Capítulo 10 Por que não chamar uma ambulância?
“Sr. Hayes, sua refeição chegou”, disse uma enfermeira jovem ao entrar com uma bandeja.
Emma ficou paralisada.
Vários dos pratos eram do The Oak Room. Completamente exagerado para uma refeição de hospital.
“Aqui.” Ele desembrulhou os talheres e entregou a ela. “Preço camarada: cinquenta dólares. Lembre de transferir.”
Ela pegou os utensílios.
“Você tem algum amigo vindo fazer companhia hoje à noite?”, ele perguntou.
“Não se preocupe, vou ficar bem. Não precisa”, murmurou ela.
“Ótimo. Tenho coisas para resolver. Minha secretária, Anna Scott, vai estar por aqui. Se precisar de qualquer coisa, fale com ela — ou comigo.”
Ele conferiu o relógio e se levantou para ir embora, mas, depois de alguns passos, virou-se.
“Seu namorado acabou de falecer, certo? E a proposta que eu fiz da última vez?”
Ela quase engasgou com a comida.
“Eu realmente não quero sair com ninguém agora”, disse, pousando a faca e o garfo.
“Entendido. Não vou insistir.” Ele assentiu e saiu.
Observando as costas dele se afastando, ela de repente sentiu que tinha sido dura demais. Afinal, tinha sido ele quem a salvara.
No T Bar, Liam girava o drinque devagar.
Ao lado dele estava o primo, John Parker.
“É a primeira vez que vejo uma mulher te dar um fora. É algo e tanto. Não é à toa que você gosta dela”, John provocou.
“Eu não gosto exatamente dela”, resmungou Liam, inquieto.
“Não gosta?” John inclinou a cabeça e riu. “Você fala dela toda vez que a gente se encontra. Aquele chupão no seu pescoço finalmente sumiu?”
Liam suspirou e esfregou a testa.
É verdade. Ela não sai da minha cabeça.
Nesse instante, o celular dele acendeu.
Emma: [Desculpe, Sr. Hayes.]
Liam: [Tudo bem.]
Emma: [Obrigada.]
[$50 transferidos. Custo da refeição.]
Liam parou, tomou um gole lento do drinque e então digitou:
[Da próxima vez, você paga.]
Uma nova mensagem no WhatsApp apareceu dela e, antes que ele pudesse ler, desapareceu.
Ele franziu levemente a testa, confuso.
“O John tem razão. Se você não se importasse, por que foi resgatar ela você mesmo?” Oliver Dawson deu uma batidinha no copo. “Você podia ter só chamado uma ambulância.”
Liam não disse nada; os pensamentos voltaram aos olhos azul-safira dela.
No dia seguinte, ele assinou a alta dela e a levou de carro até em casa.
“Vai se mudar?”, ele perguntou, reparando nas caixas e nas malas meio arrumadas.
“Vou.”
“Por quê? Este lugar é bom.”
Ele olhou em volta e logo avistou o próprio paletó jogado sobre o sofá.
“Meu ex-namorado morreu ontem. Tenho medo de ele voltar para me assombrar”, disse Emma, seca, pensando em como expulsá-lo com educação.
Ele se sentou como se fosse dono do lugar, sem a menor intenção de ir embora.
“Você tirou a porta?”, ele perguntou.
“Tirei.” Ela assentiu, os dedos roçando a moldura vazia. “Trocar ia custar três mil, e o chaveiro, cento e cinquenta.”
“Eu achei que você estava em perigo de morte”, ele disse, cruzando as pernas. “Quando acaba o contrato de aluguel?”
“Na próxima quarta-feira.”
“A porta sumiu. Por que não se muda hoje à noite?”
“Se mudar pra onde?” Ela pegou uma garrafa de água na geladeira e jogou para ele.
“Muda pra minha mansão”, ele disse, pegando-a com um sorriso discreto.
Emma congelou. Algo tremulou no peito dela, mas ela forçou aquilo para baixo.
“Esquece. Você devia voltar, Liam. Tem um monte de mulheres lindas da alta sociedade esperando por você…”, ela começou.
“Mas nem todo mundo tem a chance de passar a noite comigo”, disse ele, com brandura.
Meu Deus.
Então esse homem frio nunca ficou com mais ninguém.
Que homem tão tradicional.
O calor subiu para as bochechas dela. Emma desenroscou uma garrafa de água e bebeu como se aquilo pudesse salvá-la.
“Se cuida esta noite. Me liga se precisar de qualquer coisa.” Ele se levantou e foi em direção à porta.
“Liam”, ela o chamou baixinho, quando ele passou.
Ele parou, esperando.
“Obrigada”, foi tudo o que ela conseguiu dizer.
Ele não respondeu; apenas saiu.
Ela viu as costas dele sumirem e então olhou para a porta arrebentada.
Lasquinhas de madeira estavam espalhadas pelo chão, como os pedaços da vida dela.
Entrar num casamento?
Não. Eu não vou. Nunca.
Ela reservou um hotel e mandou mensagem para o proprietário, para combinar o conserto da porta.
Quando a noite caiu, ela dirigiu até a oficina que Ben sempre usava, a que pertencia ao tio de Chloe, Charles Winslow. Aquilo seria o último “presente” para eles.
Ela deixou bem claro que a câmera veicular precisava de reparo e enfatizou que era amiga de Ben.
Deixando o carro na oficina, ela se virou e foi embora.
Na quarta-feira, a cerimônia de noivado tinha sido cancelada.
Charles claramente ouvira as gravações da câmera veicular e encontrara a câmera escondida.
A família Grant já via a falta de carinho de Ben por Chloe como um grande problema. A exigência de que ela interrompesse a gravidez só os enojou ainda mais e, no fim, eles desmancharam o noivado.
As duas famílias mergulharam no caos.
Emma saboreou sua vitória silenciosa por alguns dias, mas o problema da moradia ainda precisava ser resolvido.
Naquela noite, ela esperou perto do elevador, de um bom humor incomum, quando o expediente chegou ao fim.
Ding!
As portas se abriram, revelando Liam e Ryan lá dentro.
Ela entrou, mas o elevador parou de novo no 18º andar, onde a equipe de comunicação corporativa se apertou para entrar.
Ela tentou se afastar, mas a multidão a comprimiu até ela ficar colada em Liam.
Ela puxou um fôlego e quase se engasgou.
“Emma, chega um pouquinho pro lado”, disse alguém ao lado dela, cutucando-a na direção do espaço ao lado dele.
Ela tropeçou e quase perdeu o equilíbrio. Estendendo a mão por instinto, seus dedos se fecharam ao redor de uma mão grande e quente.
“Ah!”, ela arfou, firmando-se e tentando se soltar, mas ele a segurou com firmeza.
Ah, não.
Nesse momento, uma notificação do WhatsApp apareceu na tela dela.
Hunter: [Sua roupa está pronta. Você consegue buscar hoje à noite?]
[Seu namorado vai adorar.]
Ela olhou a mensagem e bloqueou o celular rapidamente.
Mas, ao lado dela, Liam já tinha visto.
Quando o elevador chegou ao subsolo, ela saiu apressada e entrou no carro.
Ligou o navegador e dirigiu até o endereço que haviam lhe enviado.
O carro parou na entrada de uma propriedade. O segurança avançou para barrá-la, exatamente quando outra mensagem chegou.
[Esperando no portão por dois minutos.]
Ela saiu do carro, parando um instante para admirar o lugar: uma grandiosa propriedade neogótica, elegante e imponente.
Um carro familiar encostou ao lado dela e baixou o vidro.
Liam.
Os olhares deles se encontraram.
O segurança abriu o portão para ele, mas ele não entrou com o carro.
