Capítulo 2 Você consideraria se tornar a Sra. Hayes?

Emma pediu que Ryan a deixasse numa esquina a uma curta caminhada do escritório. Nem pensar em chegar ao trabalho no carro do chefe e alimentar a fábrica de fofocas com material fresquinho.

Sem saber se Liam tinha usado proteção, ela entrou numa farmácia próxima para comprar contracepção de emergência.

Assim que engoliu os comprimidos, seu celular vibrou.

Identificador de chamadas: Ben Turner.

Ela encarou o nome, com um sorriso torto e debochado puxando seus lábios.

Eles estavam juntos desde a faculdade. Cinco anos. Ela até tinha pulado séries para acabar na mesma turma que ele. Dois anos atrás, tinha se mudado para o exterior para continuar os estudos, e então o relacionamento à distância começou.

Em troca, ele a traiu com a melhor amiga dela.

Emma engoliu a própria raiva e fingiu paciência, esperando o momento perfeito para dar o troco.

Ela desligou a chamada. Quando estava prestes a bloquear a tela, uma notificação de mensagem do Facebook apareceu.

Liam: [Me adiciona no WhatsApp.]

Ela piscou, pega de surpresa.

Por que ele está pedindo isso? Como meu chefe ou como um caso de uma noite?

Sem conseguir chegar a uma conclusão em meros três segundos, ela simplesmente ignorou a mensagem.

Logo depois, apareceu uma notificação do trabalho.

Aviso do Departamento de Design: [Reúnam-se na sala de conferências em dez minutos.]

Emma apressou o passo em direção ao escritório e entrou no saguão dos elevadores.

“Você sempre odiou roupas sociais. O que houve com esse terninho de saia hoje, Emma?” A colega designer Iris Blackwood a examinou de cima a baixo, com a curiosidade estampada no rosto.

“Bem, preciso exibir minha silhueta para mostrar minhas qualidades profissionais”, respondeu ela, ajeitando a saia com uma despreocupação forçada.

“Ha-ha…” Iris avaliou abertamente suas curvas e depois deu um tapinha brincalhão em sua bunda. “Seu homem vai ter muita sorte.”

O tapa acertou em cheio o hematoma da noite anterior.

Emma cerrou os dentes, sufocando um grito de dor.

No instante em que as portas do elevador estavam prestes a se fechar, uma mão surgiu para impedi-las.

Ryan se afastou para dar espaço, e Liam entrou.

Emma encolheu no mesmo instante para o canto. Sua garganta se moveu quando ela engoliu em seco, os nervos se retesando quando Liam ficou bem ao lado dela e Iris parou exatamente na frente dos dois.

O leve aroma de madeira de pinho vinha dele, exatamente como na noite anterior. No elevador apertado, a presença dele a envolvia, densa o bastante para roubar seu ar.

Ela mordeu o lábio, forçando-se a permanecer calma.

Por fim, o elevador apitou e as portas se abriram no 28º andar, onde ficava o departamento de design. Ela e Iris saíram como se estivessem fugindo de uma cena de crime.

“Quase morri de susto”, murmurou Iris, levando a mão ao peito. “Eu vi uma mulher no carro do sr. Hayes ontem à noite. Ela estava abraçada no pescoço dele e beijando ele, e ele não a afastou. Talvez eles já tenham ido para a cama.”

“É mesmo?” O rosto de Emma pegou fogo.

“Perguntei ao Ryan, mas ele não abriu o jogo.” Iris ajeitou o crachá e pegou seu caderno.

Dez minutos depois, todos estavam reunidos na sala de conferências.

A reunião foi basicamente uma revisão dos projetos recentes.

Ethan Reed, o galã oficial do departamento de design, assumiu a liderança, prevendo com confiança o sucesso da campanha. Ninguém duvidava de que ele sairia com o bônus de desempenho deste ano.

“Um agradecimento especial à Emma”, acrescentou ele, voltando o olhar para ela. “Os nossos designs mais populares deste ano são dela, incluindo a coleção mais vendida...”

Emma manteve um sorriso educado, já entorpecida pelos elogios depois de ouvir variações daquilo durante todo o banquete de comemoração da noite anterior.

A reunião mal tinha terminado quando uma batida soou na porta da sala de conferências.

“O Sr. Hayes solicita a sua presença no escritório dele, Emma”, anunciou Ryan.

“Entendi”, respondeu Emma em voz baixa.

A sala mergulhou num silêncio absoluto quando mais de uma dúzia de olhares se voltou para ela, todos ardendo de curiosidade.

“Ryan, aconteceu alguma coisa?”, perguntou Ethan.

Todos olharam para Ryan.

“Não sei”, respondeu ele, balançando a cabeça.

“Você não está com uma cara boa, Emma. Quer tirar o dia de folga?”, perguntou Ethan. Sua preocupação gentil com cada subordinado já tinha virado hábito havia muito tempo.

“Não precisa. Se eu não voltar, considerem os manuscritos do escritório como minha herança”, disse Emma baixinho. Ela pegou suas anotações da reunião e saiu.

Ela seguiu Ryan até o elevador.

Depois que ele liberou o acesso com reconhecimento facial, o elevador começou a subir lentamente.

O escritório do CEO ficava no 30º andar, uma zona proibida em que quase ninguém entrava. Cercado de rumores, era conhecido como “Inferno”. Supostamente, o último diretor de departamento que saiu de lá estava com o braço quebrado. Antes disso, o antigo assistente de Liam tinha sido carregado para fora com uma fratura na perna esquerda.

“O Sr. Hayes disse por que queria me ver?”, perguntou Emma.

“Ele não especificou, mas parecia estar de bom humor”, respondeu Ryan.

De bom humor? Claro que está.

Quem sabe quanto prazer ele teve na noite passada.

Ryan bateu três vezes na porta.

“Entre.”

Emma abriu a porta e entrou. Atrás dela, Ryan a fechou silenciosamente.

Liam tinha tirado o paletó. A camisa preta estava com os dois primeiros botões abertos, e a gravata, jogada de lado. O leve chupão em seu pescoço estava claramente visível.

Recostado na cadeira do escritório, ele irradiava um charme preguiçoso e desenfreado.

Ele lançou um olhar para ela parada perto da porta e depois voltou a atenção para a tela.

O silêncio se espalhou pelo cômodo.

Depois de um tempo, ele se levantou e caminhou até ela.

Cada passo fazia o pulso dela disparar mais.

“Sr. Hayes...”, murmurou ela, erguendo o olhar para encontrar os olhos azuis dele e tentando parecer composta.

“Sente-se.” Ele se virou na direção do sofá.

Ela escolheu um lugar a cerca de dois metros dele.

“Mais perto.” Ele bateu de leve no lugar ao lado dele.

Após uma breve hesitação, ela se aproximou.

“Ainda dói?”, perguntou ele, mantendo os olhos fixos nela.

Ela ficou imóvel e então balançou a cabeça de leve.

“O que você acha?”, insistiu ele.

O olhar dela desceu até a clavícula dele e ao leve chupão em sua garganta.

“Desculpe, Sr. Hayes. Eu estava bêbada...”, sussurrou ela.

“Não precisa se desculpar.” Ele a interrompeu, recostando-se no sofá enquanto observava seu perfil.

“Fui eu quem tomou a iniciativa ontem à noite”, disse ele com calma. “Você só me beijou. Tudo o que aconteceu depois foi por minha causa.”

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