Capítulo 11 Então fique comigo
Na manhã seguinte, ela seguiu a multidão para dentro do elevador, com os olhos grudados no celular.
No instante em que entrou, um cheiro familiar a atingiu.
Sem erguer o olhar, ela se encolheu num canto, tentando ficar o mais longe possível dele; ainda assim, conseguia sentir aquele olhar afiado cravado nela.
Mais gente se apertou lá dentro. O espaço exíguo se encheu de perfumes e colônias que se chocavam.
Emma cobriu a boca, virou de lado e teve ânsias várias vezes.
Só depois que a multidão diminuiu é que ela se sentiu um pouco melhor.
— O que foi, Emma? Você anda sem muito apetite — sussurrou Iris, observando o rosto pálido dela.
— Estou bem. Só estou estressada com a mudança — disse ela.
— Você está solteira agora. Quer que eu te apresente alguém? — Iris ergueu e baixou as sobrancelhas.
Emma lançou um olhar para ela.
— Se eu quisesse um relacionamento, ia ter fila daqui até o estacionamento.
— Tá, tá. Uma futura designer celebridade não fica sem pretendentes, eu sei — Iris provocou.
— Ah, é? A Emma está com romance na agenda? — Ethan passou por ali por acaso e pegou bem a última frase.
Os três deram uma risada constrangida.
Na hora do almoço, quando todo mundo foi para o refeitório, Emma ligou para Ryan para pedir um encontro com Liam.
Assim que recebeu sinal verde, foi direto para o 30º andar.
— O que traz você aqui? — perguntou Liam, sem tirar os olhos da tela.
Hoje ele vestia uma camisa branca e um colete; a aura estava um pouco diferente. Mais fria. Mais afiada.
- É a camisa que eu mandei fazer? *
Ela se aproximou e colocou uma sacola de papel sobre a mesa dele.
— Estou devolvendo sua jaqueta. Obrigada — disse.
Ele olhou para a sacola e, depois, de volta para ela.
— Não está se sentindo bem?
— Sim… — Depois de ontem, ela tinha decidido que assuntos pessoais precisavam de um limite rígido.
— Se não tiver mais nada, eu já vou descer — completou depressa.
…
A tontura e a náusea pioraram, então ela tirou a tarde de folga e foi ao hospital.
Depois que descreveu rapidamente os sintomas, o médico começou a fazer perguntas.
— Nome?
— Emma Carter.
— Idade?
— Vinte e dois.
— Você teve relação sexual no último mês?
— Sim, mas eu tomei anticoncepcional de emergência.
— A pílula só tem cerca de noventa por cento de eficácia para prevenir gravidez. Vamos começar com um ultrassom obstétrico — disse o médico.
Os dedos de Emma se fecharam na barra do vestido, enquanto o suor brotava na testa.
Ela engoliu em seco, apertando as requisições dos exames, enquanto esperava do lado de fora pelo resultado.
As lágrimas arderam atrás dos olhos quando memórias antigas vieram à tona. Anos atrás, sua mãe estivera num corredor parecido, grávida de um empresário, dando à luz sozinha, criando Emma na base da pura força de vontade. Só as duas sabiam o quanto tinha sido difícil.
Ela caminhou pelo corredor silencioso, encarando as palavras no pedido do ultrassom.
-
Não. Eu não posso estar grávida. Isso seria o fim. *
-
Eu só tenho vinte e dois anos. *
Inspirando fundo, ela tentou se acalmar, mas a tensão só aumentou.
Hesitou, pensando se deveria ligar para Liam, mas talvez ele nem atendesse.
Ela mordeu o lábio, teimando em conter as lágrimas.
Naquele instante, uma figura familiar apareceu no fim do corredor, caminhando em sua direção.
Chloe se aproximou, com a velha empregada Olivia Grant amparando-a com cuidado ao seu lado.
— Aqui para fazer exame também, Emma? — o olhar de Chloe deslizou para o resultado do teste de gravidez, claramente identificado, na mão de Emma, e seu tom era afiado como uma navalha.
Seu ar glamouroso tinha desaparecido. Seus olhos estavam opacos, com profundas olheiras azuladas sob eles, um contraste gritante com sua imagem habitual, sempre impecável.
— Chloe. — Emma dobrou a folha e a escondeu atrás das costas.
— Você é mesmo uma grande manipuladora — Chloe sibilou entre os dentes.
— Por que tanta raiva? — Emma soltou uma risadinha.
Comparada a Chloe, ela só tinha perdido um canalha. Chloe tinha perdido o futuro marido e o pai do próprio filho.
— Hmph! — Lágrimas escorreram pelo rosto de Chloe. — Você deve estar adorando que o noivado tenha sido cancelado! Ben amava você, mas fui eu quem engravidou. Você planejou tudo isso para se vingar, não foi?
— Saber ou não dos seus segredinhos não faz diferença. Eu fiquei calada — disse Emma, com um leve sorriso. — Foi Charles quem expôs tudo. Como isso é culpa minha? Os Carter e os Grant estavam tentando fechar uma aliança por casamento. Você só fez uma besteira dessas porque estava com medo de que eu estragasse tudo.
— Emma! Você não passa de uma garota que cresceu sem pai. Como ousa me acusar? — Chloe rosnou, usando a origem dela como uma faca.
A expressão de Emma esfriou, e ela se calou.
Só quando seu nome ecoou pelo sistema de som é que ela voltou a si.
— Chloe, vamos parar por aqui — disse baixinho, dando um passo para o lado, pronta para ir embora.
Chloe se moveu de novo para a frente dela, bloqueando a passagem.
— Emma, nem fez um mês desde que você “terminou” com Ben. Será que você só usou isso como desculpa para sair transando por aí? — cuspiu ela.
— Chloe, olha a sua boca — disse Emma, forçando-se a manter a calma.
— Ha! Por que está tão nervosa? — Chloe de repente avançou e arrancou o resultado da mão dela.
— Me devolve! — Emma estendeu a mão, mas Olivia se colocou entre as duas.
— Então é verdade — sussurrou Chloe, os olhos se arregalando enquanto percorria a página.
O sangue subiu ao rosto de Emma.
— Sabe por que eu protegi você todos esses anos? — Chloe zombou. — Porque Ben gostava de você, e eu o amava. Eu tinha que bancar a santa na frente dele. Você não faz ideia do quanto eu desprezei você.
As palavras atingiram Emma como um tapa.
Os olhos de Emma se arregalaram quando a verdade a atingiu, e lágrimas deslizaram por suas bochechas.
— Me dá o laudo — disse ela, devagar.
— Diga o nome do homem, e eu devolvo. — Os olhos de Chloe estavam cheios de crueldade.
— Devolve — Emma repetiu, tentando pegá-lo.
Chloe lhe deu um tapa.
Pá.
A bochecha de Emma ardeu de dor. O corredor caiu abruptamente em silêncio, e o único som era o aviso repetido no sistema de som: “Emma Carter, por favor, dirija-se à sala de exames.”
Emma avançou de novo para pegar a folha, mas o braço de Chloe se ergueu para outro golpe.
Antes que pudesse acertá-la, uma mão grande agarrou o pulso de Chloe e o forçou para baixo.
Emma ergueu os olhos para a figura alta diante dela e congelou.
