir.
Procurou e procurou, até que viu um vestido branco um pouco desgastado, mas o vestiu com sapatilhas brancas. Deixou o cabelo solto, passou um pouco de batom, olhou-se bem no espelho e disse:
"De verdade, sou tão feia assim? Mereço isso?"
De repente a porta se abriu com força.
"Você realmente pensa em ir assim e nos fazer passar vergonha?" — disse Margaret.
"Senhora, não tem mais nada para vestir."
"Bom, a que vai passar vergonha é você. Agora mexa-se que vamos chegar tarde, estúpida."
Anastasia a seguiu até o carro. Durante o caminho, tudo em silêncio.
Depois de mais de 10 minutos, chegaram a uma mansão grande e bem iluminada.
"Se você me fizer passar vergonha, vai me pagar muito caro. Entendido?"
"Sim, senhora."
"Agora desça do carro e comporte-se como a esposa do meu filho."
Ela assentiu e pegou o braço de Rafael.
Os três entraram na mansão e tudo por dentro era lindo para Anastasia.
A empregada os guiou até a sala de estar.
Anastasia estava encantada com a casa, mas não demonstrava.
"Bem-vindos. Que bom que aceitaram o convite, Margaret" — disse Blanca com muita elegância.
"Não perderíamos este convite, não é mesmo, filho?"
"Assim é, mãe. Além disso, quero apresentar minha esposa. Ela é Anastasia Márch de Velázquez."
"Prazer, querida. Finalmente te conhecendo" — disse Blanca encantada.
Anastasia levantou o olhar e encontrou o da senhora Blanca. Sentiu uma calorosa sensação.
A senhora Blanca estendeu a mão e Anastasia fez o mesmo. Ambas sentiram uma estranha sensação.
As duas soltaram as mãos.
"Anastasia, querida, como você não conhece a família, vou te apresentar."
"Este é meu marido York, meu filho mais velho Antonio, meu filho menor Massimo."
"Prazer em conhecê-los" — disse ela educada, cabisbaixa.
"Vovó, desculpe o atraso."
"Tranquila, filhinha. Nossos convidados chegaram há pouco."
"Anastasia, querida, ela é a filha do meu filho mais velho, Antonio."
"Prazer em te conhecer" — disse Anastasia.
"O prazer é meu. Mas olha, vovó, que mulher tão linda, não é? Olha o cabelo longo e os olhos, o lindo sorriso, não é, tio?"
"Sim, pequena, mas é hora de passar para o jantar" — disse Massimo.
"Você tem razão, meu filhinho."
Rafael pegou a mão de Anastasia, mas a apertou com força, machucando-a.
Jantaram tranquilamente, menos Anastasia, que estava assustada.
"E me diga, querida, você estudou algo?" — perguntou a senhora Blanca.
"Sim, senhora. Estudei marketing e publicidade."
"Essa é uma boa carreira. Você deveria fazer algum trabalho para mim."
Anastasia ia dizer algo, mas Rafael a interrompeu.
"Na verdade, senhora Blanca, minha esposa decidiu tirar um tempo para se dedicar à família. Além disso, queremos filhos, não é, meu amor?"
"Sim" — respondeu ela olhando para o prato da sobremesa.
"Bom, querida, foi demais por hoje. Obrigada pelo jantar" — disse Margaret.
"Obrigada a vocês por terem vindo. É um prazer, venham sempre."
"Trataremos" — disse Rafael.
Despediram-se da família. Anastasia deu um olhar rápido para Massimo e depois baixou rapidamente o olhar.
Saíram da mansão.
Rafael estava em total silêncio até chegarem à mansão.
Pegou Anastasia pelo braço com força e a levou para o quarto.
"O que eu fiz, Rafael? Você está me machucando."
"Você é uma vadia. Gostou do filho da senhora Blanca?"
Pá! Ele lhe deu um forte tapa, tão forte que ela caiu no chão. Agarrou-a pelo cabelo e a arrastou.
"Você é uma vadia, vadia!"
"Não, não! Eu não fiz nada, eu prometo, eu juro, Rafael! Por favor, não me bata mais, por favor!"
Ele lhe deu chutes fortes e saiu do quarto.
Anastasia estava chorando e se queixando de dor. Sara entrou para ajudá-la ao ouvir os gritos.
"Senhora, senhora!"
"Sara, saia daqui, por favor. Não quero que depois descubram você comigo. Por favor."
Sara saiu do quarto assustada e preocupada com o estado de Anastasia. Sentiu ódio de Rafael.
Ela se levantou do chão, mas voltou a cair. Doía demais o abdômen.
