Capítulo 5 5

Anastasia baixou o olhar.

"Massimo, você por aqui? Que milagre" — disse Rafael com arrogância.

"Na verdade, não gostei da ideia de vir, mas foi exigência da minha avó. Algum problema?"

"Oh, não, de forma alguma. Pensei que vinha por outro motivo."

"Diga você, que motivo me traria aqui?"

Anastasia continuava com o olhar baixo e temeroso, o que chamou a atenção de Massimo, que lhe deu uma olhada rápida, já que os olhos de Rafael estavam fixos nele.

"Te invito um drinque?"

"Não me apetece, mas obrigado."

"Anastasia, suba para o quarto."

"Eu... a senhora para servir os aperitivos..."

"Já passou disso, está Sara."

"Mas a senhora ordenou..."

"Anastasia, não me faça perder a paciência e suba para o seu quarto, cariño."

Ela sentiu os nervos à flor da pele. Com o olhar ainda baixo, entregou a bandeja para Sara e saiu.

"Sara, saia!"

"Sim, senhor."

"Agora sim, Massimo. O que tanto você olha para a minha mulher?"

"Ela é agradável de se olhar? Pois você tem sua mulher como escrava e horrível. Ou por acaso você a maltrata?"

"Hahaha, o que você está dizendo? Ela gosta de se vestir assim. E maltratá-la? Não! Mas não gosto que olhem para o que é meu."

"Os olhos foram feitos para ver, Rafael. Mas ela só é sua mulher, do meu agrado não é" — disse Massimo bem sério, enquanto ajeitava a gravata.

"Você sabe que está na sua casa. Vá buscar sua avó. Eu vou me divertir com a minha esposa. Te garanto que vai ouvir os gemidos dela, porque sou um selvagem, viu?"

"Vai! Primeiro, quem te perguntou? E segundo, não sou o tipo de homem que fala sobre o que faz com uma mulher na cama. Com licença."

Massimo se afastou, deixando Rafael com a palavra na boca.

Anastasia estava em seu quarto sentada quando ouviu os passos intensos de Rafael até que ele entrou no quarto.

"Tire esse vestido porcaria" — disse ele, exigente.

Ela, com dor no mundo inteiro, tirou-o.

"Rafael, por que você me faz mal? Que mal eu te fiz? Amar você, por acaso? Olha só o estado do meu corpo."

"Eu sou seu marido e marco território assim nenhum homem vai se aproximar de você."

"Mas por quê? Por que você me machuca tanto? O que de ruim eu fiz, Rafael?"

"Cale a boca ou vou te dar o que merece."

"Faça então. Por que não me mata de uma vez por todas?"

Rafael se aproximou dela, agarrou seu cabelo com força, fazendo com que o olhasse.

"Escute bem: eu decido se você morre ou não. Você é minha esposa, minha propriedade."

"Eu não quero mais essa vida miserável ao seu lado" — disse ela, tirando todo o seu sofrimento, sendo valente para lhe dizer tais palavras.

Ele a jogou no chão e levantou a mão para bater.

"Se você me bater, vou gritar bem alto para que todos me escutem e saibam que vocês são pessoas ruins."

"É assim que estamos agora? Ah, me diga, por que agora quer ser respondona, mulher miserável? Ou por acaso se sente protegida por Massimo?"

"Pelo amor de Deus, Rafael. Eu não tenho a mínima comunicação com esse homem e nem me interessa."

"É melhor mesmo" — disse ele, caminhando em direção a ela.

Levantou-a do chão e a segurou pelo pescoço com força.

"Se na sua maldita vida passar pela sua cabeça ficar com outro homem, vou te fazer a vida miserável."

Anastasia se sentia sem ar até que ele a soltou e ela caiu no chão.

Tossiu e começou a recuperar o ar. Rafael saiu.

Anastasia, minutos depois, desceu porque se não, Margaret a faria trabalhar ainda mais por não atendê-la e às suas amigas.

Ela passou por um quarto no segundo andar e ouviu gemidos.

Era a voz de Rafael e de uma mulher.

Sentiu que a raiva tomava conta dela, mas seguiu seu caminho. Desceu as escadas um pouco rápido, mas o vestido longo lhe pregou uma peça.

Tropeçou antes de chegar ao primeiro degrau. Esperou o impacto, mas ele não veio.

Braços fortes a seguraram.

"Já pode abrir os olhos" — disse Massimo.

Ela abriu os olhos e, ao vê-lo, imediatamente se soltou do seu agarre.

"Obrigada" — foi só o que ela conseguiu dizer, e seguiu para a cozinha sem olhar mais para ele.

Ele a segurou pela mão, fazendo-a sentir estranhas sensações no corpo, as quais reprimiu porque ela era uma mulher casada.

"Por favor, senhor, me solte. Sou uma mulher casada. Não me arrume problemas" — disse ela desesperada, em voz baixa.

"Por que você tem tanto medo?" — perguntou ele com grande curiosidade.

Anastasia ouviu passos na escada e correu para a cozinha, deixando Massimo intrigado.

Quem desceu foi Rafael.

"E você, o que faz aqui? Pensei que já tinha ido, Massimo."

"Se soubesse o quanto desejo isso..." — disse Massimo com arrogância, pois a atitude de Anastasia não lhe agradou nem um pouco.

"Filhinho, já terminei. Desculpe por te fazer esperar, cariño" — disse a senhora Blanca.

"Não tem problema. Vamos, mãe?"

"Claro que sim, meu amor."

A senhora Blanca viu sua amiga descendo as escadas.

"E você, o que fazia lá em cima? Estávamos te esperando e tivemos que jogar a última rodada sem você."

"Ah, não, querida Blanca. É que estava usando o banheiro do segundo andar."

Para Massimo aquilo pareceu estranho, mas de Rafael se pode esperar qualquer coisa.

"Bom, nós vamos. Obrigada por tudo, Margaret."

"Esta é a sua casa, querida. Podem vir quando quiserem."

Todas se despediram e foram embora.

"Anastasia!" — gritou Margaret.

Ela saiu da cozinha.

"Sim, senhora."

Margaret lhe deu um tapa.

"Fiquei esperando. Quem você pensa que é para me fazer esperar, estúpida?"

"Desculpe, não foi minha culpa" — disse ela com raiva por dentro.

"Que não se repita, porque você vai se arrepender. Agora limpe tudo, mas já, menina."

Anastasia correu para a cozinha.

Pousou as mãos cansadas no grande balcão da cozinha e lágrimas saíram dela. Estava cansada disso.

Sara entrou, lhe deu ânimo e disse que Rafael havia saído.

Mas isso não foi o pior. O pior foi quando chegou a noite...

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo