Capítulo 1 Ilusão
Alice
(Cinco anos antes)
Enquanto estudava na biblioteca da faculdade, fui surpreendida pela aproximação de Lucca Viturino.
Ele era um dos rapazes mais bonitos do campus, pelo menos para mim — olhos azuis intensos, corpo atlético, sorriso irresistível e aquela confiança típica de quem sabia exatamente o efeito que causava nas pessoas.
O típico bad boy que fazia qualquer garota suspirar.
Durante dois anos de curso, porém, ele nunca havia sequer olhado para mim.
Por isso, quando se sentou ao meu lado e puxou conversa, tive a sensação de estar vivendo um sonho. Sem perceber, deixei-me envolver pelo jeito gentil e pelas palavras cuidadosamente escolhidas.
Depois daquele dia, nossas conversas passaram a fazer parte da rotina. Sempre que eu estava na biblioteca, ele aparecia.
À distância, eu notava os amigos dele observando tudo, quase como espectadores de um espetáculo silencioso.
Meu instinto dizia que havia algo estranho naquela situação, mas ignorei o aviso. Era como olhar para um quebra-cabeça e fingir não perceber que faltava uma peça.
Samantha, minha melhor amiga e colega de apartamento, foi a primeira a desconfiar.
Ela comentou que havia ouvido um boato sobre o grupo de Lucca: entre eles existia uma competição para ver quem conseguia levar o maior número de garotas para a cama.
Escolhi não dar importância ao que Samantha disse.
Se fosse apenas uma aposta, por que ele dedicaria tanto tempo a mim?
Quando Lucca finalmente confessou que havia se aproximado porque tinha um interesse específico, meu coração gelou.
Por um instante, pensei que Samantha estivesse certa.
Mas ele revelou que precisava de ajuda em algumas disciplinas e sabia que eu era uma das melhores alunas da turma. Então, perguntou se eu poderia ajudá-lo.
Aceitei sem pensar duas vezes. Aquilo significava passar ainda mais tempo ao lado dele.
As sessões de estudo se tornaram frequentes.
Aos poucos, construímos uma amizade sincera — ou pelo menos foi isso que eu acreditei. Conversávamos sobre sonhos, família, medos e planos para o futuro. Quanto mais eu o conhecia, mais me sentia envolvida.
Quando Lucca me pediu em namoro, fui completamente pega de surpresa.
Claro que eu não recusaria.
Ele fazia questão de aparecer com buquês de flores, deixava bilhetes escondidos entre meus livros e fazia pequenos gestos que alimentavam ainda mais meus sentimentos.
Enquanto isso, seus amigos continuavam à distância.
Com a minha ajuda, as notas de Lucca melhoraram significativamente. Ele cursava administração para assumir a gestão da empresa da família.
Chegou até a dizer que eu havia transformado sua vida. Com a melhora das notas, os conflitos com os pais diminuíram e ele voltou a desfrutar dos privilégios que havia perdido.
A cada mês que passava, a desconfiança de Samantha fazia menos sentido para mim. Quem investiria tanta dedicação e tantos gestos de carinho apenas para vencer uma aposta?
Mas a opinião dela não mudou. Mesmo depois de quase um ano de namoro, ela insistia que havia algo errado.
Achava estranho que os amigos dele nunca se aproximassem de nós e que Lucca sempre encontrasse uma desculpa para adiar o momento de conhecer meus pais.
Como futura advogada, Samantha tinha um olhar atento para detalhes que passavam despercebidos pela maioria das pessoas. Talvez por isso enxergasse sinais que eu me recusava a ver.
Éramos amigas desde o ensino médio. Apesar das diferenças, sempre nos equilibramos perfeitamente.
Ela era linda, comunicativa e popular. Tinha personalidade forte e jamais permitia que a opinião dos outros influenciasse suas escolhas.
Eu era o completo oposto — nerd, tímida e alvo constante de piadas e bullying. Sempre que alguém tentava me diminuir, Samantha surgia para me defender.
