Capítulo 2 Ruína
Como uma idiota, acreditei em cada palavra dele. De certa forma, realmente havia sido o melhor sexo oral que eu já recebera — afinal, aquele tinha sido o primeiro da minha vida.
Eu não tinha com o que comparar, muito menos alguém com quem conversar sobre o assunto. Sabia que Samantha não confiava em Lucca e não queria criar mais conflitos entre nós por causa dele.
Depois daquele dia, nossa relação esquentou de vez. As carícias ficaram mais intensas, os encontros mais frequentes, até que, em uma noite, finalmente transamos no quarto dele.
A partir dali, tudo pareceu evoluir entre nós.
Na minha cabeça, eu estava vivendo uma história de amor arrebatadora. Já não tinha dúvidas de que queria passar o resto da vida ao lado de Lucca.
Mas, para ele, as coisas eram bem diferentes.
Estar comigo tinha suas vantagens. Nada além disso.
Quando minha menstruação atrasou, o desespero tomou conta de mim.
Não conseguia acreditar que tinha sido tão irresponsável a ponto de não me prevenir.
Samantha percebeu meu choro. Bateu à porta do meu quarto e, como não recebeu resposta, entrou mesmo assim.
— O que aconteceu, Alice? O que aquele idiota aprontou agora?
— Não foi ele, Sammy... Eu fui a burra dessa história.
Ela franziu a testa, sem entender.
— Então me conta o que aconteceu para eu decidir se você realmente foi a culpada.
Respirei fundo antes de confessar.
— Minha menstruação está atrasada há dez dias... Eu... eu posso estar grávida.
— Você já fez um teste?
Neguei apenas com um movimento de cabeça.
— Então pare de sofrer por antecipação. Vamos à farmácia. Você só vai saber a verdade depois de confirmar. E, além disso, você não vai carregar essa culpa sozinha. Para fazer um filho são necessárias duas pessoas.
Compramos vários testes — Samantha insistiu que apenas um não era suficiente — e voltamos para o apartamento.
Ela permaneceu ao meu lado durante todo o processo. Inclusive quando os sete testes deram positivo.
As lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto ela me envolvia em um abraço apertado, repetindo que tudo ficaria bem, que aquilo não era o fim do mundo... muito menos da minha vida.
— Apesar de achar que o Lucca é um completo cuzão, você precisa contar a ele, Alice. Essa criança também é responsabilidade dele.
— E se ele não quiser esse bebê, Sammy?
Ela segurou meu rosto com delicadeza.
— Então manda aquele imbecil se foder, e nós duas damos um jeito. Tenho certeza de que seus pais também não vão abandonar você. Você não está sozinha.
Respirei fundo.
Precisava encontrar coragem.
Samantha tinha razão.
Eu ouviria um sermão enorme dos meus pais, mas nunca me virariam as costas. E sabia que minha melhor amiga caminharia ao meu lado, acontecesse o que acontecesse.
No dia seguinte, fui até o apartamento de Lucca. Um dos colegas dele abriu a porta e disse que ele estava no quarto.
Eu só não imaginava que, ao entrar, encontraria meu namorado enterrando o pau em outra garota.
Justamente naquela que fazia questão de debochar de mim sempre que podia.
— Fecha a porta, sua vadia! — ela gritou.
Pisquei várias vezes, incapaz de acreditar no que estava vendo. Meu cérebro demorou alguns segundos para processar tudo.
Então fiz exatamente o que ela mandou.
Fechei a porta.
Sem dizer uma única palavra.
Parei no corredor e esperei. Um minuto. Dois. Cinco.
Lucca não saiu do quarto.
Apenas dei as costas e fui embora.
Naquele momento, “burra” parecia uma palavra pequena demais para me definir.
Mas descobrir que estava grávida daquele idiota ainda não foi a pior parte da nossa história.
Todos os nossos momentos íntimos haviam sido filmados. Desde o sexo oral no sofá até a noite em que perdi a virgindade no quarto dele.
Eu tinha sido gravada sem desconfiar de absolutamente nada.
E sabe no que isso resultou?
Um vídeo.
Uma gravação que rapidamente circulou por toda a universidade.
Claro que o rosto dele não aparecia. Só o meu. Gemendo como se fosse uma vadia.
Nunca me senti tão humilhada.
E a ficha só caiu de verdade quando vi Lucca abraçado à mesma garota com quem ele estava transando no dia anterior.
Os dois riam. Riam de mim.
Samantha também recebeu o vídeo. Assim que viu, correu para o meu prédio. Ela me encontrou parada na escadaria, completamente imóvel, olhando para Lucca sem conseguir reagir.
— Você contou para ele? — perguntou.
Neguei.
Ela deu um passo em direção a ele, mas a segurei pelo braço.
— Não quero que ele saiba.
As lágrimas tornaram a escorrer pelo meu rosto.
— Ele não merece saber.
Samantha apenas assentiu. Entendeu o meu pedido. Mas isso não significava que deixaria Lucca sair impune.
Ela caminhou até ele sem hesitar.
— Sabe de uma coisa, Lucca? Isso não me surpreende nem um pouco. Eu sempre soube que você era um canalha. Tudo o que fez só confirmou o quanto consegue ser desprezível.
Ela o encarava sem demonstrar o menor receio.
— Nem precisava ter desfocado seu rosto no vídeo. Todo mundo sabe que é você. Afinal, minha amiga não costuma ser como uma cadela no cio, diferente das garotas com quem convive.
Lucca deu de ombros.
— E daí?
Samantha sorriu, mas não havia qualquer traço de humor naquele sorriso.
— Daí que você foi burro o suficiente para achar que isso ficaria sem consequências. Talvez tenha confundido a vida real com um romance de livro de ficção.
Ela deu mais um passo.
— Mas se enganou. Aqui fora existem leis, Lucca. E, por coincidência, a melhor amiga da garota que você resolveu destruir é a melhor aluna de Direito desta universidade.
Ele riu.
— Você não consegue provar que sou eu naquele vídeo, sua idiota.
— O único idiota aqui é você.
Ela cruzou os braços.
— Você realmente acredita que só os seus amigos entendem de tecnologia?
Nesse instante, o celular de Samantha vibrou, anunciando a chegada de uma nova mensagem.
Ela olhou para a tela e abriu um sorriso satisfeito.
— Que timing perfeito...
Ergueu o celular na direção dele..
— Deixa eu te mostrar o vídeo que um amigo meu acabou de enviar.
