Capítulo 5 Refúgio
O alívio surgiu quando escutei a voz de outra pessoa.
— Soltem ela.
Ao olhar na direção de onde a voz vinha, percebi que eram integrantes da equipe de crossfit da academia. Um alívio imediato percorreu meu corpo, embora o medo ainda estivesse entranhado em mim.
— Não queremos problemas — disse o homem que me segurava, antes de me empurrar.
O rapaz que havia ordenado que me soltassem foi rápido. Antes que eu pudesse cair no chão, ele me segurou com firmeza.
Nunca o tinha visto antes na academia. Provavelmente frequentávamos o local em horários diferentes. Mas aquele homem era, sem dúvida, o tipo de homem que não passava despercebido.
Alto, com um corpo de atleta, uma barba por fazer e os olhos mais penetrantes que eu já havia visto.
— Acho que agora é tarde demais para dizerem que não querem problemas — comentou outro integrante daquele grupo.
Dois dos agressores tentaram correr, mas foram rapidamente contidos. No entanto, reagiram com violência, e foi nesse momento que toda a confusão começou.
— Hugo, leve ela para dentro da academia. Cuidaremos desses três idiotas. Vamos esperar a polícia chegar.
— Venha comigo — disse o rapaz, segurando minha cintura com delicadeza para me ajudar a caminhar ao lado dele.
Seguimos até a academia em completo silêncio.
Se aqueles homens não tivessem aparecido, aqueles idiotas poderiam ter me arrastado para algum lugar e só Deus saberia o que teria acontecido comigo.
Talvez eu me tornasse apenas mais um número em uma estatística.
Ao chegar à academia, avisei que não queria esperar a chegada da polícia e segui direto para o vestiário.
Eu precisava me livrar do toque imundo daqueles canalhas e da sensação sufocante de medo escondida por trás da minha fachada de garota forte.
Naquele momento, nada parecia mais necessário do que um banho. Debaixo do chuveiro, eu poderia finalmente permitir que as lágrimas, que segurava com tanto esforço, encontrassem seu caminho.
Sob a água quente, revivi cada segundo daquele encontro inesperado. O medo, a impotência e a angústia ainda estavam presentes.
Pensei na minha filha, e meu coração apertou ainda mais.
No meu armário, eu sempre mantinha uma troca de roupas para qualquer eventualidade. Aquilo me permitiu me livrar das peças que carregavam o cheiro horrível daqueles homens.
Ao me preparar para sair do vestiário, percebi que precisava encontrar uma forma segura de voltar para casa.
A opção mais sensata seria chamar um Uber, mas, mesmo assim, a ideia de entrar em um carro com um completo desconhecido ainda me deixava desconfortável.
Peguei meu celular na bolsa para ligar para Samantha. Talvez ela pudesse vir me buscar.
Ao sair do vestiário, encontrei novamente Hugo. Eu não fazia ideia de que ele havia permanecido na academia me esperando.
Ele já estava de banho tomado e segurava uma mochila. Quando me viu, sua expressão mudou para um evidente alívio. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, e eu retribuí com um sorriso de gratidão.
Foi só então que me dei conta de que ainda não havia agradecido por ele ter me defendido.
— Você está bem? Percebi que ficou em choque com tudo aquilo, apesar de ter conseguido chegar até aqui.
— Estou sim. Nem eu sei como consegui chegar até a academia. E não tive a oportunidade de agradecer por você ter me salvado. Se não fosse por vocês, eu nem sei o que poderia ter acontecido comigo.
Ele estendeu a mão e sorriu.
— Meu nome é Hugo Castro.
— Alice Fonseca. E obrigada por tudo.
— Posso te oferecer uma carona? Apenas para garantir que você chegue em segurança em casa. Mas vou entender se isso causar algum desconforto.
— Eu ia ligar agora para saber se minha amiga poderia vir me buscar. Depois de tudo o que aconteceu, não queria entrar no carro de um completo estranho — admiti, um pouco constrangida.
— Então deixe sua amiga tranquila. Eu faço questão de levar você em segurança. A corrida de hoje é cortesia da casa — brincou.
Apesar da situação, não consegui evitar um pequeno sorriso.
— Eu não quero atrapalhar.
— Você não vai me atrapalhar.
— Então... obrigada por isso.
Caminhamos até o carro dele, e Hugo me entregou o celular para que eu inserisse meu endereço no GPS.
Seguimos o caminho em silêncio, mas não era um silêncio desconfortável. Pelo contrário, havia algo reconfortante naquela ausência de palavras.
Em alguns momentos, nossos olhares se encontravam, e um sorriso discreto surgia em nossos rostos.
Naquele momento, era reconfortante não estar sozinha.
— Eu não vou causar nenhum tipo de problema para você?
Franzi a testa, sem entender a pergunta.
— Um namorado ou marido ciumento, por exemplo.
Naquele instante, compreendi o que ele queria dizer. Analisei seu rosto, tentando descobrir se havia alguma intenção escondida naquela pergunta.
Mas tudo o que encontrei foi uma preocupação genuína. Ele também parecia receoso de acabar envolvido em algum problema.
— Não se preocupe. As únicas pessoas esperando por mim são minha amiga e minha filha.
— Eu não imaginei que você tivesse uma filha. O pai dela vai entender toda essa situação?
— Não se preocupe. Sou mãe solo.
Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, assimilando aquela informação.
Depois disso, o silêncio voltou a ocupar o espaço entre nós.
Me perdi completamente nos meus próprios pensamentos.
Nem percebi quando chegamos à minha rua. Hugo chamou meu nome duas vezes e, como eu continuava completamente alheia, tocou de leve meu joelho, fazendo meu corpo reagir com um pequeno sobressalto.
— Calma, Alice. Sou eu, Hugo. Chegamos ao seu endereço. Você está bem?
Olhei para ele ainda perdida.
Meus pensamentos tinham me levado de volta para o que havia acontecido. O pavor ainda parecia impregnado na minha pele.
Eu ainda não estava bem. Mas sabia que ficaria melhor quando entrasse em casa e abraçasse minha filha. Eu não permitiria que aquele momento definisse quem eu era.
— Desculpe, Hugo. Muito obrigada por ter me acompanhado até aqui e por ter me protegido daqueles caras. Nunca vou conseguir agradecer o suficiente.
— Não precisa agradecer. Apenas tente descansar e, se conseguir, deixar isso para trás.
E assim nos despedimos.
Ele seguiu seu caminho, e eu entrei no conforto da minha casa.
Nunca havia desejado tanto voltar ao meu humilde lar quanto naquele dia.
A felicidade me preencheu assim que entrei na sala e ouvi a voz desafinada da minha amiga cantando uma música em inglês, pronunciando várias palavras erradas por não dominar o idioma.
Quando Melissa percebeu minha chegada, correu até mim e me abraçou.
Foi somente naquele instante que toda a tensão que eu tentava esconder desmoronou.
E não consegui mais conter as lágrimas.