Prestamos vestibular juntas para a mesma faculdade e, como ela ficava em outra cidade, decidimos dividir um pequeno apartamento.
Com o tempo, porém, os constantes alertas dela sobre Lucca começaram a me incomodar. Sem perceber, fui me afastando da minha melhor amiga.
Ela respeitou meu espaço. Eu estava convencida de que vivia um verdadeiro conto de fadas.
Após exatamente um ano de relacionamento, comecei a notar mudanças sutis no comportamento de Lucca.
Quando estava com os amigos, ele mal parecia perceber minha presença. E, quando finalmente me dirigia a palavra, sempre encontrava um motivo para iniciar uma discussão e se afastar.
Pela primeira vez, considerei a possibilidade de Samantha estar certa. Afinal, depois de tantos meses juntos, algo entre nós havia mudado.
Alguns dias depois, Lucca me surpreendeu com um convite inesperado. Pediu desculpas pelo comportamento distante das últimas semanas e disse que queria se redimir preparando um jantar especial para mim.
— Você vai me envenenar? — brinquei.
— E perder a melhor professora que já tive? Jamais.
Ele caiu na risada e eu acabei aceitando o convite.
No horário combinado, cheguei ao apartamento que Lucca dividia com um amigo. Assim que entrei, ele explicou que o colega havia saído.
A noite começou melhor do que eu imaginava. O jantar estava delicioso. Nunca imaginei que Lucca cozinhasse tão bem.
Depois de terminarmos a refeição, nos acomodamos no sofá da sala para assistir a um filme. No início, prestávamos atenção à tela enquanto conversávamos sobre assuntos aleatórios. Aos poucos, porém, o filme foi perdendo espaço para nós dois.
Lucca passou o braço pelos meus ombros e me aconcheguei ao seu lado. Entre um comentário e outro, nossos lábios voltavam a se encontrar.
Os beijos começaram de forma calma, mas, conforme os minutos passavam, tornavam-se cada vez mais intensos.
Naquele momento, senti que havia algo diferente entre nós, como se estivéssemos atravessando uma fronteira invisível.
Nunca havia me permitido viver um relacionamento com tanta entrega. Sempre fui completamente dedicada aos estudos, e isso fez com que minha vida amorosa ficasse em segundo plano.
Até conhecer Lucca, jamais havia encontrado alguém que despertasse em mim o desejo de ir além de alguns beijos.
Por escolha, eu ainda era virgem.
Não porque tivesse medo ou vergonha, mas porque acreditava que aquele momento deveria acontecer com alguém em quem eu confiasse de verdade.
As mãos dele começaram a explorar os limites do meu sutiã. O filme já havia ficado completamente em segundo plano.
Quando percebeu que eu correspondia aos seus carinhos, Lucca me conduziu delicadamente até que eu ficasse quase deitada no sofá. Em seguida, posicionou-se entre minhas pernas e continuou a me beijar com ainda mais intensidade.
Ele ergueu minha blusa, afastando o tecido com delicadeza, e distribuiu beijos que arrancaram de mim vários suspiros involuntários.
A boca de Lucca era quente, e cada toque despertava sensações que eu jamais havia experimentado.
Quando seus beijos começaram a percorrer meu corpo, um misto de ansiedade e nervosismo tomou conta de mim.
Eu nunca tinha ido tão longe com ninguém.
Além da insegurança natural daquele momento, outro pensamento insistia em me atormentar: e se o amigo dele entrasse pela porta de repente?
Meu corpo, que até então respondia aos carinhos, começou a enrijecer.
Percebendo minha mudança de comportamento, Lucca interrompeu os beijos por um instante e ergueu o rosto para me encarar.
— Relaxa, Alice. O Rick só vai voltar quando eu avisar que o apartamento está liberado.
Meu coração deu um salto.
— Apenas aproveite o momento. Você vai gostar.
