Capítulo 4 4
Deus, meu corpo dói. Eu não aguento mais. Ele vai me matar. Tenho que sair daqui, mas como? Como? Não tenho dinheiro.
No apartamento onde eu morava, vendi tudo porque ele me disse que não me faltaria nada. Mas como sou ingênua! Por quê? Por que isso tinha que acontecer comigo?
Odeio Rafael. Eu o odeio. Meu corpo dói muito. Tenho que encontrar uma maneira de sair daqui. Deusinho, por favor, me ajude. Não me deixe sozinha.
Anastasia se levantou como pôde e caminhou até o banheiro.
Ao se olhar no espelho, viu que estava péssima: olhos inchados e o lábio sangrando.
Tirou o vestido e entrou no chuveiro. Sua pele estava tão sensível que até as gotas de água machucavam.
Saiu do banho e pediu a Deus que Rafael não estivesse em casa. E assim foi. Agradeceu mentalmente.
Vestiu um pijama e se deitou na cama.
Estava assustada. Sentia que se dormisse, ele a mataria ou algo assim.
Mas estava tão cansada e dolorida que seus olhos já pesavam. Foi fechando-os pouco a pouco.
A porta se abriu com força. Era Rafael.
Ela se agarrou ao lençol com medo, mas não olhou para ele.
"Já aprendeu a lição?" — disse ele, arrogante.
Ela engoliu em seco, segurando o choro, e respondeu rápido para que ele não se irritasse, embora ele fosse um patife de merda.
"Sim, já aprendi."
"É melhor mesmo, porque da próxima vez você vai se arrepender."
Ela sentiu uma raiva enorme, mas o medo que tinha dele foi mais forte e ficou em silêncio.
Até que ouviu os roncos de Rafael e soube que ele já estava dormindo.
Tentou dormir, mas estar ao lado dele lhe dava muito medo. Um medo mortal.
Desceu da cama com cuidado, sem fazer muito movimento ou barulho, e saiu do quarto.
Desceu as escadas com grande dificuldade.
"Senhora!" — exclamou Sara.
Anastasia se assustou.
"Baixe a voz, Sara."
"Tranquila. Em que posso ajudar?" — sussurrou Sara.
"Por favor, preciso de um comprimido para a dor."
"Sim, venha. Vamos para o meu quarto."
Sara ajudou Anastasia a caminhar. Quando chegaram ao quarto de Sara, trancaram-se.
"Ele é um maldito animal. Olha como te deixou, senhora. Meu Deus!"
"Sarita, não se preocupe. Só preciso aliviar a dor."
Sara tirou da mesinha de cabeceira uma caixinha de comprimidos para dor e deu dois para Anastasia. Passou um copo com água e ela tomou.
"Senhora, você deveria sair daqui."
"Mas como? Como faço? É o que mais quero. Nunca imaginei ter uma vida assim."
"Eu te prometo que vamos sair daqui, senhora."
"Eu tenho que ir, Sarita. Se essa fera acordar e não me vir, com certeza vai me bater de novo."
"Vamos, eu te ajudo a subir as escadas."
"Não, não, Sarita. De verdade, não quero que te vejam comigo. Não quero que façam nada com você. Vou ficar bem, obrigada."
"Senhora, você é uma alma de Deus. Vá com Deus."
Anastasia assentiu e subiu as escadas com grande esforço.
Chegou ao quarto, abriu a porta lentamente. Rafael estava dormindo.
Sentou-se na cama com cuidado, aguentando a dor.
"Onde você estava?" — ouviu-se a voz grossa dele.
Ela se assustou e disse:
"Estava com sede. Só fui beber água."
"Durma logo."
Ela assentiu. A dor diminuiu um pouco. Acabou dormindo, mas teve um pesadelo estranho com a senhora Blanca.
Acordou e já eram 5h da manhã. Rafael ainda dormia. Preferiu levantar para começar suas obrigações.
Ao chegar à cozinha, Sara já estava acordada.
"Como amanheceu, senhora?"
"Sara, por favor, não me chame mais de senhora. Só Anastasia ou Ana, como costumam me chamar."
"Ana está bem."
"Estou me sentindo um pouco melhor."
"Acordei para adiantar o café da manhã. Hoje vai ser um dia ruim."
"Por quê???"
"Hoje vêm as amigas da senhora Margaret para jogar cartas e isso é um martírio."
"Justo hoje que meu corpo não aguenta."
"Eu vou te ajudar."
"Venha, te ajudo."
"Não, já estou quase terminando. Olha, fiz este chá para você, menina Ana."
"Gosto que me chame de menina Ana. Obrigada pelo chá."
Eram 6h30 da manhã quando Anastasia e Sara serviram o café da manhã para Margaret e Rafael.
"Finalmente acordou cedo para atender meu filho. E já te aviso: hoje virão minhas amigas e se comporte bem, porque se não, vou dizer para Rafael te dar o que merece. Entendido?"
"Sim, senhora."
"Ok. Agora saia daqui."
Anastasia foi para a cozinha tomar café da manhã com Sara.
Depois lavaram a louça e começaram a fazer aperitivos, exigência de Margaret para atender suas convidadas.
...
O interfone tocou e Sara foi abrir.
As 4 mulheres entraram e, entre elas, estava a senhora Blanca.
Anastasia teve que ser maquiada por Sara para que não vissem os hematomas. Além disso, vestiu uma roupa que parecia de freira.
As 5 mulheres foram para o jardim jogar cartas. Anastasia e Sara se aproximaram delas com uma garrafa de vinho e aperitivos.
"Anastasia, querida, como você está?" — disse a senhora Blanca.
Ana virou o olhar para a senhora Margaret, que lhe deu um olhar assassino.
"Estou bem. Um prazer te ver novamente."
"O prazer é meu. Mas por que está vestida assim?"
"Ah, é que..."
"Blanquita, querida, vamos jogar. Não há por que perder tempo" — disse Margaret.
Depois de horas, o interfone tocou novamente e Sara foi abrir.
Anastasia saiu da cozinha com uma bandeja de espetinhos de camarão.
"Venho buscar minha avó Blanca."
"De parte de quem?" — perguntou Sara.
"Sou Massimo. Por favor, diga que a espero lá fora."
"Não, como assim, jovem? Entre, por favor. Deseja comer algo?"
Anastasia ficou olhando para ele e, ao ver que ele ia olhar para ela, desviou o olhar, concentrada na bandeja.
"Na verdade, me deu vontade de algo que a senhora tem."
"Claro, claro." Sara se aproximou e ofereceu comida para Massimo.
Rafael chegou e Anastasia se tensionou.
